sábado, 30 de junho de 2007

A Ética Lohaniana, ou: They Shoot Horses, Don't They?

Quando pensamos na palavra ética, normalmente acabamos levando o seu significado para generalizações estúpidas, que ignoraram torrentes de pensamentos que evidenciam o termo sempre dentro de contextualizações e situacionismos. Nós hoje normalmente temos a tendência de agir, ou mostrar para os outros os nossos atos, como se seguíssemos sempre a famosa ação racional com relação a um valor, ou seja, queremos dizer, para os outros e para nós mesmos, que mesmo no mundo objetivamente massacrante e implacável que vivemos, ainda sim podemos ser fiéis a um código de conduta, possa ele ser ditado por nós mesmos ou por laços afetivos, emocionais ou de trabalho com os nossos semelhantes. Ou seja, somente sentimos o nosso valor como indivíduos no mundo das padronizações e equalizações robóticas quando tentamos manter um mínimo de coerência e respeito ao mundo que nos cerca.

No caso da nossa querida Lindsay Lohan, temos um exemplo claro de alguém que, por ingenuidade ou por puro desleixo, acaba dando aos seus semelhantes liberdades que acabam expondo-a dentro de situações impensáveis com relação a um meio de trabalho específico, nesse caso o mundo artístico, que, apesar da aparência libertária que mostra ao mundo exterior, coloca os seus membros dentro de rígidas convenções, raríssimas vezes desrespeitadas. Uma delas, sagrada convenção que perdura desde praticamente a criação de Hollywood, diz que o que acontece num set de filmagem, morre num set de filmagem. Pitis de atores, brigas de egos, diretores descontrolados, drogas, bebedeiras, desavenças, tudo isso, quando vem à tona, sempre acontece por méritos de sagazes jornalistas, nunca por profissionais do meio vindo lavar a roupa em público.

Até mesmo quando vazou na Internet o vídeo mostrando o total descontrole do Diretor David O. Russel no set do filme Eu Amo Huckabees, gerou-se uma revolta no meio, com todos dizendo que a pessoa responsável pelo vazamento do vídeo teria a carreira acabada nos meandros Hollywodianos, mesmo com o papelão proporcionado pelo diretor. George Clooney, desafeto de Russel e suspeito de ter vazado o vídeo, teve que vir a público desmentir uma suposta ação sua.

Toda essa situação foi chutada para escanteio nos bastidores da produção Georgia Rule, que no Brasil terá o nome de a Toda Poderosa, filme malhado pela crítica e estrelado pela Jane Fonda e pela Lindsay Lohan. O comportamento de Lohan no set deu início a diversos rumores e boatos, algo normal na mídia que cobre o showbusiness, mas o que realmente foi impressionante é que, de uma hora para a outra, a Jane Fonda, os produtores do filme, o diretor, todos começaram a criticar duramente Lindsay na imprensa, jogando nas costas da garota um futuro fracasso do filme, citando sempre um suposto "comportamento anti-profissional" dela, apontando atrasos, comportamentos rudes e excesso de noitadas no meio das filmagens.

Não é a primeira vez que Lindsay é achincalhada pelos seus colegas. Citei antes no blog o caso Hilary Duff, que zombou dela quando roubou o namorado. Um outro ex-namorado também xingou-a quando começou a namorar a (pasmem) Paris Hilton. Depois dos eventos do Georgia Rule e da execração pública que a equipe do filme promoveu, Lindsay também foi alvo de piadas e de comentários de outros colegas, apresentadores, todos que pudessem malhar a menina aproveitaram e foram em frente. O que fez Lindsay? Reagiu? Exigiu respeito? Que nada. Nas entrevistas que deu para promover o Georgia Rule, Lindsay praticamente implorou de joelhos perdão para os porcos da produção do filme, disse que a Jane Fonda era uma pessoa excepcional e que sempre irá lembrar dos conselhos dela, que se sentia terrivelmente mal por ter arruinado uma produção tão dispendisiosa. Ou seja, pediu perdão por todos os problemas da humanidade. Em nenhum momento atacou ninguém. Como sempre, por pior que fosse a sua situação psicológica, emocional, por piores que fossem os ataques, ela jamais fez com ninguém o que as pessoas não pensaram duas vezes em fazer com ela. Ao contrário dos seus iguais, ela verdadeiramente guia-se pelo valor. E esse é o grande problema.

O comportamento dela foi mesmo errático. Ela realmente atrasou a filmagem, mas nada que justificasse tamanha comoção. Agora, quando um Marlon Brando lia falas dos textos em cartões, chamava diretores de apelidos jocosos, fazia birra destruindo takes inteiros, influindo em todos os aspectos das produções, todo mundo achava lindo. O Marlon Brando podia, afinal ele era daqueles que, se alguém falasse mal, ia e enfiava o dedo na cara. Aí, todo mundo se borrava e ficava quieto. Era o Brando, pombas! Ele podia tudo!

Aí, diretor, produtores e atriz veterana de uma porcaria dum filme, uma bomba atômica ambulante, todos eles colocam a culpa de um fracasso antes mesmo do filme sair numa garota de 20 anos de idade passando por momentos difíceis e que, por incrível que pareça, segundo os críticos, teve uma atuaçao aceitável nessa droga. Ou seja, pelo menos na tela, Lindsay sai ilesa do desastre. O maior papelão foi, sem dúvida, da Jane Fonda, atriz de 245 anos de idade, que se meteu em causas de paz e revoluções nos anos 70, chegando a posar com as tropas vietnamitas apontando um canhão para os soldados americanos, e que depois se casou com o bilionário americano Ted Turner, que significava praticamente o contrário de tudo aquilo que ela pregava nos anos de luta. Um exemplo de coerência de vida. Lindsay, ainda há tempo: marque uma entrevista, xingue a velha com o famoso apelido "Hanói Jane", que ela ganhou na época da Guerra e detesta, e diz que todos que quiserem depreciar você deveriam mesmo é morrer abraçados com o Capeta. Não deixe pessoas medíocres jogarem em você as culpas e frustrações de projetos canhestros e que não sejam merecedores da sua presença. Jane Fonda my ass!

Lindsay Lohan e Tyler Durden

Ao longo deste mês, o que fizemos, algumas vezes com sucesso, foi contextualizar Lindsay Lohan. Toda a questão era essa. Entenda-se que, por exemplo na chamada grande imprensa, imposturas e equívocos se cometem justamente por um problema de contextualização.

Lindsay Lohan é apenas um nome, um nome vazio que se pode preencher como quiser. Mas, a partir do momento em que se decide fazê-lo nome de algo, monta-se um cenário, um lugar onde colocá-lo. Para nós, foi importante lembrar que lugar é este: no caso, uma época. Que não basta recolher as manchetes publicadas com esse nome para estar ciente de quem atende por ele. Mas que os excessos associados a Lindsay Lohan se devem menos a ela do que à época em que vivemos.
Ontem, assisti a Clube da Luta. Não podia ter sido mais oportuno. Clube da Luta é exatamente o contexto que procurávamos para acomodar Lindsay Lohan. A sociedade de consumo invertida, mas ainda sociedade de consumo: massificada, com um forte espírito de rebanho. A geração fast food voltando-se contra si mesma. Isto é, uma crítica a uma revolução que apela aos mesmos vícios e fraquezas que sustentam a ordem que se quer destruir. Algo como: "isto aqui não presta, mas o que vocês têm feito pra mudar, com esses discursinhos anti-Mcdonald's, também não". O sabonete é uma bela metáfora: transformam-nos em produto e assim ganhamos a aura característica de todo produto - que é o de ser uma solução acabada, uma necessidade satisfeita. Somos consumidores daquilo que queremos ser. Inclusive, revolucionários.

Acusaram o filme de fascista. Não entenderam o cinismo, o profundo cinismo de cada cena, de cada personagem. Clube da Luta é um Seinfeld apocalíptico, dark. Clube da Luta é também sobre o nada, só que, sem a estilização que o compromisso com o humor impõe, suas personagens não estão tão conformadas com isso.

