
Chris Martin, e sua equipe de guarda-costas. Não que alguém se importe.

Chris Martin, e sua equipe de guarda-costas. Não que alguém se importe.
Deu pau no Orkut e sobrou tempo pra eu blogar. Jack Nicholson VS Heath Ledger? Dar uma de gentinha me colocando na ordem do dia? Nããããõ. Vamos olhar algumas fotos.
Não que seja o caso de sugerir com a iconografia abaixo que já fomos melhores, porque não.
Amante histérica de filme do Woody Allen


O problema entre homens e mulheres sempre foi naturalmente um problema das mulheres, que insistem em exigir dos homens atitude. Ao som de Schubert, despacham Angelica Huston. Satisfeitas?
Mr. Deeds


Questão de signos. Jean Arthur era libriana e Gary Cooper, taurino. Winona Ryder é escorpiana e Adam Sandler, virginiano. Consultando diversas fontes competentes, conclui-se que a primeira é uma combinação mais verossímil. Logo, ponto pro Capra. (Mas o amor é uma caixinha de surpresas.)
Mr. And Mrs. Smith

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Um mundo melhor não é necessariamente mais inteligente. Arrematar crianças em saldão terceiro-mundista? Não tem preço. Angelina Jolie é a idéia que elas fazem da mulher ideal. Senhoras, eu sei que pode parecer antiquado, talvez até regressivo, mas deixem pros homens definir a mulher ideal. Aqui, ó.
Mulher
Feirante.
O povo tem fome. Então que coma.

Dá logo um tiro nele e acaba com essa palhaçada. Palhaçada, pegaram? É, foi mal
Do Coringa - Era Jack, agora é Ledger, que morreu
O Coringa de Ledger é melhor, porque ele está morto e o Jack vivo.
"Mas que merda é essa?"
"E agora, outra foto?"
"Outra foto, que merda é essa não vai escrever nada de bom não? Vai ficar me enchendo o saco com fotos que pegou do Google."
"Shine a Light é um documentário que retrata uma performance artificial de uma banda de sexagenários milionários sem muito mais o que dizer, dirigido por um diretor abastado que a muito tempo desistiu de tentar, preferido se acomodar perante a ribalta dos caminhos seguros e previsíveis. Quando a idade deveria ter produzido sapiência, reflexão e contemplação, produziu conveniência. Rolling Stones e Martin Scorsese, antes artifícies de uma revolução, hoje são burocratas de uma máquina de lucros, marcial em sua implacável eficiência."



Para Pauline.
Porque, quando eu for humilhado e martirizado pela causa da justiça, que não seja por alguém de quem, em agonia excruciante e entre alucinações, eu me lembre como uma Cruella de Vil com chapinha falando como um oficial da SS miguxo: “Queridinhos, vocês agora vão todos pra câmara de gás sem dar um piu. Um piu! Ouviram?”
Dentre as fábulas modernas, nenhuma é tão rica em ensinamentos como a arquifamosa “A Madama e o Torneiro Mecânico”, adaptação da fábula de Esopo “A Serpente e a Anta”.
Contam que fazia muitos anos que a Dona Anta estava, como se diz, pela Caixa, graças à ajudinha de um médico truta seu. Mas a sorte dela mudou de uma hora pra outra quando responsabilizaram pela perícia outro médico, que, percebendo o esquema, queria fazê-la voltar ao batente. Muito brava, Dona Anta partiu pra cima, mas, enganchando o chinelo de dedo na cadeira, bateu com a boca na quina da mesa e só não foi presa porque começou a chorar que nem uma menininha quando os seguranças lhe travaram as patas.
Esopo.Vinha andando muito desconsolada pela rua, enquanto tirava o gesso que já não servia pra nada, quando viu entrando numa clínica de estética a Dona Serpente, acompanhada de um segurança de 1,90 e 140 quilos, tão chique ela que até parecia atriz da Globo, e eu acho que era mesmo. Dona Serpente, sem hora marcada, chegou aos berros porque uma mancha que ela tinha em cima da cabeça dela de serpente não tinha saído depois da última limpeza de pele. Apesar da médica lhe explicar que aquela mancha não sairia porque era da espécie de serpente que ela era, Dona Serpente já começava o discursinho do “Você sabe com quem está falando?”, que era exatamente a questão.
