segunda-feira, 30 de julho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Jill Cunniff

Tomando carona nos embalos do Fundamentalista, Jill Cunniff é a Tetéia da Semana. Vocalista e compositora da mítica, subestimada e infelizmente extinta banda nova-iorquina Luscious Jackson, que marcou os anos 90 com o seu rock alternativo elegante e dotado de misturas como vocais levemente influenciados pelo hip-hop, teclados jazzistícos e batidas eletrônicas. Lembrada principalmente pela música Here, trilha do filme As Patricinhas de Beverly Hills, o que me dá nos cornos, já que isso diminui a importância da banda. Foi, ao lado do espetacular Sleater-Kinney, o melhor grupo formado exclusivamente por mulheres que já existiu (o Elastica tinha um cara na formação, o bateirista Justin Welch) Cunniff, como me observou o Camarada Fundamentalista, não parecia ser lá de dançar muito, já que aparece toda desajeitada no clipe da música Ladyfingers, mas isso não importava, já que era uma letrista talentosa, capaz de refletir com classe o conflituoso comportamento feminino em suas letras. Depois do fim da banda, em 2000, empreendeu uma carreira solo, e lançou esse ano o álbum City Beach, totalmente influenciado por, acredite vocês ou não, a Bossa Nova brasileira. Ela é amiga da Bebel Gilberto, e fã do João Gilberto, Tom Jobim e Jorge Ben-Jor. Só mesmo os devaneios tupiniquins para seduzirem a garota mais talentosa do indie/rock nos anos 90 (essa foi pra vocês, Justine Frischman e Courtney "Argh" Love!).

Bergman: uma despedida

Morreu hoje aos 89 anos o cinesta sueco Ingmar Bergman. Normalmente quando morre alguém importante no mundo do cinema e temos de dimensionar a sua obra, mentimos dizendo o máximo para fazer do sujeito uma perda realmente relevante. Mas no caso do Bergman, o bicho pega. Dizer o quê de um diretor que entregou ao mundo filmes como Morangos Silvestres, Persona, Cenas de um Casamento, Gritos e Sussurros, O Silêncio, Luz de Inverno, Fanny e Alexander, Sonata de Outono, Através do Espelho e O Sétimo Selo? Provavelmente Bergman queria equiparar a arte de fazer cinema com outra paixão sua, o Teatro, usando de uma refiinadíssima poesia visual para revelar ao seu público todos os segredos e anseios dos seus personagens. Filmes ousados, questionadores, literatos, inteligentes e tão fortes que jamais sentirão a ação do tempo. Bom, agora que temos que aguentar os Michael Bays da vida explodindo coisas a cada dois segundos, usando duas falas de roteiro pra desenvolver personagens e ainda achando isso bom cinema, fica ainda mais amarga a inevitável despedida. O Fomos ao Cinema faz um minuto de silêncio, em respeito ao mestre, e vocês aí façam também, e isso é uma ordem.

O mesmo problema, as pessoas não ouvem

O camarada fundamentalista reclamou que as pessoas tem o costume de não ouvir, digo pior, elas so se interessam em falar a opiniões delas e sairem correndo, nem aberta para o diálogo elas estam. Nem capaz de falar, "perae se eu estiver errado...". Não, elas se fecham no seus casulos esquizofrênicos e pronto.

Não sou exceção e desconfio que hoje em dia alguém seja, mas tento me monitorar pra evitar que isso ocorra bastante, só deixo ocorrer as vezes, pois vc não quer ouvir uma mulher falar sobre mudança e transporte de móveis, acreditem.

Tanto o camarada fundamentalista como o progressista dificilmente ouvem minhas dicas musicais, de filmes, etc. Talvez me achem incapaz de ouvir musicas boas(na visão indie deles), ou que minhas dicas não valham a pena mesmo. Eu não me importo muito, só o suficiente para alfinetar eles de leve, só isso. Agora, eu, o cara mal, já ouviu Arcade Fire(lixo musical), viu Senfield várias vezes, foi assistir vários filmes que eles indicaram. Sim, eu ouço o que eles falam, mas não é sempre, eles podem querer falar de mudança e transporte de móveis, aí já viu.

sábado, 28 de julho de 2007

Mãe, me compra um All Star!

Gosto dos juízos reducionistas, do tipo: se alguém te perguntar o nome de um grupo musical feminino, e, em vez de responder Spice Girls, você disser Luscious Jackson (tão anos 90...), então você é indie. A sensibilidade embrutecida, as simplificações, tudo se encaixa tão bem numa conversa com pessoas que absolutamente não estão ouvindo o que você diz. Ai, ai.

Mas e se a resposta não for assim tão simples? Se, em vez de ouvir Paviment (zzzzzzz) e Pizzicato Five (tsc, tsc, tsc...), você ouve Mombojó ou, pior (quer dizer, pior de ser apreendido pelo nosso terrível olhar sofregamente analítico), Chico Buarque? Pra falar francamente, preto no branco: se você é um daqueles que lê Grande: Sertão Veredas e ouve Ópera do Malandro, e acha que, com isso, vai fundo nas Raízes do Brasil. Pra quem uma tarde com Gilberto Freyre e Mário de Andrade é entrar em contato com sua brasilidade mais profunda, cotidianamente esmaecida, tão sufocada por todo o lixo imperialista norte-americano, isto é, estadunidense.

Talvez isso desfaça a última das suas ilusões a seu próprio respeito, aquela segundo a qual você era absolutamente insubordinável a quaisquer rótulos e classificações, mas, amigo, você também é indie. Uma variação do indie original, é claro, resultado de uma aclimatação a esta terra tão radiosa onde vive um povo tão triste. Mas, ainda assim, indie. Porque o que é ser indie?

Para o nosso Camarada Moderado, da forma como nos tem atribuído tal identificação nas suas mais recentes postagens, se constitui num xingamento, numa acusação. Ser indie é um desvio em relação a uma formação intelectual e artística sadia e lúcida, desvio esse que responde por apreciações estéticas que soem endeusar ícones culturais que não passam de versões bem menos incisivas e vigorosas de ícones culturais realmente originais e relevantes (?).

Pra mim, que sou indie (lá-lá-lá-lá-lá-lá...), ao contrário disso, sê-lo é simplesmente diferenciar-se, por exemplo, do brasileiro do qual você, indie tupiniquim, também quer se diferenciar, não por pedantismo (nunca..., imagina!)! Que esse brasileiro que, pra nós, que estamos cheios de consciência social (um saco inteiro dela) e comprometidos em democratizar a cultura e assim transformar politicamente a sociedade (assim mesmo – social e político, tudo junto, com esperanças de atingir o econômico, é claro), é um beco sem saída. Sabe, esse brasileiro que freqüenta baile funk, acompanha novela das oito, nunca foi ao teatro em toda a vida e acha que Pablo Picasso é francês (brincadeira...). Que diz que o melhor filme que já viu é Transformers e o melhor livro que leu, mas não inteiro, é “um da Zibia”. Que vaia os atletas estrangeiros nos Jogos Pan-Americanos e facilmente compõe multidões de linchamento com muita presteza e solicitude. Esse brasileiro aí, sabe? Bom, eu não ia falar nada, mas com esse as coisas não podem ir pra frente, né? Mas, por favor, não é que eu esteja dando uma de elitista. Longe de mim, a essa altura do campeonato, resvalar pro aristocratismo. Não, pelos céus! Por favor!

Mas eu também era indie e não sabia. Mas agora que eu sei, tipo, não é tão ruim assim. The Arcade Fire é bem legal e tudo. Já até saí pra comprar meu par de All Star. Eu só, às vezes, sei lá, me pego ouvindo Nelly Furtado (antes dela começar a usar her humps) e cantando "I'm like a bird and I wanna fly away", e aí eu fico meio confuso, e dá uma crise de identidade, mas passa rápido. Mas pior mesmo é quando eu prefiro ler um empolado como o Proust a um beat qualquer, porque, ai, meu Deus, acho o Kerouac um xarope. Nessas horas, confesso que me dá um calafrio...

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Filmes que estréiam no Brasil nessa sexta, 27 de Julho:

Bobby - Diretor: Emilio Estevez; Elenco: William H. Macy, Anthony Hopkins, Elijah Wood, Laurence Fishburne, Martin Sheen, Demi Moore, Sharon Stone e LINDSAY LOHAN
O Emilio Estevez deve ser um cara bem querido lá pelas bandas de Hollywood. Só isso pode explicar a presença de tantos atores do primeiro time nesse filme que, no velho estilão Altmaniano, conta a história de diversos personagens cujas histórias eventualmente se cruzam. No caso, o filme mostra o que 23 personagens faziam no Hotel Ambassador no dia que o Senador e candidato a presidência dos EUA Robert Kennedy, irmão menos vivo do John, foi assassinado. O filme fez boa carreira nos festivais mundo afora, e é a melhor opção entre as estréias da semana. Mas todo esse blá-blá-blá escrito por mim poderia ser facilmente substituído por uma sentença: esse filme tem a Lindsay Lohan no elenco. Vou criar um selo, todos os filmes que tiverem ou o Steve Buscemi ou ela, levarão um carimbo de aprovação. E se um dia os dois participarem de um mesmo filme? Custa sonhar, jão?

Quebra de Confiança - Diretor: Billy Ray; Elenco: Chris Cooper, Ryan Phillippe, Laura Linney
Filme elogiado pelos críticos e com um faturamento decente nos cinemas norte-americanos, é uma surpresa terem lançado em circuito aqui no Brasil e não direto em vídeo, já que não tem nenhum figurão no elenco. Thriller político que conta a história da captura do famoso agente duplo americano Robert Hanssen, interpretado pelo bom Chris Cooper. O filme conta com a eterna promessa Hollywodiana, Ryan Phillippe, no papel do agente que captura Hanssen. Desde que ele surgiu no fraco e superestimado Segundas Intenções, longos 9 anos atrás, esperamos alguma atuação marcante do cidadão, e mesmo ele tendo feito filmes importantes como Crash e Conquista da Honra, e fácil perceber que nada vai sair desse mato, já que carisma é palavra que passa longe aqui. Pagar quinze contos pra ver esse filme é burrice, espere sair na locador fedorenta da sua rua e, na hora de pagar a locação, finja que esqueceu a carteira e deixe a perva da sua namorada pagar. Ai sim, vai dar pra aproveitar o filme sem culpa.