Mas a questão que introduz Lindsay nessa história toda é: e se um filho desse rebanho ascende, destacando-se do resto, isolando-se do rebanho? A quem há de seguir? Quem será seu pastor? Mais do que isso, o que lhe pregarão, se foi tornado ele mesmo pregação? Pois o que é esse filho que ascendeu? Não é um exemplo para os demais, aquilo a que devem aspirar? Portanto, a própria pregação? O evangelho custa a (auto)destruição do próprio messias. A grande falsidade nisso tudo é que o messias era como o resto, ainda que o resto (ou ele) não soubesse, mas foi vendido como ideal, como um passo à frente. Foi feito limite daquilo que podemos fazer e, principalmente, ser. Pobre Lindsay Lohan, também ela queria ser Tyler Durden?

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: A Prairie Home Companion

A Prairie Home Companion (2006) foi o último trabalho de Robert Altman, que faleceu ano passado, aos 81 anos. Aqui, no Brasil, recebeu o título A Última Noite, que me recuso a usar, já que leva todos a confundirem-no com o filme do Spike Lee. Trata-se de uma reflexão sobre como morrer com dignidade. Pra Altman, que então parecia pressentir o próprio fim, isso significa morrer trabalhando, e fazendo um trabalho bem feito. E foi o que ele fez, deixando-nos um daqueles filmes que, como eu disse numa postagem anterior, cada vez que a gente assiste gosta mais.

Retrata a última transmissão de um programa de rádio. E como à medida que as personagens vão tomando conhecimento disso, vencem o sobressalto inicial e passam a resignar-se, dando lugar àquele velho chavão: "O show deve continuar". Novamente Altman faz aquela que era a sua especialidade: narrar a vida de várias personagens cuja principal coisa em comum é o fato de estarem no mesmo lugar.

Durante seus 105 minutos, a gente ouve muita, mas muita música country. Só que de raiz, prestem atenção. E sem playback. É a Meryl Streep mesmo que canta (e nos comove em alguns momentos). A surpresa, no entanto, fica por conta de Garrison Keillor, que é, aliás, também fora da ficção apresentador do programa, que realmente existe, e até hoje. Sua serenidade e indiferença (que fazem inveja a qualquer adepto do estoicismo) é que conduzem o show, com a eficiência e naturalidade de todos os dias, até o fim que, como infelizmente escapou a TODOS os comentários feitos a este filme, na verdade aponta para a continuidade. Eis a mensagem cifrada de Altman, a semente que ele plantou, mas que ninguém reconheceu como tal.

Atentem a uma ambigüidade que só mesmo a arte possibilita. Para encerrar aquilo que é, não somente a derradeira transmissão do programa, mas também o gesto final de uma carreira cinematográfica única, Garrison Keillor e Robert Altman chamam ao palco Lola Johnson, interpretada por ninguém mais, ninguém menos que Lindsay Lohan.

A história da participação dela nesse filme é à parte. Foi ela que insistiu pra fazer esse trabalho – esperta, muito esperta –, mas nem havia um papel que se adequasse ao perfil da mocinha. Mas o Altman, que era esperto e meio, fez questão de escrever um só pra ela. Apesar de um papel pequeno, a menininha resplandeceu, em todo o seu talento, interpretando uma adolescente melancólica, sem cair no estereótipo.

Muito nuançada, Lola nos comunica que seu pessimismo é apenas uma defesa, hesitação de alguém que, na verdade, tem sede de viver e de brilhar. E como, ao fim, podemos confirmar, Lola desabrocha – nesse ponto, ela veste o xale rosa para ir ao palco, sinalizando simbolicamente a suavização da perspectiva depressiva que ela mantivera até o momento e que se desfaz imediatamente, tão logo ela aceita o desafio de mergulhar de cabeça nessa aventura que é viver.

É como se Altman dissesse "eu vou, mas ela fica". É isso mesmo, minha gente, estamos muito bem acompanhados quando ressaltamos a singularidade dessa garota. E parece que nem Altman nem nós nos engamos, já que Lindsay se sai com um dos papéis secundários mais marcantes da história do cinema.

Mês Lindsay Lohan: Sorte no Amor

Eu não vou dourar a pílula. Sorte no Amor (Just My Luck, 2006) é uma bela porcaria. Mas não o são todos os roteiros dos filmes estrelados pela senhorita Lohan, exceções honrosas para o Meninas Malvadas (em termos) e para o A Última Noite (esse sim, um FILME de verdade, em breve comentado pelo Fundamentalista)? Sim, mas em filmes como o Confissões de uma Adolescente em Crise e o Sexta-Feira Muito Louca, Lindsay proporcionou verdadeiros milagres ao, somente com a força de sua atuação, elevar o patamar dessas produções rasteiras. Mas no caso dessa película do ano passado, já são nítidos os efeitos provocados pelos excessos da vida festeira e irresponsável que ela vem levando ultimamente.
É fácil perceber ao assistir esse lixo o quanto ela não estava nem aí com o projeto, passando pelos torturantes 103 minutos da película como um fantasma, algo decepcionante tratando-se do nível que a própria Lindsay estabeleceu com as suas atuações. Nem vale a pena comentar a história, tola até para os padrões adolescentes, se é que é possível um negócio desses. O que se lamenta é o fato de Lindsay ter aceitado fazer essa bomba mesmo sabendo do nível ridículo que o filme teria.
Acho até que a atuação apagada e desinteressada mostrada por ela foi fruto da sua total falta de confiança no material, e, lógico, pelos efeitos colaterais das bebedeiras homéricas da garota. Como prêmio pela falta de cuidado, Lindsay foi indicada, pela primeira vez, ao Framboesa de Ouro como pior atriz, um belo puxão de orelha, mas logicamente injusto, já que a pior atuação de Lindsay ainda será acima da grossa maioria das starletes de Hollywood, mas como o Framboesa de Ouro vive de factóides e polêmica, indicaram a nossa Junkie Girl como protesto contra o modo de vida levado por Lindsay ultimamente. Valeu como um aviso, e esperamos que a milésima internação numa clínica de reabilitação coloque a vida e carreira da Lindsay nos eixos, e que bombas como essa sejam parte de um passado distante numa supostamente gloriosa carreira da menina.

5 maiores humoristas brasileiros

O mês Lindsay Lohan atinge o seu crepúsculo, tendo nas folhas caídas do Outono e no gélido e revigorante início de Inverno o cenário perfeito para o seu fim. Mas, nos últimos dias, senti uma inexplicável vontade de trazer para vocês a minha lista dos melhores comediantes brasileiros, na era da Televisão, para ser mais claro, embora muitos deles tenham soltado seus gracejos nos palcos e circos da vida. Uma singela e tocante homenagem do Progressista a eles, que levaram alegria (clichezão, hein) para gerações E gerações de brasileiros. Aqui vai, cinco melhores na minha sincera opinião:

5- Jô Soares
Quem vê hoje em dia o Jô Soares apresentando um insuportável programa de entrevistas nas madrugadas da Rede Globo, pode até pensar: "como é que esse chato, arrogante e insuportável ser que não deixa os seus entrevistados respirarem, que sempre quer saber mais que todos os seus convidados, que conta piadas sem a menor graça e que faz quadros e esquetes que supostamente deveriam fazer rir mas só causam constrangimento, como ele tem tanto destaque assim?". Bom, hoje a situação é essa, mas nem sempre foi assim. Um dia, Jô Soares usou os seus conhecimentos e erudições para fazer um humor que verdadeiramente tirava risadas dos seus espectadores, ao invés de causar uma invitável mudança de canal por parte dos mesmos. Em programas como a Família Trapo, Planeta dos Homens e depois no seu próprio programa, Viva o Gordo, Jô criou um sem número de tipos cômicos e bordões e piadas que vivem até hoje no imaginário popular. Mas depois, ele foi para o SBT, resolveu virar o David Letterman tupiniquim, e acabou desaprendendo a lição número um dos comediantes: não existe humor sem auto-depreciação.

