Mas deixa eu me mostrar antes que as festas venham a me constranger a ser bonzinho, abandonar o estilo arrevesado e passar a escrever como jornalista, isto é, murchinho e acessível, com listas de lugares aonde você pode ir comprar os ingredientes pra uma ceia de Natal bem baratinha e gostosa.
O Word é tão inteligente que sabe o que quer dizer “capitulo”. Tanto que quando eu, que sou bem mais simplesinho que o programa, quero dizer “capítulo”, mas me esqueço de acentuar a proparoxítona, ele fica quietinho, imaginando que eu na verdade quisesse dizer que capitulei. E capitulei mesmo.
A seguir, cenas do próximo capítulo:
Em que tento lhes explicar por que Igor Stravinsky é absolutamente necessário para entender quem somos.
E aos quarenta e cinco do segundo tempo, enfim a beleza. Não, não Hilary Hahn.
Aqui, puro impressionismo meu. Em seu Concerto para violino #1, Prokofiev manifesta o embate entre a emoção intelectualizada, tipicamente moderna, e o arrebatamento senão pela retomada da tradição melódica popular, freqüentemente folclórica.
O segundo movimento disseca essa tradição, cuja melodia é mutilada, servindo suas partes a um procedimento comum aos modernos. Trata-se de destacar o detalhe e torná-lo maior que o todo, provocando o efeito do grotesco recorrente nas obras. Operação que é responsável pelo caráter intelectual da poética moderna. Tanto que a concessão ao belo clássico, o belo por excelência, ocorre apenas a custo de uma elaboração que o argumente. Na peça de Prokofiev surge senão aos dois minutos do último movimento, sob muitas ressalvas. Daí esta definição: É moderno tudo que se veja obrigado a justificar a beleza.
Mais um pouco de arte, agora:

Aqui temos um palhaço fumando num café. É um quadro de Hopper de um palhaço fumando num café. Próximo slide.

Sim. Podemos ver que Yeats tinha mesmo, além do nome, cara de literato. Um homem com essa fisionomia certamente haveria de consolar velhotas com poemas imortais.
Por fim, Vanessa Carlton ao vivo, “A Thousand Miles”, que é absolutamente emocionante, absolutamente apaixonante.
hmm, tava legal até a vanessa carlton entrar... ou talvez eu seja uma psicopata que não se emociona com vanessa carlton. pobrema meu. regina spektor que me salve.
ResponderExcluirPois a maioria diria que não tava legal até a vanessa carlton entrar. Por isso a gente te ama e te preza. Mas o meu credo é Kate Nash: Kate Nash, Kate Nash, Kate Nash.
ResponderExcluirsim, sim. kate nash também é digna de culto. vou entalhar a cara dela num tronco e pendurar no meu guarda-roupa, ao lado do queijo quente da regina spektor.
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