Do lado de fora, espreitando, Dona Anta ouvia tudo com atenção. Depois de empurrar uma atendente que a quis conduzir à sala de exames, Dona Serpente saiu possessa, porta afora, seguida pelo segurança. Na calçada, no entanto, sendo abordada pela Dona Anta, que pedia só “um minutinho da vossa atenção, madama”, mandou que o Waldinei, o segurança, entrasse em ação, o que ele fez de pronto, dando uma cacetada na cabeça da Dona Anta debaixo do boné encardido de partido político. Waldinei ainda achou por bem dar-lhe alguns chutes no estômago, já que não tinha ninguém olhando, enquanto Dona Serpente entrava no carro.

Em entrevista ao A Tarde é Sua, da RedeTV, Narcisa Saldanha Tamborindeguy disse jamais ter ouvido falar na fábula da Madama e do Torneiro Mecânico.
Mas Dona Anta era persistente quando estava em jogo a possibilidade de não ter de trabalhar por mais pelo menos uns três anos ou até mais, se ela conseguisse arrancar daquela perua (Dona Anta não era boa de zoologia) uns 500 reais, dinheiro mais do que suficiente pra comprar carvão pras churrascadas quinzenais com carne podre que o governo costumava enterrar nas proximidades da floresta, porque a cerveja era o Diógenes que providenciava. Por isso, com o resto de forças que tinha, gritou que havia um jeito de tirar aquela mancha da cabeça da Dona Serpente, mesmo ela sendo de uma espécie de serpente com mancha na cabeça. “Fala logo”, disse a serpente com aquela voz enjoadinha de serpente, fazendo sinal pro Waldinei parar de chutar a Dona Anta.
Limpando o sangue da boca, o mamífero disse: “Ólia, madama, s’a çinhora kinzé, eu poçu tira eza manxa da sua cabessa”. E explicou que era só cortar a cabeça da Dona Serpente que, por ela ser uma serpente, cresceria de novo. Dona Serpente, que, por causa das sessões contínuas de bronzeamento artificial, andava menos astuta do que de costume, achou a explicação bem convincente.
Tirou 500 conto da carteira de couro de anta e jogou pra Dona Anta, cujos olhos brilharam, apesar do inchaço decorrente das pancadas começar a lhe deformar a fisionomia de anta. Querendo por isso mesmo se vingar, Dona Anta, muito mau-agradecida, disse assim para Dona Serpente: “S’a madama qinze, eu messmu cortou pra sinhoura”. Fazendo uma cara enorme de nojo, Dona Serpente já ia recusando, quando viu refletida no retrovisor do carro aquela mancha horrorosa em sua cabeça. Apavorada, ela concordou com que Dona Anta mesma fizesse o serviço com aquelas patas que não pareciam ver água há mais de ano, contanto que fosse imediatamente.
Foram, então, as duas e o Waldinei pra rua de trás da clínica de estética, onde havia um terreno baldio. “Vai doer?”, perguntou Dona Serpente. “Nada”, respondeu Dona Anta, que já levantava bem alto uma faca que ela achou no meio do lixo, mas que ela disse que tinha trazido de casa porque sempre costumava fazer isso de cortar cabeça de serpente com mancha. E de um só golpe decepou a cabeça de Dona Serpente. Voltando-se ao Waldinei, Dona Anta pediu que ele levasse a patroa e a cabeça para casa e esperasse pelo menos umas 24 horas até que começasse a brotar a nova cabeça, e deu o fora em seguida.
Passadas 24 horas, não cresceu porcaria de cabeça nova nenhuma. Mas, em compensação, a mancha na cabeça já cinzenta da Dona Serpente estava muito mais clara do que antes, ainda que não tivesse sumido. Três dias depois, que foi quando o Seu Serpente voltou da “reunião de negócios”, encontrou Waldinei inconsolável com a cabeça fedorenta da patroa no colo. Seu Serpente chamou então a polícia, que saiu imediatamente em busca da Dona Anta, que foi facilmente localizada, dando uma churrascada olímpica na floresta do Heliópolis. Na mata fechada, o pagodão e o barulhinho de havaianas sendo arrastadas contra o cimento facilitaram o serviço da polícia, que desconfiou do fato daquele churrasco ser tão opulento e não contar apenas com carne podre do governo. Interrogou um por um e chegou ao nome da Dona Anta, que foi pra delegacia apanhando no camburão.
Moral da história: as pessoas são caricaturas de si mesmas. Se você entrar numa clínica de estética, vai encontrar pelo menos uma Soraya Montenegro e uma Paola Bracho fazendo limpeza de pele. Se der um pulo no Heliópolis, vai ver pobres em lajes fazendo churrasco e ouvindo a Dança do Créo. E é tudo gente perversa.