4-Chico Anysio
Hoje em dia, ninguém mais lembra do Chico Anysio. Nem vem. O último feito dele, casar com a ex-ministra e confiscadora de poupanças alheias Zélia Cardoso de Mello acabou sendo a pá de cal no humorista, tirando toda a paciência do público e jogando-o na vala comum dos esquecidos. Mas cabe aqui um pequeno reparo: poucos humoristas possuíram tamanha capacidade para criar personagens como Chico Anysio. Nos 40 anos de Rede Globo, e antes em programas de rádio, Chico praticamente inventou diversos tipos de humor, mostrou uma habilidade impressionante para composição de personagens e um olhar atento para o humor de situação. Além disso, sempre trabalhou para revelar jovens humoristas, lançando-os nos seus programas com destaque, entre eles o insuportável Tom Cavalcante (nem tudo é perfeito). Chico Anysio, homem de escolhas desastrosas e tipos marcantes e inesquecíveis? Resumo assim a vida do homem? Deve ser isso mesmo, meu poder de síntese não é dos melhores mesmo.

3-Costinha
Esse foi o terror das feministas por décadas. Além de ser também acusado de fazer humor com tendências descaradas para a homofobia. Tudo verdade mesmo, Costinha frequentemente fazia valer de piadas politicamente incorretas para adequar o seu humor. Mas poucos homens foram capazes de provocar reações tão histriônicas e histéricas do seu público. Fez carreira na TV em diversos programas da década de 60 até os anos 90, quando morreu em 1995. Provavelmente o melhor contador de piadas da história da humanidade, com um timing inacreditável para o humor, e com uma carreira cinematográfica respeitabilíssima, incluindo os clássicos imortais "Costinha e o King Mong (1976)" e o mítico filme "O Homem de Seis Milhões de Cruzeiros Contra as Panteras (1978)", Costinha virou lenda para os apreciadores do velho humor brasileiro.

2-Tião Macalé
Essa é, sem dúvida nenhuma, uma escolha polêmica. Tião Macalé começou a sua carreia no humorísico Balança Mais Não Cai, nos anos 70, com personagens ingênuos e que usavam a complicada articulação de palavras do ator (dicção não usual) como diferenciação. Num comercial de TV para os finados supermercados Disco ele criou o bordão mais espetacular do humor brasileiro, o lendário "Nojento, TCHAN!", que depois viria a usar e abusar até a exaustão nos programas dos Trapalhões na década de 80. Mas quem lembra, sabe o quanto era impossível segurar na cadeira quando Tião Macalé entrava em ação. Só olhar para as caras apalermadas criadas pelo ator já era motivo de se jogar no chão de tanto dar risada. Morreu em 1993, mas viverá sempre nas memórias daqueles que sabem o que realmente é engraçado nessa vida. Imagino uma porcaria como o Zorra Total com um Tião Macalé nos seus quadros. Aí sim, daria pra começar a dar boas risadas.

1- Mussum
Vocês devem ter notado a ausência do Renato Aragão nessa lista. "Cadé o Didi Mocó, Progressista?". Calma. Vamos por partes. Eu reconheço todo o trabalho humanitário desenvolvido por ele. Criança Esperança, embaixador da Unicef, tudo muito lindo, tocante e comovente. Sinto até mal em dizer que eu não suporto, nem nunca suportei, as tentativas de humor Chapliniano desenvolvidas pelo Aragão nos duzentos anos de carreira que tem. Mas é verdade. Os Trapalhões duraram uma eternidade, começando na TV Excelsior e depois por anos e anos na Rede Globo. Aí, o Zacarias morreu em 1990. Deu pra levar por mais 3 anos, até que o Mussum também faleceu em 1993. Aí, não deu mesmo. Didi e Dedé eram os protagonistas, mas quem realmente levou esse programa nas costas por todos esses anos, quem criou um séquito de seguidores, vide a comunidade do Orkut criada em sua homenagem, que conta com inacreditáveis 160 mil membros, quem fez tudo isso foi Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, ex-sambista, vocalista dos Originais do Samba que acabou virando ator por acaso. Criador dos bordões "Cacildis", "Forévis" e "Mé", gíria para cachaça, ele imortalizou um tipo, o do Gaiato carioca, no imaginário popular brasileiro. A simples menção ao seu nome causa comoções e menções respeitosas de todos que foram testemunhas. Renato Aragão vive em mansões luxuosas, posa para as Caras da vida com a sua bela esposa e filhos, briga com o mala Dedé Santana pelos méritos, mas se fosse para fazer justiça, ele deveria construir uma estátua do Mussum nos jardins suntuosos do seu lar. Injustiça da minha parte? Não, pelo contrário. Sem o Mussum, nada seria como foi.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: Meninas Malvadas

Houve momentos na história do cinema que mostraram produções capazes de influir, sozinhas, em toda a indústria cinematográfica, criando escolas de linguagem, sendo precursores de estilo, tanto em termos estéticos e de efeitos como em termos narrativos e interpretativos. Falo de filmes como o Nascimento de uma Nação, clássico nojento racista de D.W. Griffiths, mas que marcou praticamente o início da linguagem do cinema e do ritmo que um filme deveria e passaria a ter depois de então; de um E O Vento Levou, trazendo os épicos pela primeira vez; de um Cidadão Kane, revolucionário em estilo e narrativa; de um Uma Rua Chamada Pecado, que marcou o início da escola de interpretação conhecida como método; de um Acossado, de Godard, que marcou o início da Nouvelle Vague; Sétimo Selo, A Doce Vida, O Poderoso Chefão, Laranja Mecânica, Blade Runner, Pulp Fiction, Matrix, Clube da Luta, todos esses filmes foram capazes de, em maior ou menor escala, causarem uma revolução no modo das pessoas encararem o cinema. Mas nunca, em toda a história, desde que os irmãos Lumière resolveram brincar de fazer câmeras, um filme serviu tão bem como retrato de uma geração como o Meninas Malvadas (Mean Girls, 2004).

O filme marcou a primeira vez que Lindsay Lohan saía dos domínios da Disney para atuar pela companhia de filmes do produtor do Saturday Night Live, Lorne Michaels, e foi escrito pela ex-roteirista e atriz do programa, Tina Fey. Contava a história (tenho de ser técnico aqui, calma que é um resumo rápido, faço isso por vocês, pô!) de uma adolescente interpretada pela Lindsay (milagrosamente não chamando Lola, e sim Cady) que passou a infância com os pais na África e que vai para os EUA e entra num colégio dominado por uma turma de meninas populares chamadas garotas plásticas. Lindsay, ops, quer dizer, sua personagem, Cady, no começo é hostilizada, mas logo conquista a confiança da líder das garotas e acaba entrando no grupo, dando início a uma cadeia de eventos que resulta na dissolução do grupo. Genial, não? Complexo, inventivo, cheio de minúcias e detalhes, o filme é, sem dúvida alguma, a maior produção adolescente da história da humanidade (alguém falou no Acossado aí? Não? Abafa.).

Exagero? Não. Tina Fey mostrou que não deve nada a um François Truffaut da vida, jogando com as imagens, criando metáforas brilhantes (tá acabando a cota de adjetivos) entre o ambiente do colégio com o de uma selva africana, toda a crueldade e subjugação dos mais fracos pelos mais fortes. Um fiel retrato da futilidade que permeia o mundo adolescente do mundo contemporâneo, não só nos EUA, o que torna, indiretamente, o apelo do filme universal. Agora, a prova-mor do talento de Lindsay. A líder das garotas plásticas, papel vital na trama por ser a nêmesis da personagem de Lindsay e virtual vilã do filme, foi feito pela atriz Rachel McAdams, famosa pelo filme meloso Diário de uma Paixão. Rachel nasceu em 1976. Ou seja, é exatamente 10 anos mais velha que Lindsay Lohan, e no filme interpretou uma personagem da mesma idade com um peso fundamental na trama.