O Ex-Namorado de Minha Mulher - Diretor: Jesse Peretz; Elenco: Zach Braff, Amanda Peet, Jason Bateman, Lucian Baisel
Agora sim. Os cinemas brasileiros irão ferver, pessoas brigarão nas ruas para conseguir ingresso para assistir esse filme, Transformers que se cuide. Realmente, o Zach Braff está sabendo direcionar bem a sua carreira, toda semana sai uma comédia romântica fracassada com ele no elenco, não é a toa que depois de fazer muito doce, renovou com a superstimada série Scrubs e tornou-se o maior salário de uma sitcom americana (Scrubs é sitcom, comédia de meia hora de duração). Tudo isso por uma série que nem entre as 50 mais assistidas fica nos EUA. Realmente, tem gente que sabe bem usar o dinheiro que tem. Quanto ao filme, nem se dê ao trabalho de ir nas 4 salas que exibirão o bagulho. Guarde o seu dinheiro para semana que vem, quando estréia o Duro de Matar 4 (isso foi uma piada).

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Movimento Cinema Mínimo

A produção cinematográfica brasileira anda bem, caminhando de um forma, sobretudo pelos incentivos governamentais, que faz-me esboçar um leva sorriso. Contudo, temos como base e modelo a produção estadunidense; demasiada exagerada e cara, o que pode ser a derrocada do nosso novo cinema.

Então, nesse texto, proponho a criação de um movimento, o qual o cinema será a base das coisas, a medida. Um movimento, assim espero, servirá de modelo para todas as artes. Tal movimento será conhecido como Cinema Mínimo ou Cinema Fome Zero.

As características do movimento remetem a outras empreitadas cinematográficas: O Cinema Novo e o movimento Dogma 95, sim, existem grandes diferenças entre o nosso movimento e esses exemplo de cinema, teoricamente, mais em conta. Agora, foquemos nos mandamentos do movimento, digo mandamentos e não regras, pois regras são coisas sempres seguidas, enquanto mandamentos, a modo do cristianismo, as vezes podem ser quebrados, depois é só se arrepender da sua heresia.

1)Esqueça a película, isso é pra ricos e esnobes, com os programas de manipulação de vídeo que temos hoje em dia podemos nos aproximar da qualidade fotográfica da película e também podemos aproveitar a características dessas mídias digitais como celulares, câmeras amadoras digitais, webcam, etc. Sim, podemos usar filme, mas só em pinholes para se divertir nas horas vagas.

2)Seja objetivo na hora de filmar. Pra quê filmar um monte de coisas, vários angulos, etc? Isso só dá trabalho na pós-produção para o diretor e o montador, recomendo aqui uma medida: no máximo cinco vezes o tempo do filme deve ser filmado, por isso obtenham um bom roteiro e atores de verdade aqueles que costumam decorar as falas.

3)A equipe deve ser mínima:o diretor, o fotográfo, o montador, o sonoplasta e um produtor; lógico os atores. Nada de equipe gigantesca, nada de um monte de figurantes, pegue um monte gente na rua e peça pra ser figurante, senão filme sem o consentimento delas, se arisque.

4) Nada de falsidades cênicas, não por serem falsas, mas por serem custosas. Filme onde puder filmar, sem ou com autorização, se necessário fechar uma rua, feche tal rua, suborne um funcionário do Detran, se necessário. E, se mesmo assim, precisar de cenografia pesada, use croma e taque efeitos especiais e truque de câmera. Seja criativo e você poupará dinheiro.

5) Filme o que for, não fique esperando o convite para filmar aquele longa metragem que você tem o roteiro empoeirado na gaveta; seja curta, média, filme pornó b, não interessa, comece a filmar. Primeiro, você vai estar praticando e aperfeiçoando suas habilidades; segundo, sempre vai ter pessoas dispostas a trabalhar de graça pra você, pois parecerá que está dando certo a sua empreitada; por último, tem vários concursos e competições para todos os tipos e formatos de filmes, uma hora você vai ganhar alguma coisa, notoriedade ou dinheiro, mas algum você conseguirá.

6)Use e abuse da internet. Divulgue, faça publicidade dos seus filmes, coloque no Youtube( no Pornotube, dependendo do que você vai filmar). Comente em fóruns co nick falsos, fale deles em salas de bate-papo, divulge e divulge-se.

Pronto, agora é só pegar a câmera do seu celular e depois entrar numa lanhouse para editar o filme e pronto, você começou a contribuir com o movimento.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Os Simpsons, ou : a queda de Groening

O mundo pop está em polvorosa. Sexta-feira estréia nos Estados Unidos o filme dos Simpsons, primeiro esforço cinematográfico daquele que é, indubitavelmente, o desenho animado mais famoso e influente de todos os tempos (embora respeite aqueles que acham que o sensacional Pernalonga mereceria tal honraria). Mas, ao contrário do clima de oba-oba que se instaurou na Internet, peço permissão para discordar do efeito dissonante. Eu não estou nada animado com isso tudo. Para mim, o que a Fox e os executivos fizeram com os Simpsons nos últimos dez anos poderia ser classificado facilmente como crime contra o patrimônio pop.
Vejamos. O desenho começou como uma série de esquetes no programa Tracey Ullmann Show, no na época recém-criado canal Fox, para depois virar um seriado integral, com os tradicionais 24 episódios. Isso ocorreu em 1989. Eu e os camaradas tínhamos cinco anos de idade. O Muro de Berlim ainda estava em pé, por mais clichezão que isso soe. E estamos aqui, 18 anos depois, com o show ainda em exibição, mais vivo do que nunca, e indo para um aguardadíssimo empreendimento cinematográfico. Essa é a parte bonita da história.

O Camarada Moderado, em seu rude texto no qual discordava do meu post sobre o Seinfeld, afirmou que as 8 primeiras temporadas dos Simpsons eram geniais. Obviamente, ele acertou (com relação aos Simpsons; se eu fosse colocar o Seinfeld no meio, manteria a minha opinião original): as 8 primeiras temporadas são sensacionais, firmando os dois alicerces sobre os quais Matt Groening, o criador, formataria a base e o coração do programa: a acidez que destruia impiedosamente todos os clichês do american way of life e a impagável relação criada com a cultura pop, sem dúvida nenhuma um grande amor na vida de Groening que nos Simpsons encontrava a sua maneira mais ousada de homenagem, criando sempre momentos que virariam pérolas de humor (minha favorita de todos os tempos é a participação do cantor Tom Jones no episódio Marge Consegue um Emprego, da quarta temporada).

A criação dos personagens sempre foi outro trunfo do desenho, já que sempre fugiu de caracterizações unidimensionais, sempre procurando encontrar em todos os habitantes de Springfield um senso de humanidade aguçado, já que nenhum personagem pode ser considerado mocinho, nem o contrário; todos, incluindo os membros da família, são capazes de empreender atos desprezíveis, encontrando depois uma conscientização que sempre foge de dramaticidades e pieguices, tudo isso logicamente inserido na ambientação non-sense e satírica do desenho. Mesmo o senhor Burns, impagável dono da usina na qual Homer Simpson trabalha, encontra a redenção dentro da sua realidade de vida, dos seus objetivos e desejos, fugindo do padrão maniqueísta barato. Ao quebrar a idéia do politicamente correto, Groening criou um panorama de humor inimaginável, dando a sustentação para a longuíssima duração do show, já batendo na sua décima nona temporada, maior número da história americana.

O que me incomoda é essa sensação de que, de uns tempos pra cá, Groening perdeu as rédeas do seu próprio show. A queda vertiginosa de qualidade, que começou a se sentir com mais força na nona temporada, e atinge o ápice hoje em dia, com episódios que fazem os fãs corarem de vergonha e se lembrarem saudosos da era de ouro do desenho, nos leva a crer que algo se perdeu no caminho. Fatos ocorridos recentemente, como fazerem o icônico personagem Barney Gumble se regenerar do vício do álcool, mostraram que as tendências conservadoras adotadas pelo dono da emissora Fox, o bilionário Rupert Murdoch, desde o iníco da era Bush, atingiram também a esfera do show. Groening, um sujeito quieto e afável, hoje é mera figura decorativa, uma rainha da Inglaterra, já que não mais influi no processo criativo do desenho, fato que remonta há anos atrás. James L. Brooks (Fundamentalista?) e David Mirkin, os outros dois produtores executivos, é que realmente controlam todo o processo.
O fato de Groening ter se dedicado tanto ao projeto paralelo Futurama, desenho que nunca decolou, mostrou a sua total insatisfação com os rumos dados pelos produtores aos Simpsons. Ou alguém acha normal que o criador de um mega sucesso, no ápice do show, deixe o processo criativo desse de lado para terceiros, dedicando-se a outro projeto? Fazer dezenove temporadas de um show com perspectiva temporal limitadíssima (os personagens nunca crescem) é pedir para entrar na auto-indulgência, algo que se agrava totalmente quando sabemos que cada episódio é escrito por uma equipe de dezenas de roteiristas sem qualquer influência de Groening, com a sombra do conservadorismo republicano de Murdoch a afrontar os criadores, e pronto: temos a receita da decadência.

Não digo com isso tudo que imagino o filme como um fracasso. Com uma coleção de personagens tão brilhantemente construída por Groening e fortemente fixada no imaginário popular, existe pouca margem para erros. Mas não pode-se ignorar que o Graal de Homer e companhia encontra-se naquelas primeiras oito irrepreensíveis temporadas, cujos episódios são citados de cor pelos fãs. Mas ao longo da semana, falaremos mais sobre tudo isso, com comparações entre o Bart e a Lisa com os filósofos franceses, rankings de personagens, entre outras coisas. Deixo aqui meu protesto: Groening, deixe a apatia de lado e traga os Simpsons de volta para o caminho da genialidade, ou então peite os executivos e acabe com o show, antes do dano ser maior.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Ethan Hawke

Cinco melhores filmes estrelados pelo Ethan Hawke:

5 - Neve Sobre os Cedros
4 - Caindo na Real
3 - Antes do Pôr-Do-Sol
2 - Antes do Amanhecer
1- Sociedade dos Poetas Mortos
Melhores livros lançados pelo Ethan Hawke:

Não existem. Os dois livros lançados por ele, The Hottest Station (1996) e Quarta-Feira de Cinzas (2003) são uma porcaria.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Dido

Cantora inglesa, apareceu para o mundo do showbusiness quando teve sua canção Thank You sampleiada pelo rapper e homofóbico e misógino Eminem na música Stan, que fez o seu álbum de estréia, No Angel, estourar finalmente dois anos depois de ser lançado, em 1999. Ainda lançou em 2004 o álbum Life For Rent, emplacou o sucessão White Flag (hino dos losers amorosos) e deu uma sumida de uns tempos pra cá. O que será que ela anda aprontando? Será que ela vai abandonar o trip-hop classudo dos seus dois discos anteriores e fazer um no estilão cachorra perva, usando roupas mínimas e se esfregando com o Justin Timberlake e o Timbaland em clipes, a exemplo de outras cantoras? Bom, seria engraçado pacas, mas acho difícil, considerando que ela já está com 35 aninhos, idade meio complicada pra ficar dando uma de dominatrix. A não ser que o seu nome seja Madonna, lógico, para quem a expressão "senso do ridículo" não significa nada.

sábado, 21 de julho de 2007

Yesterday New Quintet – Yesterday Universe (2007) : 10 bandas em um homem só, ou quase.