Fim
A noite começa. Mas quando a noite realmente começa? Simples, quando os noturnos saem de casa a fim de alguma distração fácil; sentar num bar e falar besteiras daquelas que não saem do bar: filosofia de botequim, para os mais íntimos.
Cada um olhou para o outro, lembrando que haviam olhado nas suas respectivas carteiras faz algum tempo e elas estavam um tanto desprovidas de conteúdo, e resolveram entrar em um desses famosos American Bar's que infestavam a Augusta na década de 80. Um pedaço da boca do lixo paulistana muito antes da Luz. E afinal, quinze reais é um preço justo por duas horas de cerveja de garrafa e também por se arriscar, 15 reais, é um preço justo.
Em Albergue Espanhol, Xavier, com 25 anos de idade, consegue uma bolsa para cursar um mestrado em Barcelona onde acaba convivendo com pessoas de diferentes nacionalidades no lugar que ele decide morar em Barcelona; por ventura, suas experiências amorosas e seu futuro rompimento com a sua namorada desde o colégio, esta interpretada por Audrey Tautou. Dois aspectos interessantes deste filme é a narrativa contruída e o modo como o diretor trata do universo dos universitários; certas situações como a plaquinha sobre o telefone com todas os idiomas para atender o telefone de maneira correta e um pouco de verossimilhança com a realidade tornam o filme gostoso de se ver. O amor de Xavier se descobre no final do final, o qual eu não vou contar, recomendo que vejam.
Já em Bonecas Russas o protagonista está mais velho e tenta a todo custo ganhar alguma dinheiro, nem que seja como ghostwriter de pessoas insonsas ou escrevendo novelas de segundo escalão. Se no primeiro filme mostra um personagem cheio de sonhos e esperanças, agora nesse o protagonista parece ter ainda sonhos, mas agora tem que lidar com a conta de luz e água, etc. Se antes tudo era possível, agora mostra o amadurecimento da personagem em busca de algo mais estável, sem deixar de lado suas metas e sonhos. O diretor utiliza mais efeitos nesse filme, enquadramentos ousados e narrativas não-lineares, mostrando que, como o protagonista, amadureceu sua linguagem cinematográfica.
Jackson Conti lançou o álbum chamado Sujinho. Mas quem diabos é Jackson Conti? Ele é um dos muitos heterônimos musicais de Madlib, o grande produtor workaholic da costa oeste estadunidense; seu enfoque é sobretudo em pesquisar músicas e criar hip-hop alternativo baseado nelas, o famoso sampler que tanto adoro. Da suas experimentações: criando músicas para filmes imaginários( The Beat Conducta Vols 1-4), a criação de dez bandas imaginárias( Yesterday Universe); Madlib sempre demonstrou um apurado senso musical e uma técnica impressionante, pra quem não sabe ele toca todos os intrumentos, pior, ele toca todos os instrumentos necessários de uma banda pop muito bem.Você sabia que Renata Tebaldi e Maria Callas eram rivais nas décadas de 1950 e 1960? Mas que as duas fizeram as pazes em 1968, porque cada qual sabia que era melhor que a outra, mas que isso é coisa que se guarda do lado esquerdo do peito? Mais uma rivalidade que você desconhecia, viu?
Mas ópera é a coisa mais bonita do mundo. Naturalmente, depois disto:

Passei a tarde ouvindo Verdi: Rigoletto e Aida. Rigoletto é sempre Rigoletto, desde a primeira vez que a ouvi pela Cultura FM, em transmissões diretas do MET. Mas Aida não me convenceu. Ainda. Dãããã.
Rigoletto é uma ópera em quatro atos sobre um nigger que resolve folgar com quem não deve, ou seja, um branco rico. Rigoletto tem uma filha que é um estouro, Gilda, interpretada por Rita Hayworth no famoso filme homônimo de 1946, de Charles Vidor.
As célebres rotinas de Rigoletto, na melhor tradição bufa da denúncia pelo humor, recurso muito sagaz do libretista.
No final, [spoiler] Gilda é assassinada por engano no lugar do Duque de Mântua, dando a entender que a opressão continua. Rigoletto ouve o Duque de Mântua cantando “La donna è mobile”, então imediatamente abre o saco onde deveria estar o corpo do nobre e encontra sua filha Gilda agonizante.