Qual conclusão tiramos disso? A de que o Lorne Michaels é um cara muito esperto. Ele sabe que se colocasse uma atriz jovem e inexperiente para contracenar com Lohan, a atriz iria tomar um baile da Lindsay e a personagem seria engolida, o que seria mortal para as ambições do filme. Então, ele tomou a polêmica decisão de escalar uma atriz muito mais velha, porém experiente. E mesmo assim, Lindsay Lohan não se diminuiu em momento algum do filme, encarando de igual para igual a Rachel McAdams. Não é a toa que o cara é o manda-chuva do SNL faz duzentos anos. Devemos reconhecer quando assistimos a história ser escrita na nossa frente. E nesse caso, digo com galhardia que Meninas Malvadas será sempre lembrado como um momento definitivo na história do cinema (tá bom, pessoal do hospício, já tô indo, podem botar a camisa-de-força).

PLANTÃO FOMOS AO CINEMA

Hoje, 26 de junho de 2007, Paris Hilton, socialite e atriz pornô amadora americana, foi solta depois de 24 dias de prisão. É, lá se foi a esperança daqueles que acreditavam na reabilitação da Lindsay...

Mês Lindsay Lohan: Herbie - Meu Fusca Turbinado

Se a vida fosse como nos filmes... Todo cinéfilo, profissionalizado ou não, um dia já se pegou suspirando esse chavão. Nossa abordagem do caso Lohan poderia se resumir, muitas vezes, a ele. Principalmente agora, quando a gente resolve falar de um filme divertido e ingênuo como Herbie - Meu Fusca Turbinado (Herbie Fully Loaded). Aí, a gente vira criança mesmo e deixa a imaginação correr solta.

É o quinto filme que o personagem Herbie protagonizou, com um intervalo de vinte de cinco anos entre A Última Cruzada do Fusca, de 1980, e este, de 2005. Não conto o de 1997, Se Meu Fusca Falasse, porque foi feito pra televisão. Ora, vinte e cinco anos se passaram até os produtores da Disney, que nunca sofreram por falta de autoconfiança (na verdade, antes, por excesso dela), sentirem que ainda podiam lucrar com uma de suas mais clássicas franquias cinematográficas. O que os teria despertado para se lançarem nesse empreendimento?

Vocês já sabem a resposta, né? Lindsay Lohan, é claro. A ascensão de uma atriz adolescente com o carisma e talento dela foi ao encontro do elevado propósito de, ainda uma vez, trazer alegria e diversão para a garotada, que andava muito triste pelo mundo, através das aventuras daquele fusquinha muito simpático e malandro, o Herbie. De fato, era necessário um ator que tivesse o mesmo carisma que o Herbie. E enfim encontraram.

Existe uma correspondência muito curiosa entre Lindsay e a imagem que sempre procuraram dar ao carrinho: que é aquele equilíbrio entre a esperteza e as intenções boas e puras. Ou seja, aquela coisa da infância, né? Juntos, Lindsay e Herbie aprontam muito, mas pra se livrar das ciladas do vilão. São dois malandros, de épocas diferentes, que se encontram. E acho que nesse filme Lindsay demonstrou com muita clareza o tipo de mundo em que ela seria feliz, em que ela se daria bem: onde bem e mal estão muito bem definidos, e a pureza e a bondade sempre prevalecem. (Ah, e uma curiosidade: dois dos quatro roteiristas do filme são Alfred Gough e Miles Millar, criadores de Smallville: legal, né?)

Bom, a parte do chavão com que eu comecei é agora. Porque não dá pra assistir a um filme tão bonitinho e otimista, como Herbie - Meu Fusca Turbinado, sem sair depois lamentando a vida, e principalmente a vida de Lindsay Lohan. No filme, ela tem um pai como Michael Keaton: meu, se ela tivesse, na vida real, um pai como Michael Keaton (meu, o cara foi o Batman! O Batman, meu!), essa menina estaria por aí rindo, pulando, brincando. Seria lindo, maravilhoso. Mas não. Em vez de Michael Keaton, combatente do crime e eventualmente ator, Michael Lohan, bebum e jogador.

E por que, como nos filmes, Lindsay não poderia comprar um carrinho por US$ 75 que lhe ensinasse o verdadeiro valor da amizade? E que a levasse pra longe, pra Flórida, pra correr e vencer na Nascar? Lindsay, como você acreditou no Herbie e fez dele um campeão em Nascar, nós acreditamos em você.

O silêncio dos moderados

Muitos duvidaram de nós, disseram que não íamos conseguir: levar um mês inteirinho falando sobre Lindsay Lohan? Loucura! O Camarada Moderado nos advertiu de que o assunto se esgotaria rápido. No entanto, lhe apresentamos uma pauta, um planejamento, e terminamos por convencê-lo. Ainda que muito moderado, sempre foi um homem de visão - assim, deu-nos a chance de provar nosso valor. Um homem de visão, mas prudente. Deu-nos essa chance, mas não desconsiderou os riscos, a possibilidade de fracassarmos. Ficou à espera.

Mas viu que demos conta do recado, por isso silenciou nos últimos dias, abrindo espaço para nós. Digo isso porque vocês podem estar pensando: Será que o Camarada Moderado está em férias? Será que ele brigou com o Progressista e o Fundamentalista? Será que ele arregou? Será que ele não tem assistido a filmes como Habana Blues para comentá-los? Será que ele arregou?

Não, minha gente, não é nada disso. O que parecia um sonho, uma loucura, está se realizando - chegamos à última semana do Mês Lindsay Lohan, com aquela sensação de trabalho bem feito, de missão cumprida -, e o Camarada Moderado comemora conosco: à sua maneira, rende-nos um louvor, pois, renunciando à sua habitual eloqüência, muito sucinta e incisiva. Muito moderado, não rasga seda, não se desfaz em elogios freqüentemente vazios. Se algo estivesse errado, se as coisas fossem mal, se manifestaria. Mas as coisas vão bem. Por isso, seu silêncio é a honra que nos presta. E o silêncio dos moderados é o mais alto reconhecimento que podemos esperar.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Lindsay Lohan

E pela última vez, Lindsay é a Tetéia da Semana. Quantas lágrimas não rolaram, não? Tristezas épicas, felicidades fulgurantes, leitores dando risadas às custas da nossa bela Junkie Girl. Essa semana encerra o já inesquecível mês Lindsay Lohan, mas isso significará que nós nunca mais falaremos dela nesse blog? Não sei. Eu não mando nada aqui, meus patrões, Moderado e Fundamentalista, escolhem todos os rumos desse site. Obrigado Lindsay (???), por tudo, e garantimos esforços sobrehumanos para finalizar em grande estilo! Semana que vem, quem será a Tetéia hein? Hein? HEIN?


domingo, 24 de junho de 2007

Lindsay cancerianus est

O negócio é o seguinte: eu sei a chave de todos os problemas que assolam a vida da Lindsay Lohan. O motivo já foi antecipado brilhantemente num post do Fundamentalista (estamos muito bonzinhos um com o outro ultimamente, tá na hora de voltarmos para as boas e velhas ofensas), Lindsay deve todos os seus problemas, eu digo, para desespero dos que gostam de textos sóbrios, TODOS OS SEUS PROBLEMAS, para o dia que nasceu, 2 de Julho de 1986. Por que você diz isso, Progressista? O que o dia de nascimento da menina tem a ver com o seu comportamento exasperado e autodestrutivo? Você escreve esse post sobre o efeito de algum etílico? Não. Explico-te. Pessoas nascidas no dia 2 de Julho nascem sobre o signo do zodíaco Câncer. Ha!, é isso, pô? Vai vir com essa bobagem de astrologia de novo? Cala a tua boca, moleque! Deixe-me aprofundar na matéria, por favor. Vejam bem, nos últimos dois anos, Lindsay entregou-se totalmente ao prazer mundano das drogas (rumores), bebidas (comprovadamente), e rock'n roll (nada indica que ela goste do gênero), comprometendo frontalmente a sua até então bem encaminhada carreira. Como consequência, foi alvo de críticas de todos os lados, pessoas que trabalharam com ela, nos filmes e discos, apresentadores, comediantes, e até, vergonha mor, da Rosie O'Donnel. Aí é demais! Todos metendo o bedelho na vida da menina. Intrusos sem convite numa festa de escárnio e humilhação. Mas nenhum desses tolos entenderam realmente a confusa psique da menina e os fatos que a empurraram para o submundo. Por exemplo, olharam eles para a criação que a garota teve, os valores passados por seus pais? Ou então, a total falta dos mesmos, já que o pai é um golpista que já foi preso por sonegação de impostos, direção alcoólica e agressão, tendo passado muitos anos da adolescência de Lindsay atrás das grades? E a mãe, o que fez para atenuar essa situaçao calamitosa? Tentou proteger a filha, dando atenção, conforto, carinho, propiciando condições para que ela pudesse evoluir como pessoa mesmo com os problemas do pai? Que nada. Sempre tentou colocar a filha desesperadamente no mundo artístico, expondo a menina despudoramente aos holofotes, tirando dela o sustento de um lar destruído pelas cafajestagens de um pai escroque. Ai que entra, gloriosamente, a questão dela ser canceriana.