Eu sempre me surpreendo quando costumo surfar na rede na procura de novas bandas, novos sons. E como sempre estava eu nesse vício quando me deparei com esse álbum do Yesterday New Quintet, vulgo Madlib. O novo álbum que o esquizofrênico Madlib resolveu não se limitar ao seu quinteto imaginário e “criou” 10 bandas.

Na suas primeiras experimentações como Yesterday New Quintet sempre faltou alguma coisa; os álbuns eram geniais: uma mistura de hip-hop com jazz de fazer inveja em qualquer apreciador de fusion, mas eram músicas difíceis de digerir, talvez ele se perdesse na própria empreitada e torna-se seu som um tanto complexo, pelo próprio conceito do álbum: um cara fazer o som de toda banda e depois samplear tudo, sozinho.

Nessa empreitada ele achou que precisava de ajuda(pelo menos uma vez), então resolveu convocar dois bateristas que tocassem bateria melhor que ele. As escolhas findaram em Karriem Riggins(jazzista de mão cheia) e Ivan "Mamão" Conti do Azymuth(boa banda brasileira) e começou a compor as músicas.

Começa com Bichtes Brew, sampler da saudosa música de Miles Davis tocada pela Otis Jackson Jr. Trio e, a partir daí, percebo que dessa vez ele acertou em cheio. As faixas são extensas, mas não são cansativas e, lembre-se, estamos falando de música que é quase sempre intrumental(pode chamar música sampleada de música instrumental?).

As bandas conseguem ser diferentes umas da outras, ainda sim o álbum tem uma unidade e as próprias bandas apresentam similariedades entre si. Como se fossem desdobramentos da banda anterior, do Yesterday New Quintet; todas aquelas bandas fossem influenciadas por esta.

A tal fusão hip-hop com jazz é bem executada. Arrisco dizer que ninguém conseguiu executar tão bem como ele. Com isso Madlib engrandece o hip-hop, reanima o jazz e os amantes de boa música agradecem.

Cinema, Estréias da Semana

Filmes estreiando no Brasil, sexta, 20 de Julho:

Transformers – Diretor: Me recuso a escrever o nome. Elenco: Shia Labeouf, Anthony Edwards, Jon Voight, John Turturro
Cuidado. Muito cuidado. Tem existido uma tendência dos críticos, de todas as mídias, em elogiar esse filme, chamando-o de revolucionário, diversão contagiante, maior acontecimento do verão americano, entre outras coisas. Sempre suspeite quando você ler esses elogios. Como acontece num importante site de cultura pop, que fez elogios rasgados ao filme, ao mesmo tempo em que, quando você entra na página inicial desse site, vê uma propaganda gigantesca do mesmo filme, ocupando grande parte da página. Isenção é isso aí. Outros críticos apelam dizendo que o fato do filme ser produzido pelo Steven Spielberg seria uma amostra da intenção de ser fazer um filme com uma profundade maior. Balela pura. Spielberg liga somente para os bilhões que despejarão na sua conta, pouco se lixando pra qualidade, senão jamais teria colocado pra dirigir esse lixo o diretor mais nocivo, estúpido, arrogante e imbecil da história do cinema, Michael Bay (essa vai ser a única vez que escreverei esse nome aqui). Não dá, colocar um mané desses pra dirigir um filme é esperar somente as verdinhas entrarem e vomitar em cima da audiência, já que dos últimos 7 filmes dirigidos por ele, apenas um não ultrapassou cem milhões de arrecadação, A Ilha, todos os outros conseguiram superar a marca. Ou seja, o diretor mais rentável dos nossos dias é justamente o pior. Como se nos anos 50 o recordista em arrecadação fosse o Ed Wood. Fuja de todos os filmes que tiverem como diretor essa figura nefasta, pois os filmes dele são tudo aquilo que os verdadeiros amantes do bom cinema deveriam odiar.


Saneamento Básico – Diretor: Jorge Furtado; Elenco: Fernanda “Raimunda” Torres, Wagner Moura, Lázaro Ramos (eu espero sinceramente que um dia saia um filme brasileiro que não tenha no seu elenco esses dois, Wagner Moura e Lázaro Ramos. É impressionante, TODO SANTO FILME NESSE PAÍS TEM QUE TER UM DOS DOIS, CARAMBA! Que tal essa duplinha dar chance para outros atores começando?)
O Jorge Furtado é um felizardo. Desde que o Lula assumiu, em 2003, esse petista apaixonado pôde fazer 3 filmes financiados pela lei do audiovisual, com todos os confortos possíveis, enquanto que outros diretores passam anos sem poder filmar porcaria nenhuma. É a democracia, pessoal, é perfeitamente normal, tá na lei! Quanto ao filme, não espere algo parecido com O Homem que Copiava, melhorzinho dos filmes que ele fez, e sim algo mais próximo do decepcionante e fraquíssimo Meu Tio Matou Um Cara. E ainda temos que aturar a Fernanda “Mulher do Andrucha” Torres, aquela que disse que São Paulo era um mal necessário. Os filmes dessa mocréia deveriam ser proibidos de ser veiculados aqui, já que se ela odeia tanto essa cidade, não vai querer também a nossa grana, não é? A, não, ai é diferente, né...

A Poderosa – Diretor: Garry Marshall; Elenco: Jane Fonda, LINDSAY LOHAN, Felicity Huffman
Já falei nesse filme no mês Lindsay Lohan (há, Lindsay...), mas aqui vai um resumo: é uma bomba, que não faz jus ao talento dela, mas que é um merecido castigo para a veterana Fonda. Bem feito, toma essa fracasso na cara e larga a mão de ser fofoqueira, sua furazóio.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O cinema de James L. Brooks, vulgo Camarada Fundamentalista

James L. Brooks e eu somos a mesma pessoa. James L. Brooks é o meu Tyler Durden. Eu o criei para dar vazão às minhas fantasias otimistas e humanitárias mais loucas. Ele é o meu jeito de dizer ao mundo como eu amo as pessoas. Com seus filmes, me redimo de todas as vezes que agi de forma misantrópica e grosseira com alguém; me redimo de todos os crimes à Holden Caufield que cometi até hoje.

Quando eu filmo, estou interessado, sobretudo, em como pessoas comuns podem exemplificar, da maneira mais perfeita, quão digno o ser humano é, e como essa dignidade é inalienável. Meu cinema trata exclusivamente disso. Vejam, por exemplo, Helen Hunt, em Melhor é Impossível (As good as it gets); e Adam Sandler, em Espanglês (Spanglish).

Nos filmes de Brooks, encontramos crônicas otimistas sobre quando, em meio às dificuldades inerentes ao convívio humano, as pessoas vêm a revelar o melhor de si. Pode-se dizer que James L. Brooks é o Frank Capra contemporâneo. A desesperança contra a qual este último se colocou, ao longo da Grande Depressão, é superficial, já que condicionada a fatores externos, materiais, se comparada ao cinismo da nossa época, este um sintoma espiritual. Em certo sentido, Brooks vai além do mestre, ao enfrentar tempos mais obscuros, que já não engolem anjos ou morais.

Como manipulador das emoções da platéia, poucos conseguem ser tão delicados ao dosar humor, ironia e ternura. É preciso um incrível feeling para se acertar uma genuína comédia dramática; a maioria dos diretores resvala para um dos lados, ou para o drama, ou para a comédia. Esse equilíbrio, tão raro, é um dos méritos de Brooks.

***

Helen Hunt me ligou um dia desses, dizendo que precisava desabafar. Acho que ficamos conversando durante umas duas horas; quando ela desligou, me levantei e vi que eram três da manhã. No dia seguinte, eu tinha de trabalhar, mas não consegui acordar a tempo. De fato, ainda estava dormindo lá pelas dez horas, quando o telefone tocou – era o Camarada Progressista, dizendo que o Camarada Moderado estava desaparecido, que a mãe deste falou que ele saíra há três dias e ainda não voltara pra casa. É duro ser o Camarada Fundamentalista quando não se tem o Brad Pitt pra interpretar o James L. Brooks pra você.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Billy Corgan: O Compêndio da Insanidade

Não dá mais. Alguém precisa, urgentemente, internar o Billy Corgan no primeiro hospício de Chicago que tiver pela frente. Depois de encerrar a banda sete anos atrás em meio a brigas, disputas internas e discos fracassados, Corgan dedicou-se a dois projetos que já nasceram mortos, a banda Zwan, com a qual lançou um disco constrangedoramente ensolorado e insípido para logo em cima acabar com a banda, e um disco solo em 2005 que é tão ruim que os fãs evitam mencionar, como se fosse algo que nunca aconteceu. Depois desses dois tiros no pé, os fãs logo pensaram, aliviados: "agora ele vai sossegar, virar um produtor estilo Timbaland roqueiro e deixar o nome do Smashing Pumpkins descansar em paz, finalmente". Ledo engano.

Ano passado ele veio e anunciou a volta do Smashing Pumpkins, dizendo que queria voltar com "a sua banda, com os seus sonhos". Pronto, todos se arrepiaram de novo. Lá vai o Corgan afundar ainda mais as coisas. Mas nem nos piores sonhos, nem nos piores devaneios, poderia-se imaginar que a volta da banda seria tão patética. Sem dois membros fundadores, James Iha e a D'arcy, apenas com o Jimmy Chamberlain (pobre coitado), ele prometeu um disco novo, que sairá agora, em Julho. Eu já ouvi o álbum, e afirmo com todo pesar: é ridículo. Uma das coisas mais horrendas que eu já vi. De corar qualquer fã, capaz de fazer todos que tinham a banda como favorita negar e virar o rosto imediatamente. Corgan resolveu juntar-se ao coro dos descontentes com a políca externa norte-americana, e descer a lenha na administração Bush.

O nome do álbum, Zeitgest, é uma expressão alemã que significa "o espírito de uma época", e a capa (horrorosa) mostra a estátua da Liberdade dentro de um mar vermelho de sangue. É, meu caro leitor, isso mesmo que você leu. Uma metáfora bem sutil mesmo. Só faltou colocar uma foto do Bush e desenhar uns chifrinhos em cima. Mas com relação ao conteúdo musical, temos músicas ridiculamente pesadas, mas não com a velha classe Pumpkiniana, quando a banda fazia músicas etéreas misturando o peso das guitarras com melodias intricadas e inteligentes, permeadas com belas letras que tratavam sempre de temas facilmente identificáveis para pessoas que quisessem sentir alguma coisa, frustrações, esperanças, medos.