A versão de Rigoletto que estive ouvindo é de 1964, com Dietrich Fischer-Dieskau no papel de Rigoletto e Renata Scotto no papel de Gilda.
Estava procurando fotos da Renata Scotto no Google só pra descobrir que ela parece um Muppet. Isso estraga um pouco a minha imagem da Gilda no duo com o Duque de Mântua, de “E il sol dell’anima”. Em compensação, imaginar a Miss Piggy agonizando dentro de um saco é mais divertido, mesmo que suprima um tantinho a tragicidade.
Rita Hayworth dentro do saco é uma das cenas mais emocionantes do cinema mundial.
E aonde eu vou as pessoas me vêm falar de Puccini, como se Puccini fosse mais pop que Verdi. Rigoletto, meus queridos, Rigoletto.
Minha objeção a Puccini é, no fundo, senão uma defesa de Verdi, pois se Rocco e i Suoi Fratelli me provoca lágrimas, High Noon me comove muito mais.
No libreto, baseado na peça de Vitor Hugo, Le Roi S’amuse, Francesco Maria Piave, por causa da censura da época, recorreu à maldição que o Conde Monterone lança sobre Rigoletto como metáfora para a discriminação sofrida pelos pretos.
Maldição do Conde sobre Rigoletto:
“e tu serpente, tu che d'un padre ridi al dolore, sii maledetto!”
E é claro que eu me lembrei de In the Heat of the Night, com Sidney Poitier e Rod Steiger, quando o velho aristocrata sulista leva do Poitier um tapa na cara e fica todo melindrado.
2)Peanuts(1950) - Criado por Charles M. Schulz
3)Mafalda(1966) - Criada por Quino
4)Turma da Mônica(1963, Franjinha e Bidu foi em 59) - Criada por Maurício de Souza
5)Calvin and Hobbes(1986) - Criado por Bill Watterson
Vamos fazer um exercicío básico de administração voltada para o mundo do entretenimento. Qual o target, o alvo, a parcela de consumidores mais procurada pelo mundo pop? Sim, são elas, as garotas aborrescentes, ainda longe de se ocuparam com algo mais produtivo como trabalho e contas para pagar, e que torram a mesada dada pelos pais em discos, ingressos para filmes e tudo mais. George Michael tinha atingindo em cheio essa fatia do público nos loucos anos 80. Vamos, então, ir mais longe nesse exercício. Normalmente, o apelo das canções pop para essa parte do público implica numa espécie de, digamos, "cooptação de papéis" por parte das jovens donzelas. Elas ouvem as canções, como se o alvo das lamúrias cantadas pelo seu ídolo fossem dirigidas para si próprias. Sim. Elas não separam as coisas. A música ouvida versa sobre elas, e tão somente elas, e pronto. "Ai, que romântico!", ouvimos por ai. Agora, então, vem a última parte do exercício. Imaginem que uma garota devote sua existência em torno de um determinado cantor. Ai, então, ela descobre que todas aquelas músicas que lhe provocavam rios de lágrimas, na verdade não eram cantadas para "ela". Nem para outra mulher, que o seja. Eram cantadas para outro homem. Pois o seu ídolo, na verdade, é gay. Não, a tonhice delas jamais permitiria tamanha "traição". E lá se iam os dólares embora. George Michael enfrentou essa condição até onde pôde para poder seguir sua carreira. Deixou pistas aqui e acolá (como na música Freedom do seu segundo álbum, Listen Without Prejudice), evitava gravar clipes em determinado ponto de sua carreira, brigou com gravadoras e tudo mais. Só foi sair do armário, como se diz da famosa expressão, em 1998, quando foi pego no escândalo do banheiro no parque em Los Angeles. Foi por um triz. Hoje, Michael está quase esquecido, mas o seu sacrifício em nome dos dólares sempre será lembrado. Outros como Montgomery Clift não suportaram. Ele ficou em pé. Ponto pra ele.
A carreira de Paul McCartney nos anos 80 foi como a grossa maioria das estrelas das duas décadas anteriores (Eric Clapton, David Bowie, Rolling Stones e outros mais): constrangedora no âmbito artístico, muito mais voltada para factóides e ativismos do que para a criação de músicas e álbuns minimamente decentes. McCartney aborreceu o mundo na época com seu ativismo barulhento em favor dos direitos dos animais, campanha que abraçou ao lado de sua mulher, Linda McCartney (in memorian). A consequência mais profunda desse comportamento foi sua conversão para o vegetarianismo. Como eu não posso sequer imaginar como deve ser uma vida na qual alguém abre mão de comer carne, digo aqui que imagino, sim, o ato de Macca como uma grande façanha. Mas precisava ter aporrinhado tanto? Lembram do show dele no Maracanã, em 90? Proibiu a venda de hamburgeres e outros produtos derivados de carne bovina, suína ou o escambau. Mala. Mas repito: foi uma façanha.