O fundamentalista, no citado post em cima, comparou o comportamento de Lindsay com um notório canceriano, Franz Kafka. Lembremos então do livro póstumo publicado em cima de anotações dele, "Carta ao Pai", no qual Kafka aproveita para fazer uma carta, a qual ele sabia que jamais teria coragem de entregar, relatando ao pai todo o abuso psicológico por ele sofrido, já que seu pai era um sujeito desagradável sempre pronto para jogar ofensas na cara dos filhos, o que deixava o já naturalmente atormentado Kafka totalmente perdido. Vejam bem, para os cancerianos, nada importa mais que a familia. A casa é o único chão que um canceriano realmente consegue pisar e se sentir seguro. Por isso, ter a aprovação dos pais é tudo o que eles realmente precisam para terem coragem de encarar o mundo, notórios chorões que são. Pais que são estúpidos, grossos ou mostram comportamento incostante acabam praticando imensos transtornos psicológicos nos cancerianos. Pelo comportamento agressivo do pai, Kafka sofreu uma vida toda (lenços por favor), embora esse sofrimento e desalento tenham gerado alguns dos livros mais espetaculares da literatura moderna. O engraçado no livro todo é que Kafka, embora aponte os erros do pai, sempre tentava ao máximo não soar desrespeitoso. Ha, a classe canceriana...

Lembram do meu post falando da música que a Lindsay fez para o pai? Então, a música é, SEM SOMBRA DE DÚVIDA, o Carta ao Pai de Lindsay. Ela aponta os erros, pergunta ao pai se ele realmente a ama, mas deixa claro sempre que sente falta dele, apesar de tudo. Por isso, Lindsay só vai suportar a pressão da fama e as tentações dos clubes e baladas da vida quando os seus pais pararem de querer faturar em cima dela e realmente começarem a agir como legítimos progenitores. A Lindsay não é caixa eletrônico de banco não, ENTENDERAM, LOHANS? Bom, encerro aqui a sessão de psicanálise astrológica. Mas, antes, dois adendos pra finalizar: 1- Eu não acredito em Astrologia; 2- Eu sou canceriano. Ha, isso explica muita coisa, né? Vocês que me digam.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Separando o joio do trigo

Em julho de 2003, a revista americana Vanity Fair chamava atenção à suposta abundância de talentos adolescentes na atualidade. Quem só pudesse contar com essa capa seria induzido a acreditar que a afirmação da publicação é, mais do que otimista, factual. Por sorte, temos acesso ao trabalho de todos os rostinhos que aí figuram e, desviando-nos do efeito aliciador da fotografia, podemos colocar as coisas no devido lugar, separando o joio do trigo.

Da esquerda para a direita (clique na foto para vê-la ampliada):

Amanda Bynes: seu único mérito (?) é não ser um produto Disney (mas Nickelodeon).

Ashley Olsen: só ficou famosa por ser irmã gêmea de Mary-Kate Olsen.

Mary-Kate Olsen: só ficou famosa por ser irmã gêmea de Ashley Olsen.

Mandy Moore: calça 41.

Hilary Duff: garota-propaganda do governo Bush, como, com muita propriedade, assinalado pelo Camarada Progressista.
Alexis Bledel: quantos episódios de Gilmore Girls você teve de assistir pra descobrir que, isso sim, era um programa sobre o nada: só que, ao contrário de Seinfeld, literalmente? Quem sabe quando Alexis tiver uma chance de verdade de chegar a algum lugar (Sin City definitivamente não conta), ela deixe de olhar pra gente com cara de assustada.

Evan Rachel Wood: podia ser muita coisa, mas, coitada, se contentou em ser a senhora Marilyn Mason. É isso que eu chamo de excesso de MTV.

Raven: ela faz, faz careta pra gente não dormir, mas a gente dorme, porque That's so Raven.

AND Lindsay Lohan: vide todo o Mês Lindsay Lohan.

O que faz de mim um homem privilegiado? O que diferencia a nós, camaradas, da patuléia? Nosso olhar arguto, nosso gosto refinado, nossa clarividência. E de que, se não me engano, não se pode mais duvidar, depois de colocados à prova por esse jogo de espelhos, por essa nivelação insidiosa, que certamente engana o observador desavisado, mas a nós jamais.

Os 13 Homens e alguns segredos também

Hoje, estréia no país 13 Homens e um Novo Segredo (Ocean's Thirteen), terceiro filme do bando comandado por Danny Ocean, personagem que no filme original de 1961 (faz tempo) fora de Frank Sinatra e agora é interpretado pelo George Clooney, e nos papéis que foram na época dos outros membros do Rat Pack, tais como Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford, entraram Brad Pitt, Don Cheadle, Matt Damon, entre outros astros. Os dois esforços anteriores, Onze Homens e um Segredo (Ocean's Eleven;) e Doze Homens e Outro Segredo (Ocean's Twelve) provaram toda a criatividade dos tradutores brasileiros nos títulos, e... bem... bom...é... realmente, acho que foi só isso mesmo. O único segredo realmente importante que pode-se tirar de todos esses filmes é um só: Steven Soderbergh é a maior farsa do cinema americano, o Jack White com uma câmera na mão e cifras de dinheiro na cabeça. Os três filmes foram dirigidos por ele, que foi ganhador do Oscar de melhor diretor pelo Traffic, em 2000. Um cara com um certo respaldo no meio cinematográfico. Então, por que cargas d'água, nos últimos sete anos, ele tem se dedicado a fazer essa série, provavelmente o maior esforço auto-indulgente da história de Hollywood (nem o Rat Pack dedicaria tanto tempo com bobagens assim)? Qual o comichão que esse sujeito sente que o faz encher a tela com os maiores astros do cinema contemporãneo brincando de atuar, fazendo cara de deboche e dizendo piadas auto referentes a cada dois segundos, um clubinho para o qual eles jamais convidam os espectadores para fazer parte, tudo isso tendo como pano de fundo roteiros vagabundos sobre golpes em cassinos (zzzzzz)?
A justificativa oficial é que Soderbergh, junto com o Clooney, tem uma produtora de filmes, e faz os filmes dos duzentos homens e todos os segredos para bancar projetos mais artísticos e ambiciosos, consequentemente sem tanto apelo de público e mais arriscados comerciamente. Tá, isso é lindo no papel. Mas, vamos para a prática.
George Clooney dirigiu nos últimos cinco anos dois filmes, Confissões de Uma Mente Perigosa, elogiado porém um fracasso nas bilheterias, e Boa Noite e Boa Sorte, esse sim um sucesso de crítica e, pelas indicações ao Oscar que recebeu, de público também (merecidamente, é um bom filme). Provou que é produtivo, pelo menos.
E o Soderbergh? Diretor do clássico cult de 1989, Sexo, Mentiras e Videoteipe, filme superestimado e chato, do canto do cisne da carreira da Julia Roberts, Erin Brockovich, em 1999, que de bom, como todos sabem, tem somente os decotes da Julia e nada mais, o que o Steven fez de bom desde o primeiro filme dos golpistas do Danny Ocean, em 2001? Solaris? Há, dá um tempo. Bubble? O que, alguém realmente assistiu esse filme? Duas produções baratíssimas (se bobear custaram menos que o El Mariachi), e que passaram constrangedoramente desapercebidas nos cinemas do mundo todo, já que tratavam-se de produções "independentes", supostamente a paixão de Soderbergh.
Ok, se o cara ama tanto o cinema underground, por que não usou a grana que ganhou com os Onze, Doze e Treze Homens para fazer filmes realmente interessantes, ao invés de perder tempo com experiências inúteis? É tudo pelo ego mesmo? Colocar George Cloone, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle, Andy Garcia e, agora, Al Pacino, juntos em alguns metros de película e dizer que "ó, quem teve cacife pra juntar toda essa galera fui eu! Se for colocá-los num filme normal, o orçamento de cachês vai ser uns 150 milhões sozinho, certo? Eu sou o cara, entendeu?". Mas aí, você diz que no ano que vem, ele vai lançar dois filmes simultâneos sobre o Che Guevara. Tá, legal. Diários de Motocicleta saiu outro dia mesmo, não foi? Agora, dois filmes seguidos com o mesmo tema, sendo que nos dois filmes Benicio Del Toro, insuportável ator, interpretará o revolucionário mais Pop da história. Imagino o quanto esses projetos farão diferença para o mundo. Todos os chatos adoram o Che Guevara, Walter Salles (aquele que saiu da sala quando o Elia Kazan foi receber o polêmico Oscar honorário, claro, tem todo cacife para fazer isso mesmo) que o diga. Mais uma vez, Soderbergh vai apelar para ganhar alguns trocados as custas da patuléia, já que Brad Pitt e Clooney afirmaram que a série dos Homens acabou.
Soderbergh está a deriva, sem os seus astros que trabalharam por caridade para ele em três filmes. O mundo que se cuide: bocejos e truques desonestos de edição virão por aí