Não, o que temos nesse disco são guitarras tristemente padronizadas, sem qualquer resquício de inteligência, com a bateria do Jimmy Chamberlain parecendo um cavalo doido, trotando sem sutileza alguma na frente. Em cima dessa massaroca sonora, Corgan berra letras de ordem sem qualquer relevância, apenas pelo efeito que ele imagina passar ao gritar coisas como "Revolução, eu quero lutar numa revolução nessa noite" na música apropriadamente chamada United States. Imagine o Smashing Pumpkins tentando soar como uma banda punk politizada. Imediatismo, demagogia, chame como quiser, Corgan viu que o Green Day conseguiu sair do ostracismo falando de política com delineadores e maquiagem e resolveu fazer igual. As duas baladas do disco passam longe de provocarem o efeito de músicas como Disarm, Tonight Tonight e 1979, clássicos da banda, servindo apenas para tentar arrancar um trigésimo quinto lugar na parada de singles da Billboard pra fazer aquela média, sabe como é, não tá fácil pra ninguém.

O primeiro clipe do disco, feito para a horrenda música Tarantula (nem dar nomes decentes para as canções o Corgan consegue), é um caso a ser estudado por juntas de psiquiatras e estudantes Freudianos, Jungianos e o que tiver. Mistura descarada dos trabalhos da Björk com um clipe do The Vines, no qual a banda tocava também no meio de dezenas de outros músicos, é de fazer chorar para aqueles que lembram da sobriedade e excelência de clipes como Cherub Rock, Today, 1979 e Tonight Tonight. Aqui está o link, vejam por si mesmo. http://www.youtube.com/watch?v=O5V2m3E4VvA. Sou um fã inverterado do Smashing Pumpkins, mas daquela banda que construiu discos fabulosos como Gish, Siamese Dream e Mellon Colie, não esse pastelão ridículo que volta do mundo dos mortos para satisfazer o ego insaciável de um rockstar, fazendo todos os fãs passarem vergonha com músicas, discos, clipes e capas de discos ridículas. Corgan, vou dar aqui três sugestões para você recuperar o nome Smashing Pumpkins da lama em que você mesmo colocou:

1-Traga a D'Arcy e o James Iha de volta, caramba! Dá pra deixar um pouco o ego de lado só uma vez? Será que não entende que sem eles a unidade que a banda tinha fica totalmente comprometida?

2-Volte a compor canções sobre sentimentos humanos, não factóides políticos que já nascem datados e fadados ao escárnio alheio.

3- Por misericórdia, nunca mais faça uma capa tão horrenda como a desse disco. Nem que você escreva apenas o nome da banda e do disco num fundo branco. Ou melhor, pegue o cd e enrole num papel higiênico de uma vez, seria totalmente adequado à qualidade atual da banda, ninguém mais compra CD mesmo, não é?

Pronto. Com essas três atitudes tomadas, logo teremos nos nossos I-Pods da vida músicas que façam juz à classe com que Billy Corgan nos habituou. Believe, believe in me, believeeeeeee!!!!!!!

Audrey Tautou, Claire Danes e a minha ex-namorada

Audrey Tautou lembra uma ex-namorada minha. A Audrey Tautou e a Claire Danes. Não, não é gracejo. O Camarada Progressista pode confirmá-lo. Ele, que testemunhou as terríveis conseqüências dessas semelhanças (imaginárias ou não é algo que não vem ao caso) que eu acho.

Ainda hoje essa associação se estabelece na minha cabeça. Muito tempo depois de tudo haver sido resolvido e sepultado, devidamente sepultado. E, assim, nesses dias em que desespero, atrás do que dizer, me calhou de finalmente perguntar pelo que faz essa ex minha, Audrey Tautou e Claire Danes ocuparem o mesmo espaço numa ordem classificatória implícita em minha mente tão reconhecidamente aristotélica.

E a resposta é simples e imediata, intuitivamente alcançada: todas as três são dessa espécie muito peculiar das moças sem sal. (E aqui cabe uma confissão: tenho uma queda por moças sem sal.) Note que eu disse "moças", e não "mulheres", já que, por causa desse meu romantismo de boteco, não existem mulheres sem sal. Ou têm um "algo mais", ou ainda não chegaram a ser mulheres. Simples assim. E enquanto não me deparo com a mulher que há de me acertar em cheio, vou me enredando com mocinhas sem sal, tão assim meio termo, mas inegavelmente agradabilíssimas.

E o que é uma moça sem sal, assim, na minha visão das coisas, pra que fique claro por que, afinal de contas, a pobre da Audrey Tautou é assim, tão repentinamente, enquadrada ao lado da sonolenta Claire Danes? Bom, sabe alguém que não te desperta grandes sanhas, que não oferece nenhum tipo de oposição ou conflito; alguém que é pura e simplesmente adequada, pertinente; que não mexe com você, nem para o bem, nem para o mal; que, se um dia te tirar do sério, vai ser justamente por nunca te tirar do sério; alguém, enfim, que dá vontade de sacudir, até ficar toda descabelada, e se não acontecer nada, partir pra porrada mesmo, pra ver se ela acorda? (Como vêem, a questão é bem pessoal.) Pois então, eis aí minha tipologia da moça sem sal.

Agora, vão assistir a Garota da Vitrine (Shopgirl) e me digam se a Claire Danes não é desse tipo. Quanto a Audrey... Ô, Audrey, lembram-se dela naquele fime, Albergue Espanhol (L'Auberge Espagnole)? Nunca vi melhor caracterização. De fato, é a moça sem sal paradigmática, que é romantizada, por sua vez, em Amélie Poulain. Quem diria, né? A mulherada toda (se meninota, moça ou mulher, não sei) se identifica com uma moça sem sal! Todas acham que são Amélie! Pois não é que o encanto de uma sem sal é inegável? Se nem a mulherada resistiu, como resistiria eu?

E, pra finalizar, se ainda não se convenceram, vejam a descrição dessa comunidade do Orkut, que não é outra coisa senão uma perspectiva feminina diante do fenômeno (uma perspectiva amarga, é verdade; mas é que as mulheres são assim... - ah, me desculpem o meu sexismo: é involuntário!), e prestem atenção na parte "O pior de tudo é quando o seu carinha te troca por uma...":

terça-feira, 17 de julho de 2007

Daniel Clowes : outra farsa do mundinho indie

O camarada fundamentalista fez uma boa resenha do filme ghost world, baseado no quadrinho de mesmo nome de Daniel Clowes. Sim, como acusado pelo camarada indie, quer dizer, fundamentalista li tal quadrinhos(tenho o encadernado em inglês) e vi o filme faz tempo, resumo da obra: os dois são mais subprodutos do mundinho indie de carinhas tristes e diálogos insonsos. E conseguiram me empurar os dois, só mostra que minha ingenuidade não tem limites e que ainda acredito nas pessoas.

Minha crítica se fundamenta da seguinte maneira;↓não importa se vc leu o quadrinho ou viu o filme, a situação é a mesma: a sensação de cópias mal feitas de outros filmes e quadrinhos geniais.

Pegue David Linch e Moebius com pitadas de Cronenberg e Miguexalando Prado, aí está a obra de Daniel Clowes: entre o onírico e o real, mas de maneira mal feita comparada aos gênios citados acima.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Ghost World (Um comentário tardio)

E, aí, depois de meses procurando, achei Ghost World, onde todos diziam que tinha: jogado, numa Lojas Americanas, por R$ 9,90. Antes, eu até tinha topado com uma edição importada por R$ 70, e, olha, confesso que, se não estivesse desempregado na época, teria comprado. O desemprego é uma espécie de lucidez na marra. Bom, e todo o mundo (o Camarada Progressista e uns dois malucos na net) falava do filme, que na TV a cabo recebeu o subtítulo “Mundo Cão”, substituído em DVD por “Aprendendo a Viver”. E aí eu fiquei louco pra ver o filme, que ninguém chamava de obra-prima, mas também não desgostava. E assisti. E era isso mesmo. Não era a última bolacha do pacote, mas sabe que eu adorei o filminho e que, como o Roger Ebert (que vocês devem conhecer daqueles comentários de uma só frase que vêm nas caixas de DVD pra te convencer a levar pra casa filmes do Vin Diesel também por seu valor artístico), eu queria “abraçá-lo”?

Eu sei lá por quê, mas eu também gosto da Thora Birch. Tem isso, que ajudava. E, pra completar, atuando com ela, aquele que é um dos maiores norte-americanos (ou estadunidenses, se você é de Portugal ou um vermelho) vivos na atualidade: Steve Buscemi, o homem que pode revolucionar a América. E aí, você pega esses dois, e, bom, pra ser sincero, pode ser que a gente deixe a parcialidade de lado e defenda uma porcaria só por causa deles. Mas não, não é assim. E fora eles, uma Scarlett Johansson de 17 anos emburrada - vale para o registro biográfico da atriz.
O roteiro, de fato, é redondinho e desenvolve muito bem a protagonista, Enid, interpretada pela Thora Birch, que, diferente das demais personagens à sua volta, se recusa a afundar na indistinção que forma esse “mundo fantasma”. E o grande problema dela é justamente que essa recusa não é clara nem pra ela: o conflito adolescente clássico – “eu não quero ser como eles”. Mas o que existe além deles, senão um bando de idealidades e teorias que vai lá saber se funcionam? E aí é que está: trata-se de saltar no escuro. E por isso é tão difícil.

E diferente do que se poderia esperar, o filme não se restringe à perspectiva da protagonista, que, por exemplo, não acha Seymour (Steve “2008 President” Buscemi) um loser, como o próprio filme deixa claro que ele é, ao assinalar a terapeuta do infeliz virando os olhos ao fim de uma sessão. Muitas vezes nem a privilegia. Na verdade, na trama Enid só se sai como protagonista justamente por romper com os demais membros dessa comunidade cheia de figuras excêntricas, mas estacionadas. Até o fim do filme, o que se vê é o seu descompasso com os demais. E apesar de todo o pessimismo, o saldo é positivo: pode-se até falar em final feliz, dependendo do que a gente espera que isso seja.

A história é adaptada de um quadrinho, ou melhor, de uma graphic novel, cujo criador, Daniel Clowes, também assina, junto com o diretor Terry Zwigoff, o roteiro, que foi indicado ao Oscar – se acaso isso lhes interessa. E vocês vão me perguntar se eu já li o quadrinho, e eu vou perguntar se tenho cara de Camarada Moderado, que, ainda que não esteja claro, é o especialista no assunto. E vocês vão poder me mandar catar lata, e eu vou.