Tina Turner já era um mito da música quando a década de 80 chegou, mas sua imagem ainda permanecia presa ao lado da do seu marido, Ike Turner, que controlava sua carreira a ferro e fogo, e com algumas bolachas na cara também. Cansada de apanhar do maluco, e querendo escrever sozinha seu nome no rol das estrelas, Tina resolveu bancar um improvável divórcio, pessoal e profissional, do abusivo Ike. A sua coragem se pagou, e Tina acabou vendendo quintilhões de discos na época, disassociando de vez seu nome da figura sombria de seu ex-marido. Embora ele alegasse até a hora de sua morte, no ano passado, que batia, mas também apanhava um bocado dela. A sua auto-biografia foi apropriadamente entitulada "Quero o Meu Nome de Volta". Mas a vingança de Tina contra os abusos cometidos por ele foi doce. A imagem de Ike Turner sempre será a do marido violento, em detrimento dos seus dotes como compositor, uma imagem que traz antipatia à simples menção do seu nome, enquanto Tina terá sempre seu nome colocado ao lado das lendas da música. A verdade? Jamais saberemos.
Não deve ser fácil ter o seu nome na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Isso deve trazer muita pressão para o indivíduo em questão. Michael Jackson, jogado desde criança sobre a luz dos holofotes, e sempre sofrendo abusos físicos e psicológicos do pai, não poderia jamais ter sido o sorteado, por culpa de sua baixíssima auto-estima. Mas alguém tinha que ser dono dessa marca. Jackson então resolveu o que fazer depois de ter atingindo tal nível de estrelato. Despediu-se de sua sanidade, e resolveu assumir as vestes de Napoleão Bonaparte. Sim, Michael ficou é maluco de uma vez, daqueles de carteirinha, que ficam olhando por horas seguidas para uma parede, rindo indefinidamente. Sua insanidade persiste firme até hoje, e provavelmente será sempre dominante na vida do cidadão que possue o nome escrito na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Pois alguém tinha de assumir essa marca. Mesmo que às custas da sua sanidade. Michael entendeu o jogo. Mas não posso parabenizá-lo, por motivos óbvios. Mas fica aqui o registro.
O clipe abria com uma bela cantora com o cabelo raspado, em close-up, na frente de um desolador fundo negro. Um arranjo arrastado de cordas entrava quase que ao mesmo tempo. Segundos depois, uma voz cristalina e poderosa emendava os seguintes versos: "It's been seven hours and fifteen days, since you took your love away". Sim, meus amigos, foi uma devastação. Nothing Compares to You, música escrita pelo também popstar Prince (ausente desse ranking, embora também tenha cometido suas façanhas) especialmente para ela. Ele deve ter pegado. Mas a música tocava em todos os cantos. Lembro-me claramente de uma vez, quando minha mãe levava eu e minha irmã para a escola, e a música estava tocando no rádio de um boteco fétido pelo qual nós sempre passávamos em frente no caminho. Mesmo tão criança, pude jurar que os bebuns estavam mergulhados na melancolia classuda da canção, que hoje percebo ser perfeita para esse tipo de ambiente. Mas por que Sinéad O'Connor, irlandesa tão lindinha que poderia ter facilmente virado Tetéia (e por que não virou, então, Progressista?), resolveu cortar suas melenas e assumir a imagem de "cantora-rebelde-confessional-careca" para o mundo? A explicação é simples: sua crença no budismo, e na imagem de pureza que ela imagina passar uma cabeça sem cabelos. Seria lindo se houvessem explicações mais intricadas, mas no caso de uma louca de pedra como O'Connor (queimou a foto do Papa João Paulo II num episódio do Saturday Night Live, ato que arruinou sua carreira), a explicação mais simples é a mais correta. Com as tretas envolvendo a independência do Tibete e o governo chinês, e o boicote às Olimpíadas de Pequim em solidariedade ao Dalai Lama, podemos dizer que O'Connor, além de tudo, foi visionária? Não. Seria um exagero. Mas um brinde à maior façanha dos popstars oitentistas.