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Vida e arte de Lindsay Lohan

Toda semana Lindsay Lohan proporciona a tablóides e blogs de meninas amargas e despeitadas, que não se conformam com o fato de alguém ser tão bonita e ao mesmo tempo tão talentosa, motivos pra preencher suas pautas medíocres. Mas onde essas serpentes só enxergam escândalos e vexames, na verdade, se esconde a fonte de sua criação artística.

A pergunta que se coloca, diante da filmografia que ao longo deste mês procuramos expor da maneira mais detalhada e isenta possível, é: de onde uma moça tão jovem e naturalmente inexperiente retira material para dar tal profundidade e nuances a suas personagens? Pois o que a maioria se contenta em explicar apelando, de modo muito vago, à “precocidade”, demonstrarei que está decisivamente associado ao estilo de vida autodestrutivo da atriz. Exatamente: são as bebedeiras e orgias em que vive se metendo Lindsay que lhe fornecem substrato para transpor às frias telas de cinema, com tanta intensidade, a contraditória natureza humana.

O aparato crítico para tanto, não se surpreendam, o encontraremos em Nietzsche. Em sua estética – que, como sabem, equivale a uma filosofia da vida – baseada no par, num primeiro momento, opositivo: apolíneo e dionisíaco. Com esses dois conceitos – na verdade, dois princípios, duas forças imperantes da natureza –, Nietzsche explica o fenômeno artístico em geral.

Apolo é o deus da luz, e o princípio que personifica é o do equilíbrio, da harmonia, da bela aparência. Ou seja, está presente no ato consciente, racional e lúcido do artista à procura da forma bela, guiado pela noção da plasticidade (portanto, uma questão da visão): por isso, a escultura é, nesse caso, a arte mais emblemática, na qual esse princípio se cumpre de maneira mais evidente. Aqui, o belo é uma fuga ao sofrimento.

Ao passo que Dionísio é conhecido como o deus da orgia, da embriaguez, ou seja, da liberação das forças ocultas do inconsciente, da dissolução da personalidade. É a experiência quase mística, isto é, de fusão do indivíduo num todo maior, que lhe transcende, proporcionada pela música. Trata-se de mergulhar de cabeça em tudo o que diz respeito à exuberância e opulência do que é vivo, inclusive a dor.

Esses dois princípios estão em constante luta, procurando um sobrepor-se ao outro, e eis o que é a Camarada Vida. Nietzsche, no entanto, via a tragédia clássica como a confluência de ambos. Ora, sr. Nietzsche, não só a tragédia clássica, como também Lindsay Lohan, como podemos concluir, vencida essa soporífera exposição.

Em que consiste a arte de Lindsay? Em se aprofundar naquilo que há de mais humano, e da maneira mais intensa possível, que é através da cachaça (sem mencionar outras drogas mais pesadas: cocaína, Jude Law...), e a partir daí, já num estado de distanciamento e absoluto controle dos recursos dramáticos, elaborar uma persona que, aos mais incautos, comunica apenas um encanto, uma beleza de sonho (a bela aparência do apolíneo), mas na qual se concentram tensões muito reais e sutis (a violência latente do dionisíaco, sempre prestes a dominar o indivíduo). O aspecto dionisíaco de sua vida lhe proporciona a riqueza inesgotável das sensações e desejos que o apolíneo converterá numa performance coesa e assimilável pelo espectador, dito grosseiramente.

Portanto, estamos diante de alguém que, no sacrifício de seu próprio bem-estar e de sua integridade física, lega ao mundo – arte. Ah, mas pelo menos nós, camaradas, não o esqueceremos.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: Resenha do Disco "A Little More Personal (Raw)"

Não tinha jeito. Nós, ambiciosos e ousados blogueiros, quando decidimos dedicar um mês temático para a Lindsay Lohan, sabíamos que, cedo ou tarde, deveríamos tratar do ponto mais delicado e controverso da carreira da junkie girl: a parte musical da história. Lindsay lançou dois discos, separados pelo espaço de um ano apenas. Em 2004, lançou Speak, um disco vagabundo feito com o propósito de testar a recepção da mídia e fãs para uma possível carreira musical de Lohan, com faixas produzidas a toque de caixa e sem o menor preparo que fosse adequado a um lançamento desse. A verdadeira estréia de Lindsay veio menos de um ano depois, com esse disco entitulado "A Little More Personal (Raw)". Ela deu entrevistas antes do disco dizendo que queria participar ativamente de toda a produção, escrevendo letras e produzindo faixas inclusive, o que acabou acontecendo, já que das 12 músicas, Lindsay co-escreveu 8, restando duas covers e apenas duas músicas não escritas por ela. Uma verdadeira façanha para uma atriz de 19 anos de idade sem qualquer experiência. Principalmente se lembrarmos que a cantora de maior sucesso da nova geração das princesinhas da Disney, Britney Spears, foi somente tentar escrever alguma coisa no seu quarto disco, e esse é o ganha pão dela, já que como atriz ela é uma excelente interna de hospício.
Louvável! Sim, já sei o que vocês estão pensando, que quando cantoras jovens tentam escrever letras e melodias sempre acaba dando desastre, vide as Kelly Clarksons da vida. E nesse caso, chegou perto disso. O disco falha em diversos sentidos. As duas covers, uma do Cheap Trick (acredite se quiser), I Want You To Want Me, e a outra da Stevie Nicks, Edge of Seventeen, são artificiais e totalmente desprovidas de vida e propósito. A voz dela, mesmo com o Pro Tools, soa muitas vezes fora de tom e longe de qualquer tipo de técnica vocal mais desenvolvida. Agora, vamos ao material escrito por Lohan. Expectativa. Tensão. Olhares tortos. O que será que ele vai dizer?

Bom, o que vocês poderiam esperar? Não dá pra você tentar escrever um disco sendo primeiramente atriz, tendo 20 anos e sair fazendo letras dignas de uma Patti Smith, pô! Milagre agora? Mas, embora nada do que tenha sido escrito e composto por Lindsay seja digno de figurar numa lista de melhores da história, gostaria de propor a vocês uma fixação de ponto, em algo que salvou o disco de ser um desastre completo: o tom confessional adotado por Lindsay nas letras. Mesmo nos momentos mais maçantes, mesmo sobrecarregadas pela instrumentação padronizada que infesta os discos contemporâneos, com bases eletrônicas pré-gravadas e melodias muitas vezes paupérrimas, louvou-se, com justiça, a vontade mostrada por Lindsay de expor os seus medos e inseguranças no disco, ao invés de apelar para o caminhos mais fáceis.