TETÉIA DA SEMANA

Gabriela Duarte
Mais conhecida por ser filha da Regina "atuo da mesma maneira em todos os papéis" Duarte, essa atriz de 33 anos (adoro cometer indiscrições revelando a idade delas) foi duramente achincalhada na sua primeira novela, Por Amor, em 1997, quando o país todo juntou-se para cantar em unissono que a Maria Eduarda era uma chata. Foi duro para ela, na época com 23 anos, aguentar a zoação em cima da sua personagem, e ver os telespectadores torcendo pela sua antagonista, a vilã interpretada pela Viviane Pasmanter. Chegaram até a criar um website, isso na época que a Net engatinhava por aqui, "Eu odeio a Eduarda". Os tolos como sempre não souberam enxergar a verdade, que a cricrice da personagem era culpa do autor da novela, Manoel Carlos, incapaz de criar tipos que realmente pareçam minimamente plausíveis e humanos. Aos poucos ela foi se recuperando, e hoje é um bom destaque na novela das 19 horas da Globo, Sete Pecados. Continue assim, Gabriela, e lembre-se: quando o Manoel Carlos ligar sugerindo pápéis pra você numa novela dele, deixe sempre a ligação cair na secretária eletrônica, ok?

domingo, 15 de julho de 2007

Cinema: Estréias da Semana

Harry Potter e a Ordem de Fênix; Diretor: David Yates; Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupért Grint e todos os atores ingleses vivos ou mortos, se bobear até o Laurence Olivier aparece nesse filme
Há, meu Cristo, dai-me forças. Quinto ataque cinematográfico da série mais tonha da história da Literatura moderna. Cinco filmes, caramba! O Diretor da vez é o David Yates, com experiência em seriados de TV e poucos filmes no currículo. Bom, melhor que o Cris Columbus, diretor dos 2 primeiros longas, com certeza ele é, mas aí é chutar cachorro morto. Essa é a película mais sombria da série, o Potter passa maus bocados no filme, com bruxos malvados e ordens pervas ameaçando a paz em Hogwarths e... não, não, recuso-me a pronunciar os nomes da tosca mitologia da série. Vamos todos ajudar a J.K. Rowling (ela até que é uma coroa ajeitada, daqui a pouco pode até virar Tetéia se bobear) a ficar alguns bilhões de dólares mais rica, se é que é possível uma coisa assim. O que realmente me deixa esperançoso é saber que mais dois filmes e essa tortura terá o fim, e nunca mais teremos de saber do bruxo mais chato desse mundo. Tá acabando, pessoal!

Outros filmes: todo mundo vai ver o Harry Potter, então não falarei dos outros filmes imporantíssimos que estreiarão. Pra vocês terem uma idéia, o maior destaque além do filme do Potter é um filme-documentário com o mala-mor, chato de plantão e tropicalista fracassado Tom Zé. Aí fica difícil.

Obs: agradeço os cumprimentos do Fundamentalista, tocado estou com tamanha homenagem, e aproveito pra dizer que escolherei uma bela foto quando for o seu aniversário, em Janeiro. Ops, escapou...

sábado, 14 de julho de 2007

Parabéns, Camarada Progressista!

Era uma vez um camarada que era, tipo, progressista.

E um dia ele cresceu e começou a escrever num blog que foi ficando cada vez mais famoso, até virar um site, depois um portal, depois uma revista, depois uma megacorporação, que incluia, entre outras coisas, uma franquia de cinemas Vamos ao Cinema, isto é, Let's Go Theathers.

E o nome desse camarada era Camarada Progressista, que fez aniversário em 13 de julho, e para quem você ainda não deu os parabéns.

Então, só pra variar, largue as pedras, dê um tempo e passe por aqui pra dizer um singelo:

Feliz Aniversário!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

"Conhece-te a ti mesmo" com o Camarada Fundamentalista

De volta às minhas classificações totalmente reducionistas e arbitrárias, mas, por isso mesmo, eficientes e incrivelmente práticas, todas as 6 bilhões de pessoas que vivem sobre a face da Terra se reduzem a três, e somente três, tipos de indivíduo, a saber:

1) Aquele para quem o problema está no mundo, e não nele.

2) Aquele para quem o problema está nele, e não no mundo.

3) Aquele que nunca pensou no assunto.

Para a minha breve, brevíssima exposição, tomarei como base esse que é o livro de todos os (metidos a) chatos e críticos da humanidade, e de todos os que não encontraram seu lugar no mundo e essa ladainha toda: O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger. Por sinal, sempre que eu não tiver o que dizer, vou dar uma de Mark Chapman e pregar um pouco sobre o Apanhador.

Ora, o primeiro grupo é o dos chatos, dos cricris. Eu me incluo entre eles. Essas pessoas lêem O Apanhador no Campo de Centeio e pensam: “É, esse Holden Caufield tem razão: o mundo está cheio de imbecis”. É claro que esse grupo se subdivide entre aqueles que aborrecem as pessoas porque, na verdade, esperam demais delas e, portanto, no fundo, no fundo, querem mesmo é ser amigos de todo o mundo, e aqueles que aborrecem as pessoas simplesmente porque as desprezam. Esses últimos são raros, e nem mesmo sei se existem. Ambos os subgrupos, de qualquer forma, têm a mesma e única característica: meter o pau em tudo e em todos.

O segundo grupo é o dos sensíveis, dos bundões. “Se ao menos eu pudesse ser mais aberto, mais divertido; se eu relaxasse, mudasse um pouco, acho que as coisas seriam melhores, e as pessoas gostariam mais de mim.” – note que os infelizes nem mesmo citam o livro, ainda que estejam partindo de sua leitura pra entrar (de novo) numa crise que eu gosto de chamar de Crise da Culpa Universal. Aliás, qualquer coisa é motivo pra essa gente se afundar nessa conversinha. E senta, que lá vem história. Como diria o Camarada Progressista que, vejam só, se insere nesse grupo, ainda que disfarce muito bem por aqui: fuja!

E, finalmente, o terceiro e último grupo, que é o dos inconseqüentes, dos burros, dos bocós, dos cabeças ocas, e por aí vai. Para eles simplesmente não há problema algum. Em geral, você encontra essa gente olhando para o nada, com a boca aberta, babando. Alguns agitam nervosamente a cabeça e os braços quando te encontram, e gritam, gritam muito. São efusivos, felizes, dançantes, saltitantes. Outros, mais calculados, se contêm e disfarçam. Até se fazem passar por gente preocupada, ética, espiritual. Mas basta você conversar – ou melhor, tentar, pois com os tais descobre-se que o diálogo é uma prática bem mais fina e complexa do que em geral se pensa –, para ver que o infeliz nem está ouvindo o que você diz. Ora, eis aí uma coisinha nem um pouco ética, que, portanto, tampouco denota espiritualidade, já que esta – espera-se – diz respeito, em algum sentido, ao outro, seja lá o que ou quem seja esse outro. Esses, se pegam pra ler o Apanhador, depois de quatro, cinco páginas, já dizem: “Ai, que chato esse cara (Holden), fica reclamando de tudo: ele é muito crítico!”, como se ser crítico fosse um defeito. Seja ou não no sentido de “chato”. Mas é claro que eu falo como um membro do primeiro grupo, me desculpem. Ou melhor, como meu adolescente chato interior, pertencente ao primeiro grupo.

Essa classificação é parte de meus esforços para apresentar soluções alternativas viáveis de autoconhecimento para aqueles que até hoje o têm buscado no zodíaco e fontes afins.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Panamericano: Guia... Completo?

Sexta-Feira começa o Panamericano no Rio de Janeiro, competição mais inútil e estúpida do calendário esportivo mundial, se considerarmos que as Olimpíadas sempre ocorrem um ano depois dessa competição e que em Continentes como a Europa não existem competições esportivas de caráter geral como essa. Além disso, normalmente as principais potências esportivas do Continente, EUA, Canadá e Cuba, mandam equipes reservas ou sem sua força total para as disputas. Um verdadeiro fim de feira, que serviu somente para torrar o dinheiro público, como sempre, aliás, já que os nossos políticos trabalham somente para arranjar desculpas para saquear os cofres públicos em benefício próprio. Mas tudo bem, o Rio de Janeiro está somente no meio de uma Guerra Civil, com a polícia fazendo sutis operações de combate ao tráfico sempre com dezenas de mortos como efeito colateral. Tudo bem tranquilo mesmo. Um belo presságio a competição começar numa sexta-feira 13. Bem, para deixar vocês no clima (pareço repórter do Globo Esporte falando) aqui vai um guia com os principais esportes do Pan pra vocês, sedentários leitores desse blog (e pelo número de posts que andam tendo aqui, ou a falta dos mesmos, sedentários Camaradas também. Vixe, sacaniei). Aqui vai, Guia do Pan 2007:

Vôlei: esporte mais chato para se assistir na TV. Nem Bocha é tão maçante quanto essa droga. Já que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, é um partidário entusiasmado da modalidade, ela é sempre agraciada com populdas verbas federais, e os jogadores da Seleção ganham um salário bem mais alto que o de colegas de outros esportes, tudo as custas do trouxa, er, quer dizer, do contribuinte. É a raça e a luta dos garotos do Bernardinho, pessoal...
Basquete: Até que vai, é legalzinho, mas o nível técnico numa competição dessas será ridículo, os americanos virão com o time Z, alguns brasileiros que jogam na NBA não virão também, os argentinos campeões olímpicos não virão com os titulares. Fuja das partidas como se fosse a Dengue.
Futebol: o Brasil disputará a competição com a seleção Sub-17. Precisa dizer algo mais? Sim, precisa: fuja dessa porcaria também
Ginástica Olímpica: a loser Daiane Dos Santos fez o famoso doce, ameaçando não participar. Ninguém deu a menor bola, mas misteriosamente, dois dias antes do início, ela voltou atrás e confirmou presença. Tão repentinamente...
Tênis: Preparem-se para partidas empolgantes entre o ducentésimo trigésimo quarto colocado do ranking contra o quatrocentésimo quinquagésimo sexto. O que mata é saber que nem com o nível tecnico ridículo da competição o Gustavo Kuerten, ex-tenista em atividade, conseguirá algo mais além de uma eliminação na segunda rodada classificatória. E viva a mediocridade.
Natação: desde que o mala Gustavo Borges se aposentou, sofremos com a falta de alguém pra levar o país nas costas na competição. Mas como não teremos nenhum tipo de fenômeno na competição, a delegação brasileira pode levar umas medalinhas e enganar os incautos, para nas Olimpíadas ano que vem vermos gloriosas décimas quintas colocações para cima. E viva a mediocridade, again.
Atletismo: talvez a única chance de termos uma emoçãozinha nesse esculhambado Pan, já que existe uma chance remota dos EUA e Canadá trazerem bons atletas para a disputa. Da parte brasileira, aquilo de sempre: medalhas a rodo, que não provarão porcaria nenhuma, já que os melhores atletas das respectivas competições não estarão aqui. Como em todas as modalidades, alias.

