
Mas e se a resposta não for assim tão simples? Se, em vez de ouvir Paviment (zzzzzzz) e Pizzicato Five (tsc, tsc, tsc...), você ouve Mombojó ou, pior (quer dizer, pior de ser apreendido pelo nosso terrível olhar sofregamente analítico), Chico Buarque? Pra falar francamente, preto no branco: se você é um daqueles que lê Grande: Sertão Veredas e ouve Ópera do Malandro, e acha que, com isso, vai fundo nas Raízes do Brasil. Pra quem uma tarde com Gilberto Freyre e Mário de Andrade é entrar em contato com sua brasilidade mais profunda, cotidianamente esmaecida, tão sufocada por todo o lixo imperialista norte-americano, isto é, estadunidense.
Talvez isso desfaça a última das suas ilusões a seu próprio respeito, aquela segundo a qual você era absolutamente insubordinável a quaisquer rótulos e classificações, mas, amigo, você também é indie. Uma variação do indie original, é claro, resultado de uma aclimatação a esta terra tão radiosa onde vive um povo tão triste. Mas, ainda assim, indie. Porque o que é ser indie?
Para o nosso Camarada Moderado, da forma como nos tem atribuído tal identificação nas suas mais recentes postagens, se constitui num xingamento, numa acusação. Ser indie é um desvio em relação a uma formação intelectual e artística sadia e lúcida, desvio esse que responde por apreciações estéticas que soem endeusar ícones culturais que não passam de versões bem menos incisivas e vigorosas de ícones culturais realmente originais e relevantes (?).

Mas eu também era indie e não sabia. Mas agora que eu sei, tipo, não é tão ruim assim. The Arcade Fire é bem legal e tudo. Já até saí pra comprar meu par de All Star. Eu só, às vezes, sei lá, me pego ouvindo Nelly Furtado (antes dela começar a usar her humps) e cantando "I'm like a bird and I wanna fly away", e aí eu fico meio confuso, e dá uma crise de identidade, mas passa rápido. Mas pior mesmo é quando eu prefiro ler um empolado como o Proust a um beat qualquer, porque, ai, meu Deus, acho o Kerouac um xarope. Nessas horas, confesso que me dá um calafrio...
na mosca. Ser indie é querer ser diferente de tudo e todos, e com isso, ficar endeusando as mesmas coisas como Senfeild, Lost de Translation, Arcade Fire sem saber da onde vieram as referências,sim achando tudo aquilo genial e inovador, lógico que está bem longe disso. é querer ser independente e lutar por isso, mostrando que tem gostos diferentes, mas tão massificados, patéticos iguais e sempre com a carinha blasê
ResponderExcluirSeinfeld não é Indie. Uma série que tinha 40 milhões de pessoas como audiência semanal seria justamente algo a ser evitado pelos indies, seja lá o que o moderado acha que isso é (parece que não pegou a idéia ainda). Se as pessoas gostam de Seinfeld mesmo assim, Indies ou não, é pq a série tem algo a mais que fica invisível para aqueles que, como o moderado, não a suportam.
ResponderExcluirlá-lá-lá-lá-lá...
ResponderExcluirE a sua mãe também!
Eu li isso em algum lugar: "... pessoas que absolutamente não estão ouvindo o que você diz."
ResponderExcluirrsrsrsrs
O artista incompreendido. O Picasso sem sua Guernica. O Van Gogh sem a orelha (lesgal!!!!!!!!!!!!!!!). Amemos ao próximo como amamos a si mesmos?
ResponderExcluirgente! se vcs fossem a mesma pessoa, eu diria que esse post foi uma crise grave, com direito a internação, hahahahahahaha...
ResponderExcluirmas falando sério... não me interessa quantas pessoas gostam de algo... o que interessa é o se eu gosto...
acho que devemos nos ater ao que é inovador realmente... e não se é indie ou pop, pois isso é irrelevante... pelo menos pra mim...