Uma música em especial acaba sendo o maior acerto do disco e uma mostra de que algo mais valioso poderia ter sido tirado dessa experiência: o primeiro single e primeiro clipe, Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father). Uma música com destacada alma e vivacidade, corajosa em todos os sentidos, ou é comum que uma estrela pop lance como primeiro single dos seus discos uma música na qual implora respostas e amor ao pai golpista e escroque? Normalmente elas lançam musiquinhas sobre amores baratos, paquerinhas tolas ou, nos piores casos, odes indiscrimados às orgias no mundo contemporâneo (essa é sua, Nelly Furtado). É comovente ouvir na música a garota, tão bajulada e adulada, chamando pelo pai de uma maneira emocionada e verdadeira, realmente passando para o ouvinte a sensação de desamparo que ela deve sentir sempre. Lindsay, como sempre fez na carreira, preferiu usar esse projeto, visto pelos seus empregadores como ferramentas para lucros infinitos, para traduzir as suas experiências de vida em música, e o resultado, embora longe de ser considerado o maior momento da música pop, mostrou mais uma vez que Lindsay Lohan é especialista em tirar algo de onde somente existiria a mediocridade, mesmo indo contra todo um sistema que padroniza artistas e coloca-os numa mesma embalagem sonora porca e limitadíssima. Por isso que consegue sempre dar dignidade aos projetos normalmente tolos que topa participar.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Fim do casal Íris e Alemão!

No sofá com Sônia Abrão, discutimos ela e eu, Camarada Fundamentalista, a separação de Íris e Alemão, algo que pegou todo o mundo, principalmente os milhares, digo, milhões de fãs do casal, de surpresa.

Sônia me expõs pormenorizadamente todos os fatores que, segundo ela, poderiam ter influenciado a triste decisão. Desmentiu, inclusive, o boato absurdo, publicado pelo Diário de S. Paulo, que nomeava a apresentadora Eliana como pivô do rompimento. Ela e Alemão se conheceram na festa do 7º Prêmio Contigo!.

Para mim, como expliquei a Sônia, aproveitando sua observação quanto ao temperamento apaixonado de Íris e a como esta se entregou integralmente no relacionamento com o Alemão, que era preciso construir sobre a evidentemente sincera paixão entre eles sólidos vínculos afetivos que, infelizmente, por causa do momento profissional que ambos vivem, acabaram sendo impossibilitados. "Sônia, é sabido que para os artistas é um processo muito difícil e demorado esse de conciliar a vida pública e a vida pessoal; exige, como se diz, jogo de cintura. É uma questão extremamente séria. Muitos acabam se destruindo justamente por serem incapazes de se equilibrar entre as duas vidas. Você vê o caso de Lindsay Lohan: ela está obviamente perdida."

Sônia concordou comigo.

Mês Lindsay Lohan: Sexta-Feira Muito Louca

Eu já tinha falado um pouco desse filme num texto anterior (tô com preguiça de botar link, desculpas para todos), mas como nós somos minunciosos e precisos em todos os nossos esforços, falaremos desse filme mais profundamente . Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday, 2004) é uma refilmagem de um filme do mesmo nome de 1976, dirigido por Gary Nelson (quem?) e estrelado pela Barbara Harris (quem?) e pela Jodie Foster (a, agora sim), e contava a história de uma mãe solteira sempre em atrito com sua filha mais velha e que, depois de um truque roteirístico vagabundo, acabam trocando de lugar uma com a outra, para (lá vem clichê) finalmente pararem de encrencar uma com a outra ao sentirem na pele o quanto é difícil ser mãe e filha e finalmente encontrarem a harmonia familiar. Tocante. Bom, o filme de 76 foi um sucesso mediano, mas por algum motivo os geniais executivos da Disney acharam uma boa idéia fazer uma versão "moderna" (como se os anos 70 fossem parte do período Mesozóico) do filme, e nos papéis que foram de Harris e Foster no original escalaram a Jamie Lee Curtis (filha favorita da Janet Leigh) e ela, a menina, a junkie, o mito, Lindsay Lohan, respectivamente.

O resultado foi um sucesso de bilheteria e um surpreendente respaldo dos críticos, que consideraram o filme acima da média dos esforços adolescentes hollywoodianos, principalmente quando se trata da Disney. Tudo isso é muito bonito, mas a pergunta é: esse respaldo foi merecido? E se , realmente, o filme mereceu esses louros, a quem devemos dar crédito? Perguntas difíceis e complexas, mas que serão, sim, respondidas por mim, livre arbitrador da verdade e da justiça. Eu não tenho o menor pudor em afirmar, categoricamente, aonde mora a verdade, na minha opinião: todo o sucesso do filme merece ser debitado na conta da Lindsay Lohan, tão e somente. Aí, você diz: "Mas como assim, Progressista? E a coroa ajeitada da Jamie Lee, não tem mérito no bagulho não?". Calma, que eu explico. Falemos das atuações, um dos dois fatores que podem fazer a diferença num filme desses (o outro sendo supostas sacadas inteligentes de roteiro. Ou vocês imaginam que um filme que fala de troca de mentes entre mãe e filha por culpa de um biscoito chinês terá o mínimo comprometimento com qualquer coerência narrativa? Ingênuos).

Enquanto que a Lindsay se preocupou em repetir todos os maneirismos da Jamie Lee Curtis, compondo uma atuação brilhantemente eficiente e surpreendentemente séria para um filme tão boboca, a Jamie Lee pensa que atuar passando-se por adolescente significa fazer caretas, soltar grunhidos, ficar socando o ar a cada cinco minutos sem motivo aparente, úm desastre completo, sendo que a maneira que a Lindsay compôs a sua personagem não condiz em nada com a imitação escolhida pela Jamie Lee. A personagem criada pela Lindsay era uma adolescente atormentada pela morte do pai, em visível crise emocional, mas discreta e sem tendências para melodramas e exageros. Aí vem a senhora Curtis e joga tudo pro alto gritando e esperneando que nem uma maluca. Aí fica difícil. Mas os críticos adoraram ver a velha tocando guitarra e fazendo chifrinhos para o alto. Deprimente. E pela primeira vez na sua carreira, já em seu segundo filme, Lindsay Lohan consegue fazer de uma produção fraquinha um filme muito acima da média, algo que tornaria-se constante na sua vida profissional, até o dia que ela resolveu brincar de roleta russa com a propria vida e carreira. Mas falaremos mais sobre isso em breve, aguardem (que entrem os comerciais, por favor).

segunda-feira, 18 de junho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Lindsay Dee Lohan

Depois de toda a tristeza da foto da semana anterior (que fez muitos leitores e um camarada caírem nas lágrimas), vamos colocar uma foto mais fofinha (ui!) da Lindsay aqui. Essa é a penúltima semana que ela será Tetéia, já que o mês Lindsay Lohan terá o seu fim no dia do aniversário dela, 2 de Julho, contando inclusive com uma mega festa que terá a presença dela, Lindsay Lohan em pessoa. Mais detalhes no decorrer da semana. Mês Lindsay Lohan: faltam 13 dias para o fim.

domingo, 17 de junho de 2007

Hablando de música

A música pop/popular ocidental se baseia em cinco grandes pilares: EUA, Reino Unido e afins (estou falando de vc, Irlanda), Cuba, Jamaica e, por incrível que pareça, o Brasil. Existe uma possibilidade grande de que qualquer música que vc pegar feita hoje em dia, nesse lado do hemisfério, tenha uma influência, nem que seja mínima, dessas regiões (senão de todas elas, na verdade o mais provável); a força harmônica dos dois países desenvolvidos juntou-se com o peso rítmico dos países latinos, criando o que se ouve hoje em dia.