Outros esportes: é, eu adoraria falar sobre esportes fabulosos como Baseball, Pelota Basca, Esgrima (tinha um maluco no Colégio onde eu e os camaradas estudávamos que praticava esse esporte, o cara se achava O esportista da paróquia, mala sem alça), Tênis de Mesa, Luta Romana, Nado Sincronizado entre outros, mas não posso, pois preciso treinar, vou participar da competição de livre associação entre dedos e botões. É uma modalidade nova, que é mais ou menos assim: quando qualquer um dos duzentos canais que irão passar o Pan começarem a mostrar qualquer competição, eu mando ver no botão e mudo da porcaria do canal. Sai desse corpo que não te pertence, macumba dos infernos! AQUI É CORINTHIANS, PÔ!


terça-feira, 10 de julho de 2007

Dez Melhores Filmes, Década de 80, Parte Dois

5- Amadeus (Amadeus, EUA, 1984), 160 minutos – Diretor: Milos Forman; Elenco: F. Murray Abraham, Tom Hulce
A década de 80 foi negra para o Oscar. Já criticado normalmente pela predileção eventual por filmes de maior apelo com o público em detrimento daqueles de maior mérito artístico, naquela bela e maluca década viu-se os maiores absurdos cometidos pela Academia. Filmes meia-bomba como Entre Dois Amores, Gandhi, O Último Imperador, Conduzindo Miss Daisy e, principalmente, o horrendo Rain Man (dói só de lembrar) foram laureados com o prêmio de Melhor Filme. O único filme naquela década agraciado com o prêmio máximo da Academia que realmente presta e único também a contar nessa lista elaborada por mim é esse aqui, Amadeus, ganhador da estatueta em 1985. Baseado na peça de Peter Shaffer, que também escreveu o roteiro do filme, fator vital para o sucesso do mesmo, o filme conta a biografia do mítico compositor Amadeus Mozart interpretado com brutal eficiência pelo sumido (nunca mais ninguém soube dele, coitado) Tom Hulce. A história é contada do ponto de vista do rancoroso e amargurado compositor Antonio Salieri, interpretado pelo F. Murray Abraham, naquela que é uma das maiores intepretações da história do Cinema. Aproveitando o belo potencial do personagem, um compositor medíocre que não consegue aceitar que um garoto tão despreendido e relativamente inconseqüente como Mozart tenha um talento tão assombroso para compor, Abraham encarna toda a dor do personagem e consegue fazer o espectador não odiar aquele ser patético, cujo amor pela música é tão grande que o leva as portas da loucura. Mais do que merecidamente, levou o Oscar de melhor ator. Milos Forman, excelente diretor tcheco que tinha realizado 7 anos antes o lendário Estranho no Ninho, realiza mais um trabalho soberbo, conduzindo o filme com rara elegância, destacando inteligentemente a trilha sonora e os cenários como reflexos das situações emocionais dos personagens, criando sempre atmosferas calmas e vívidas quando Mozart está em destaque, e ressaltando tons mais escuros e composições mais soturnas quando Salieri é o centro. Foi o único acerto na Academia em toda uma década, mas também, se eles ignorassem Amadeus, aí o negócio ia ser chutar o balde e sair indicando os Conans e Rambos da vida mesmo, se é pra esculhambrar, vamos fazer com estilo então...

4-Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, Alemanha, 1987), 127 minutos – Diretor: Wim Wenders; Elenco: Bruno Ganz, Otto Santer, Solveng Dommartin, Peter Falk
O maior crime da humanidade foi cometido em 1998, quando estúpidos produtores americanos resolveram refilmar essa obra-prima do Wim Wenders, cometendo o pavoroso Cidade dos Anjos, que colocou o careteiro e canastrão de plantão do Nicolas Cage para entortar boca e grunhir juras de amor com a Meg Ryan num filmeco água com açúcar que serviu somente para aumentar a minha descrença na humanidade. Quem esses pervos acham que são? Mas o consolo é que nem esses açougueiros conseguiram apagar a classe desse grande trabalho de Wenders, diretor talentosíssimo mas que tem a mania de querer ajudar os amigos, como quando dirigiu aquele filme com o roteiro do mala mor Bono Vox, o Hotel de Um Milhão de Dólares. No caso desse filme de 1987, que aproveita o cadáver do comunismo e a eminente destruição do Muro de Berlim para, através dos olhos de dois anjos que não podem se comunicar com os humanos nem serem vistos ou ouvidos por eles, mostrar todo o desalento e desencanto vivenciados pelos habitantes da cidade. Os anjos, Damiel, interpretado pelo Bruno Ganz (que depois viria a interpretar o anticristo e coisa ruim Hitler no recente filme A Queda), e Cassiel, interpretado por Otto Sander, podem somente trazer conforto e carinho para as pessoas, nunca influir nos atos delas, como quando um deles tenta confortar um jovem prestes a cometer o suicídio, não conseguindo impedir o ato do rapaz, mas conseguindo trazer um momento de paz para ele simplesmente por, de maneira absolutamente sensorial, ouvir os lamentos do rapaz, abraçando-o e dando um pouco de alívio para ele. A alegoria que o filme faz com a vida dos alemães no mundo pós-Segunda Guerra é clara, uma sensação de desconforto constante, de inadequação, de vazio, como se a eles não permitido celebrar a vida, somente viverem consternados e reprimidos como pena a pagar pelas loucuras de um homem. Os anjos representariam a esperança escondida no coração dessas pessoas, e quando Damiel começa a se sentir insatisfeito por não poder compartilhar seus sentimentos de maneira real com elas, sentir todas as sensações experimentadas por elas, vontade que atinge o ápice quando ele se apaixona por uma trapezista e começa desesperadamente a querer transformar-se num humano, é impossível não entendermos essa vontade e luta de Damiel como uma representação da insatisfação de todos os berlinenses e, por conseqüência, de todos os Alemães, e a vontade de derrubar um muro de valor muito mais ideológico do que meros tijolos um em cima do outro. Wenders tem um estilo lento de desenvolver suas histórias, concentrando-se sempre nas reações e interações entre seus personagens, algo que habitualmente gera resultados sublimes, já que quem quer correr para contar algo não acredita na força do que tem para dizer ao seu público.

3- Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, EUA, 1987), 116 minutos – Diretor: Stanley Kubrick; Elenco: Matthew Modine, Adam Baldwin, Vicente D’Onofrio
Não consigo entender certas convenções dos críticos. Esse filme é considerado, ao lado do De Olhos Bem Fechados, como a mais fraca das obras dirigidas pelo Stanley Kubrick (considerando logicamente que, por parâmetro, o pior filme do Kubrick é melhor que 99% dos filmes já feitos). Até aí, tudo bem. Mas os argumentos apresentados pelos incautos é que irritam demasiadamente. Falam que o Kubrick perdeu o trem da história e chegou atrasado, já que Apocalypse Now e Platoon tinham vindo antes e retratado a Guerra do Vietnã já, e que por isso o seu filme seria fora do contexto. Grande porcaria. Se filme bom fosse aquele que se antecipasse aos seus pares, então o World Trade Center, lixo lançado pelo Oliver Stone e primeiro filme que tratou dos atentados de 11/09, seria uma obra-prima. Situacionismo não significa nada em termos de alcance artístico, a velha história do efeito versus o conteúdo daquilo que se pretende como filme de arte. E esse filme, como todo esforço Kubrickiano, é um genial estudo dos lados mais obscuros do homem, a famosa desumanização, tema que era obsessão para o mestre. No caso, Kubrick observa atentamente os passos do soldado Joker (apelido do personagem pelo seu estilo sarcástico de humor, o nome verdadeiro dele jamais é revelado pelo filme) , interpretado pelo Matthew Modine, desde seu cruel treinamento com um sádico instrutor militar até suas experiências já no campo de Guerra no Vietnã. No começo da sua experiência na Ásia ele acaba escrevendo sobre a Guerra para a agência de notícias militar norte americana, sempre tentando disfarçar as eminentes perdas da campanha americana e o progressivo caos enfrentado pelas forças armadas, tentando com seus textos elevar a moral dos recrutas estadunidenses usando de metáforas e omissões de informações. Até o momento em que ele é mandado para o fronte para acompanhar uma missão, conhecendo de perto os horrores da Guerra e o efeito por ela causados naqueles soldados extenuados e perdidos, e, como não poderia deixar de ser, no próprio Joker, que cega a usar a teoria Jungniana de dualismo do homem, bem e mal vivendo num mesmo indivíduo, para justificar para si mesmo aquilo tudo. A mensagem de Kubrick é um tapa na cara: somente podemos aceitar uma Guerra quando reconhecemos que ela serve para nutrir o lado psicótico dos homens, para representar o mal que carregamos dentro de nós, e nunca como ação realmente válida e justa para resolver qualquer tipo de conflito. Não há heroísmo, não existe abnegação, luta ou ombriedade, somente homens patéticos (não somos todos nós?) conhecendo e entrando em contato com tudo aquilo de pior que as suas mentes poderiam gerar, e a primeira parte do filme com o treinamento exemplifica os esforços do governo americano para despertar esse lado sádico nos recrutas, criando soldados prontos para matarem sem questionar e com o mínimo de culpa possível, o que, bem sabem os estrategistas, é a chave para se ganhar uma guerra. O final do filme, com os soldados americanos marchando cantando uma música do clube do Mickey Mouse de cunho patriótico, é uma imagem tão poderosamente cínica, considerando que os EUA perderam a Guerra no final, que sozinha acaba tendo um efeito crítico muito mais eficiente que todos os filmes feitos pelo Oliver Stone falando sobre o assunto. Contra a sutileza e voracidade do cinismo Kubrickiano, não existiam, nem existirão jamais concorrentes.

2- Touro Indomável (Raging Bull, EUA, 1980), 130 minutos – Diretor: Martin Scorcese; Elenco: Robert De Niro, Joe Pesci, Cathy Moriarty
Eu não vou perdoar nunca o Martin Scorcese. As três concessões desesperadas feitas por ele para abocanhar um Oscar, Gangues de Nova York, O Aviador e Os Infiltrados, o último no caso finalmente dando o prêmio para ele, quase fizeram todo o respeito que eu nutria pelo diretor ir água abaixo. Lógico que não são filmes ruins (hã... bem...deixa pra lá), mas são obras que destoam na carreira dele quase que de maneira grotesca. Agora que finalmente deram pra ele o prêmio, e justamente pelo que deve ter sido o seu pior filme, Os Infiltrados, quem sabe ele não relaxa e volta de uma vez a produzir filmes que façam jus ao seu talento? Lembro-me dos dias que Martin produzia filmes que escolhiam, corajosamente, observar o comportamento de personagens com claras predisposições sociopatas, seres sem qualquer tipo de adequação ao meio social que viviam, mas que, através da visão precisa do diretor, conseguiam dentro das suas lógicas torpes encontrar alguma espécie de redenção, sendo a violência o catalisador de todo o processo de tortura enfrentado pelos personagens. A culpa católica, o efeito que os pecados podem ter na vida e na mente de um homem, e a expiação através do sangue, sempre usado como metáfora em suas películas. No caso do Touro Indomável, que contava a biografia do pugilista Jake de La Motta, sua lenta ascensão até o título de campeão mundial dos pesos Meio-Pesados, e seus problemas enfrentados pelo temperamento impulsivo e auto-destrutivo, sua rebeldia contra a ordem estabelecida no boxe, e os inevitáveis reflexos na sua vida pessoal, quando suspeita de um caso amoroso entre a sua mulher e seu irmão, que o leva a praticar rompantes de violência que o isolam de todos. Robert De Niro foi o primeiro a se interessar pelo projeto, lendo a biografia de Jake e convencendo Martin Scorcese a dirigir um filme baseado no livro. Martin viu uma bela oportunidade para contar uma história que tudo tinha a ver com o mundo dos seus personagens, e que até representou uma curiosa semelhança com sua vida pessoal na época, já que depois do fracasso do musical New York, New York (quem mandou ficar amiguinho da Liza Minnelli?) ele estava se afundando cada vez mais nas drogas, vendo na procura por redenção do boxeador um belo contraponto com o momento que vivia. No caso, um talentoso boxeador que não consegue compreender o mundo que o cerca, nem se relacionar com as pessoas ao seu redor, mesmo aquelas que ele ama. A interpretação de De Niro é assombrosa. Sua obsessão por reproduzir com excelência todas as nuances do boxeador o fez engordar 27 quilos para retratar a decadência do personagem, e as lutas mostradas no filme foram todas autênticas, De Niro não quis usar golpes coreografados e foi pro pau de verdade, todas as feridas no rosto dele eram reais. Tamanha dedicação gerou uma perfomance que virou referência para todos os atores, que até hoje, quando dedicam-se inteiramente para compor um personagem, dizem que fizeram o “processo De Niro”. A narrativa lenta e gradual de Scorcese capta brutalmente toda a fúria e inadequação do personagem, e a medida que a fúria de Jake cresce durante a projeção, a câmera e a fotografia ficam mais claustrofóbicas, isolando Jake cada vez mais aos olhos do espectador. Um filme maravilhoso, sem dúvida a melhor película com esportes em primeiro plano já feita, e uma lembrança do que foi Martin Scorcese um dia, um diretor autoral e sem medo de contar histórias que podiam ferir o gosto dos mais sensíveis. Não esse Scorcese bunda mole que tão tristemente temos de aturar refilmando filmezinhos policiais vagabundos pra ganhar um prêmio que nada significa em termos de reconhecimento artístico. VENDIDO!

1- Paris, Texas (Paris, Texas, 1984, EUA-Alemanha), 147 minutos – Diretor: Wim Wenders; Elenco: Harry Dean Stanton, Nastassja Kinski, Dean Stockwell
O filme abre com um homem de aparência quase fantasmagórica, esquálido e imundo, bebendo uma garrafa de água numa paisagem desértica no interior americano. Quando acaba de beber a água, ele corre em direção ao horizonte, e a câmera permanece estática, sem movimento algum, observando aquela figura patética desaparecer na cálida imensidão desértica. Pronto. Já na primeira cena, Wim Wenders nos mostra uma rima poética brilhante, estabelecendo, sem qualquer palavra ou movimento, a situação desesperadora de um homem perdido, totalmente alienado do mundo, sem nem ao menos saber quem é, a condição mais baixa que alguém poderia atingir. A partir da cena, o filme começa, lenta e categoricamente, a desvendar os mistérios que envolvem aquele homem, quem ele é e o que levou a tamanha situação. Tudo se revela a partir do momento que o irmão o encontra, depois de muito procurar, o homem se chama Travis Henderson, tinha uma esposa e um filho, o casamento começou a desmoronar, até que a mulher um dia sai de casa num briga e ele, sem qualquer tipo de explicação, resolve desaparecer, vagando até chegar no estado triste que se encontrava no começo do filme. A obsessão que Travis mostra no decorrer do filme com um lugar no qual os seus pais teriam um terreno e para onde ele gostaria de ir, numa cidade chamada Paris, no interior do Texas, é um inteligente jogo metafórico: o irmão ao ouvir o relato de Travis pensa se tratar da capital da França. No caso, a busca e obsessão em encontrar essa cidadezinha reflete a própria vontade de se ver junto da sua família de novo, filho e mulher, sendo que a Paris francesa seria um retrato ideal da vida que ele gostaria de levar junto deles, mas a Paris texana, árida, inóspita e perdida no meio do nada, revela-se o reflexo verdadeiro do que acabou se transformando a vida de Travis. O filho dele viveu com o irmão e a mulher, já que a mãe também fugiu. Depois de reencontrá-lo, Travis e o filho decidem, contra a vontade do irmão e da esposa, que tinham cuidado do menino por tanto tempo e se apegado com ele, procurar a mãe, numa clara referência feita por Wenders a força que existe nos laços entre pais e filhos, que seriam mais fortes do que variáveis frias como tempo e distância. Eventualmente a encontram, numa aparição exuberantemente bela de Nastassja Kinski, gerando momentos sublimes, sempre filmados com sobriedade e inteligência por Wenders. O final do filme, que poderia ser encarado como frustrante por alguns, na verdade acaba engrandecendo ainda mais o filme, já que evita saídas obvias e encontra-se firmemente de acordo com a narrativa e tom da obra. A fotografia do filme é exuberante, um trabalho perfeito do cinematógrafo Robby Muller, e todos os atores, em especial Harry Dean Stanton, retratando a lenta redenção do personagem com muita categoria, oferecem perfomances memoráveis. Inacreditavelmente, anão indicaram o filme para nenhuma categoria no Oscar de 1985, mais uma vergonha a perseguir a Academia para todo sempre. Mas a Palma de Ouro em Cannes fez justiça para esse filme, maior momento do cinema na década de 80.

Melhores filmes, Década de 80: Interlúdio

A década de 80 jamais é lembrada quando queremos falar de referências de bom gosto. Normalmente associamos a época com figurinos ridículos, cabelos com laquê, aeróbicas, bandas como os Menudos e o A-Ha e filmes de ação dos Schwarzeneggers e Rambos da vida. Fazendo minha lista dos melhores filmes, fiquei impressionado ao lembrar de quantos filmes bons foram feitos na época. Para minha surpresa, mais até que nos ans 90, época subestimada demais. Vou deixar aqui tudo claro para vocês, fazendo justiça para os excelentes filmes que não entraram na lista e explicando a ausencia de alguns queridinhos da mídia:
Menções Honrosas:
Sociedade dos Poetas Mortos, Homem Elefante, A Testemunha, Duro de Matar (maior filme de ação de todos os tempos), Broadway Danny Rose, A Rosa Púrpura do Cairo, Crimes e Pecados, Ran (do Akira Kurosawa), Monthy Phyton e o Sentido da Vida, Cinema Paradiso, Isso é Spinal Tap, todos os filmes dirigidos pelo John Hughes , e, para meu total desalento, De Volta Para o Futuro (nunca vou me perdoar por ter deixado de fora. ME PERDOE, MCFLY!).
Filmes que não entrariam mesmo por serem ruins
Platoon (Oliver Stone, Vietnã, ZZZZZZZZZZZZZZZZZ), Gandhi (um milhão de figurantes e três horas e meia de sono), Beijo da Mulher Aranha, Rain Man (esse eu guardei para os dez piores da década), O Último Imperador (a último chatice de Bertolucci), Nascido em 4 de Julho (Oliver Stone, Vietnã, ZZZZZZZZZZZ Dois, a missão), Carruagens de Fogo (alguém chegou até o final dessa porcaria?).

segunda-feira, 9 de julho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Kristen Bell


Mais conhecida por interpretar a aprendiz de detetive Veronica Mars na série cult... peraê, deixa eu lembrar o nome do seriado... ha, sim, isso mesmo, Veronica Mars. Kristen é provavelmente o maior incentivo para a legião de fãs do show. Lógico que quando você pergunta para um deles, ouve respostas como "é uma série inteligente, quase um Twin Peaks sem anões". Sei. Com apenas 1,55 de altura (o que por si só mataria o argumento citado em cima. Maldade, tô brincando!), Kristen consegue realmente fazer os espectadores acreditaram que aquela loirinha seria capaz de ser mais esperta que uma cidade inteira. Não tem nada a ver com o fato dela ser canceriana. Não mesmo, cancerianos são seres barulhentos e sem classe.

domingo, 8 de julho de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do indie pinguim/O que ouvir atualmente

Depois de acusar(moderamente) o camarada progressista de indie, lembrei que deveria continuar minha série para aquelas pessoas desesperadas que adoraram a primeira parte desse manual, incluindo aí nosso camarada. Continuando na vertente musical, mas agora em álbuns que foram lançados recentemente( do começo dos anos 2000 até hoje) e que tenham vertente válida para os indies de hoje em dia, pois tenho uma preocupação sociológica com essa empreitada.

Indie hoje em dia ouve bastante coisa e não só indie rock, pensei nisso e resolvi abranger outros estilos, sempre pode ter uma garota(o) a quem se aproximar e se surpreender com seu ecletismo musical. Mas sempre preocupado com a palavra alternativo, não precisa ser indie mas precisava ser meio desconhecido. Poderia ser até uma visão mercadológica e de produção alternativa, ok vamos lá!


1) Shades Of Blue - Madlib - 2003 - hip-hop alternativo com toques de jazz
Descobri tal se
r mais por acidente do que qualquer outra coisa. Estava baixando música(faço muito isso) e resolvi ariscar, quem diria que ouviria até hoje e consideraria um dos melhores álbuns que já ouvi?Coisas da vida.

Shades of Blue parte do seguinte conceito: pegar um apanhado de gravações do famoso estúdio Blue Notes(famoso pelas gravações de jazz) e samplear e transformar em hip-hop suave e delicioso de ouvir. Recomendo atenção auditiva em duas faixas: Footprints, feita por Wayne Shorter; a composição de Gene Harris, que era The Look of Slim, foi remixada e tornou-se Slim's Return.

Madlib só por esse álbum já poderia ser chamado de promissor, ainda é um expetacular produtor musical. Se fosse só isso, tem mais, ele resolveu criar heterônimos musicais e produzir tais discos( resta saber se ele leu Fernando Pessoa, não é?). Os discos do seus heterônimos musicais diferem em estilo e até gênero musical do próprio autor, nessa brincadeira ele criou uma banda, Yesterday New Quintet, onde o próprio compôs as musicas, no estúdio tocou todos os intrumentos e ainda produziu o disco. Continua produzindo e produzindo muito, dizem as más línguas(www.pitchforkmedia.com) que ele dorme e vive no estúdio, para se ter uma idéia sua discografia tem 2,2 GB e começou a lançar albuns em 2000. Minha mãe falava que tem gente que não sabe brincar e eu não acreditava. Em suma, se você estiver ouvindo DangerDoom, Quasimoto, Madvillian, Yesterday New Quintet na verdade todo aquele trabalho musical foi arquitetado por um exército de um homem só: Madlib.


2)Nadadenovo - Mombojó - 2004 - "novo maguebeat", pop, samba, rock
Tudo novidade: assim que encarei esse álbum, no começo você acha parecido com os finados Los(loser?) Hermanos, sobretudo pela forma de cantar do vocalista, entretanto começa perceber a sonoridade e as viagen da banda: a experimentação dentro do rock( que faria qualquer StereoLab cair no chão de inveja); a fusão rock e samba em Deixe-se Acreditar; a flauta tranversal em Nem Parece que teima em ficar dançando em cima da harmonia; a transição bem executada entre as faixas Discurso Burocrático e A Missa; a própria A Missa que alterna samba, rock pesado e, seria, um hip-hop? Enfim tal álbum é bem executado, com faixas belas e feitas por músicos que na época tinham 20 e poucos anos, nem precisa mais de motivos pra ouvir. Mas tem, os dois albuns, em versão integral, da banda estão disponíveis para baixar no site da banda(www.mombojo.com.br). Só não entendo uma coisa: pra quê chamar de manguebeat? Só por que é do mesmo estado? Isso eu fiquei sem entender.


3)Unsolved - Karate - 2000 - indie rock com pitadas de jazz
Me apresentaram tal banda, falei: "Interessante...". Resolvi pesquisar e acabei me apaixonando. Nada de experimentações ousadas, harmonias complicadas, conceitos brilhantes e inovadores. Esse album viveria bem se não estivesse existido a musica concreta, não faria muita diferença. Simplesmente som bem executado, bonito, com letras boas.

Tal banda foi formada por músicos formados em uma faculdade de musica pouco conhecida que estudou "normais" como Miles Davis. Se conheceram lá e montaram a banda e resolveram formar uma banda de verdade de indie rock e que banda devo dizer.

Como sempre acabo vertendo pro lado do jazz, acabei escolhendo o álbum que tem mais elementos desse gênero. De uma forma geral todos os álbuns são bons, pena que a banda acabou.


4) Por Pouco - Mundo Livre S/A - 2000 - manguebeat
Uma banda mais antiga, mas que cresceu mais depois do seus primeiros cds. Hoje em dia acho que perderam denovo a mão. Fred 04(líder da banda) tornou-se mais um protestante político atual do que músico. Bem, vamos nos ater ao cd.

O álbum Por Pouco mostra uma maturidade da banda Mundo Livre e mostra também o caminho musical que tal banda escolheu e este caminho difere das outras bandas precurssoras do manguebeat, como Mestre Ambrósio e Nação Zumbi. A primeira busca um resgate das tradições nordestinas enquanto a segunda, mesmo após a morte do líder e cara do próprio movimento, procura atingir uma veia pop criando música de qualidade. Ao mesmo tempo Mundo Livre, como música de protesto, sempre buscou um meio termo e parece que nesse album atingiu o apíce estético. Atenção especial pra descontrução musical que fazem na versão deles de Garota de Ipanema; a letra de Mistério do Samba; a faixa título Por Pouco com sua harmonia genial e a inclusão de violinos aumenta mais a genialidade dessa música.


5)Amputechure - The Mars Volta - 2006 - indie rock, rock progressivo, pós-rock
O guitarrista da banda At the Drive-in(não precisa saber e nem ouvir isso) resolveu tomar vergonha na cara e formar uma banda de verdade. Resultado: esse álbum e mais alguns. Elementos do rock progressivo e sem a masturbação musical que o gênero ficou conhecido, com as latinades do tal guitarrista( Omar Rodriguez definitivamente não é sueco), recomendado também ouvir seus projetos solos.





Pra finalizar, leitores, agora vcs terão mais álbuns pra ouvir, mas lembre-se, tentem ser superciais e vagos, como fui agora.

sábado, 7 de julho de 2007

Mas que nada (Ou Camarada Progressista, Jorge Ben e a minha brasilidade inconfessa)

Dante teve por guia, em sua jornada pelo Inferno e pelo Purgatório, seu mestre Virgílio. O Camarada Progressista é o meu Virgílio quando se trata de música. É ele quem me diz se estou me afastando da luz, em direção das trevas, quando ouço Amy Winehouse, Bettie Serveert ou High School Musical.

Mas, apesar de seu espírito nobilíssimo, Virgílio não pôde acompanhar Dante no Paraíso. Não podia adentrar no Empíreo. Morreu pagão, ignorante da Luz verdadeira. Assim também o Camarada Progressista. Como vocês mesmos puderam comprovar, através de textos muito sagazes, seu conhecimento musical é indiscutível, bem como sua sensibilidade, experimentada e autônoma. Entretanto, há certas coisas que seu espírito não penetrou, verdades a que não teve acesso.

Jorge Ben (Jor), no caso. Meu Virgílio reconhece a genialidade do músico. Ouve A Tábua de Esmeralda e, como qualquer crítico isento e agudo, diz que é das coisas mais altas de que Jorge Ben foi capaz. Pois é. Musicalmente, é isso.

Mas aí eu, lado a lado com ele, às margens do Aqueronte, canto baixinho, querendo porventura afastar da mente (impossível!) os terríveis gemidos dos que padecem eternamente por terem se excedido na audição a experimentalismos sem fim: “Mas que nada, / Sai da minha frente que eu quero passar...”. E, então, meu mestre se volta pra mim e diz: “Devo confessar-te que detesto ‘Mas que nada’ ”. Inicialmente desfalecido, depois indignado, tomo coragem e lhe retruco: “Pois, mestre, nisto te enganas; na verdade, nisto te mostras completamente ignorante. (Meu coração palpitante.) Sei que me dirás que não passo de um fã chato do tipo Samba Esquema Novo, mas não importa. Se for necessário, me assumo como tal. Pois não ignoro A Tábua de Esmeralda; entretanto, não posso deixar de assinalar que Samba Esquema Novo é a quintessência do que é Jorge Ben (Jor). Mais: do que é a brasilidade segundo Jorge Ben (Jor)”.

O Camarada Progressista não é reconhecido por seu profundo vínculo com Pindorama e as coisas de Pindorama. Se possui, em si, algum traço ufanista, tem-no dissimulado muito bem até hoje a mim e ao Camarada Moderado. Por isso, não pode ele entender que ouvir Jorge Ben (Jor) é o máximo de brasilidade a que alguém pode chegar. Que em Jorge Ben (Jor) seja lá o que signifique ser brasileiro encontra sua expressão mais acabada e transparente. Que seu lirismo vai mais fundo que toda a sociologia por aqui ensaiada. E que só esse lirismo abrange ao mesmo tempo a indigência e a leviandade (ou descontração) que marcam o Brasil tanto na escala individual quanto coletiva. E que nenhuma Tropicália sequer arranhou. Na verdade, perto de Jorge Ben (Jor), o resto dos tropicalistas não passam de um carnaval veneziano. E, enfim, que foi na sobriedade e economia de um Samba Esquema Novo e pares que isso se manifestou originalmente.

Jorge Ben (Jor) é toda a noção que eu posso ter do que é ser brasileiro. Nele se resume todo o meu nacionalismo (é isso mesmo, também eu guardo cá comigo algum nacionalismo). E aí eu, excepcionalmente humilde e reverente, me vejo diante de uma grande descoberta: “Hoje, superei meu mestre”.

Cinema: Estréias da Semana

Com o fim do mês Lindsay Lohan (há, Lindsay..) volta a seção estréias da semana, com as costumeiras análises porcas, rasas e rasteiras dos filmes que entram em cartaz, mas que servem para ir direto ao ponto: ou é ruim ou não é, jão, sem embromação! Poupe os seus dólares ouvindo os conselhos do Progressista. Ou então me mande pra aquele lugar e vá por sua conta e risco. Acha que eu vou ficar ofendido? Lembrando que entre hoje e amanhã publico os cinco primeiros na lista de melhores filmes dos anos 80. Pois bem, aqui vai. Filmes que estréiaram no Brasil Sexta-Feira, 6 de Julho:

Ratatouille - Diretor: Brad Bird; Vozes: Patton Oswalt, Ian Holm, Brad Garret e Janeane Garofalo
Mais um filme bonitinho da Pixar, dessa vez com um Ratinho gorduchinho, sujinho e (como não poderia deixar de ser) bontinho, que ajuda um jovem cozinheiro com aspirações de Chef a subir na vida com suas habilidades culinárias, tudo isso tendo Paris como cenário. Lindinho, fofinho, espertinho, inteligentizinho, todos adjetivozinhos que caracterizam os filmezinhos da Pixar. Como todos amam os filmes da produtora do "revolucionário" Steve Jobs, cidadão que não tem interesse algum em dinheiro apesar das megapropagandas da Apple e da avalanche de produtos infantis lançados dos filmes da Pixar (é, eu também acredito no Papai Noel), vocês não ouviram de mim que filmes com ratos habilidosos na arte de cozinhar e preparar pratos não tem lá muito apelo com crianças, adultos ou qualquer tipo de público (o filme teve o pior retorno financeiro na estréia entre todos os filmes da Pixar). Não vou dizer para você fugir, apenas digo que você deve ir ao cinema com um sorrisinho pronto e reaçõezinhas que façam jus a esse filminho tão fofinho e espertinho. Mas todo mundo adora... o burro sou eu mesmo.

Paris, Te Amo - Diretores (essa vai demorar, tomando um ar, lá vai): Bruno Podalydès, Alfonso Cuarón, Walter Salles, Daniela Thomas, Sylvain Chomet, Gérard Depardieu, Alexander Payne, Olivier Assayas, Wes Craven (argh!), Tom Tykwer, Joel Coen, Ethan Coen; Elenco: Catalina Sandino Moreno, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Nick Nolte, Ludivine Sagnier, Maggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Natalie Portman, Elijah Wood, Gaspard Ulliel, e STEVE BUSCEMI
Esse filme é o Simplesmente Amor made in France, com vários diretores, entre eles Alexander Payne (Sideways), Alfonso Cuaron (Filhos da Esperança), Irmãos Coen (precisa falar?), e até, acredite se quiser, Wes Craven (argh de novo! Wes Craven? Faltou o Kevin Williamson só), mostrando suas visões e olhares sobre a cidade Luz, usando histórias de amor como plano de fundo. Descartável, se não fosse por um detalhe: num dos segmentos, temos a presença dele, o homem, o ator, o mito, o quinquagésimo terceiro maior astro da história do cinema segundo a revista Empire, Steve Buscemi. Só para ver Steve the man, corra ao cinema mais próximo, já!