Comecei a falar disso, pois queria falar de um filme que fala sobre música: Habana Blues. Numa sinopse breve, o tal filme mostra músicos cubanos tentando obter sucesso e, com isso, sair fora do país que vivem: Cuba. Com os protagonistas do filme, nós, os expectadores conhecemos não só a maravilhosa capital de Cuba ( pelo menos arquitetônicamente), como o espectro musical cubano atual ( que, pra variar, repleto de boas bandas). Além daquelas similariedades que nós só encontramos nos latinos e nos celtas ( logo alguns cientistas vão descobrir que os irlandeses são latinos também): aquele jeitinho, a malícia, a religião católica e suas influências e a habilidade extraordinária para dar festas.

O filme não é nenhuma obra de arte, mas para começar a se aventurar pelo mares do Caribe e conhecer sua música, nada mais perfeito. Está feito o convite e vamos de Chevrolet 52.

sábado, 16 de junho de 2007

Camarada Fundamentalista barraqueiro

Eu tava no busão e ouvi uma conversa assim:

- Cê tá loco, zé? Sou muito mais a Lindsay Lohan que a Amanda Bynes, aquela tonha!
- Deixa de ser sangue-no-zóio, jão! A Amanda Bynes é princesinha. A Lohan é mó perva!

Aí, eu levantei na hora e falei pro maluco calar a boca e ficar pianinho. Tipo, querer gostar daquela tonha da Amanda Bynes era problema dele. Mas daí vir falar da Lindsay já era demais.

Parti pra cima. O busão lotado, e a porrada rolando solta. Até que uma mina falou: “Tudo isso por causa daquela zinha, o Jude Law e o James Blunt...”

Nem dá pra repetir o resto. Só sei que perdi as forças ali mesmo. As pernas ficaram moles, a cabeça mais leve. Se não fosse por uma dona gordona me segurar, tinha enfiado a testa no ferro do busão. Parece que o cara ficou assustado, e ele e o amigo fugiram, descendo no ponto seguinte.

Aí, me deitaram no banco, e o motorista parou o busão. Zonzo, com as vistas embaçadas, eu levantei a cabeça e vi a mina que tinha falado aquele negócio, a cabeçona dela enfiada no meio do povo ao meu redor. Então, perguntei, baixinho, apontando pra ela:

- Qual é o seu nome?
- O meu? – assustada.
- É.

Ela fez cara de estranhamento, mas respondeu:

- Ah, é Camila. Por que?

Então, antes de apagar de vez, eu disse:

- Camila, cê é mó perva.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Classic Hollywood: Máximas

Algumas verdades sobre os protagonistas da era de ouro hollywoodiana, cortesia do Progressista:

Mágico de Oz foi o primeiro filme psicodélico da história
Scarlett O'Hara era ninfomaníaca
Os filmes infantis da Disney sempre usavam alegorias sexuais como mensagens subliminares
Montgomery Clift era gay
Rock Hudson era gay também
Marlon Brando era bissexual
Ava Gardner também era bi
Vivien Leigh era maníaca-depressiva
Bing Crosby era cachaceiro e descia a porrada nos filhos, tanto que dois deles se suicidaram
Humphrey Bogart também era bebum
Judy Garland então, só não bebia água de privada
Marilyn Monroe dormiu com todos os homens de Hollywood, políticos, mafiosos, e com algumas mulheres também
Yul Brynner tinha vergonha e escondia ser russo, fingindo passar por suíço
James Dean, o "rebelde sem causa", era apenas um pacato filho de fazendeiros
Elizabeth Taylor parou de contar os seus casamentos no trigésimo quinto
Alfred Hitchock odiava atores
James Stewart era racista
Clark Gable era disléxico e homofóbico
Errol Flynn era anti-semita
John Wayne odiava índios, era racista, homofóbico, misógino, anti-semita, desertor e, pior de todas, era republicano
Frances Farmer não teve a sua vingança em Seattle

Depois de tudo isso, ainda têm a coragem de pegar no pé da Lindsay Lohan.

Funeral, do The Arcade Fire (e Lindsay Lohan)

Agora sim, comento Funeral, do The Arcade Fire. Aí, você me diz: “Ah, mas esse disco é velho, e eu já ouvi ele inteirinho; não preciso que você me diga o que esperar.” Aí, eu te respondo: “Egocêntrico! O mundo agora gira ao seu redor, e eu não sabia? Deixa eu curtir essa minha descoberta abortiva, pomba!”

Bom, pra começar, eu fiquei me perguntando por que é que esses caras não estão fazendo sucesso, que nem os Smashing Pumpkins um dia fizeram, com Mellon Collie and the Infinite Sadness, que, apesar de alguns hits de rádio, era, além de duplo, no geral um álbum bem difícil de se escutar. Eu sei que Funeral vendeu bastante, mas bastante pra uma banda indie. Puxa, se eles agradam um séquito tão eclético de chatos famosos, como Chris Martin, Michael Stipe e Bono (que sono... zzzzzzzzzzzzzzz...), mereciam mais do que o sucesso de uma banda indie.

O Camarada Progressista aponta, a propósito da dificuldade de romper com essa relativa obscuridade, o barroquismo. Mas o fato é que, por causa ou apesar desse barroquismo, dá vontade de sair cantando com eles. Você ouve e fica pensando “mas que banda legal!”; e, olha, pelo que eu sei, é nessa locução simplória, boboca mesmo, que se esconde o pote de ouro. Imagina a molecada pelo mundo todo falando “mas que banda legal!”: 3 milhões de cópias vendidas e por aí vai. Mas aí o Progressista vira e me diz assim: “Mas, camarada, isso é você, que é muito refinado e tudo; mas o povo, o povo é tosco!” (Às vezes, ele é muito elitista.) E aí eu respondo: “É, camarada, eu sei disso, eu sei que eu sou muito refinado.”

Um cenário ganha forma em nossa mente, ao longo do conjunto Neighborhood: crianças brincando na neve, enquanto os adultos velam o falecido em casa. E não brincam – ou melhor, cantam – porque ignoram o que está se passando, mas porque, como em muitas culturas, cantar é a melhor forma de enfrentar a morte. Funeral é uma celebração da vida atravessada pela morte: quem disse que a morte é silêncio? No entanto, esta atitude não exclui a melancolia, por isso cabe a paradoxal formulação – festividade melancólica – pra sonoridade da banda. Porque, se eles te chamam pra cantar e os vizinhos pra dançar, é porque a tristeza está presente, a ponto de se tornar desespero.

Mas o que eu mais gosto em Arcade Fire é o caráter postiço deles. Explico: por mais que o som pareça, a gente sabe que não é anos 80. É uma versão elegante pra uma época kitsch, apelando pra outro paradoxo, que talvez possamos resolver respondendo à seguinte pergunta: o barroco é kitsch?

Outra coisa que foi decisiva, pra mim, pra dar o meu restritíssimo selo de qualidade pra banda foram as viradas do álbum. Olha, fazia tempo que eu não ouvia uma virada que não passasse de engodo, de picaretagem: sabe, só pra encher lingüiça e esticar alguma música que ninguém vai ouvir mesmo, porque não é o hit do disco. Une Année sans Lumière e Wake Up, por exemplo, contêm genuínas viradas, coesas, finalizações apoteóticas que, no caso deste álbum, acenam para uma grande catarse.

E, aí, você, muito astuto, me pergunta: “E a Lindsay Lohan, onde é que ela entra nessa história?” Bom, e aqui eu vou ser simplesmente genial, talvez haja nesse elemento postiço do Arcade Fire outra chave para compreender o encantamento que Lindsay exerce sobre nós: como rainha dos anos 80 desencontrada, seu charme é do tipo nostálgico, que, mesmo vestindo-se das cores do presente, sugere uma Idade de Ouro que infelizmente nunca existiu, mas que teimosamente insistimos deslocar para essa década, em que todos os exageros eram desculpados, na verdade, estimulados, porque éramos todos inocentes, infantis e bobos.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Já dizia Francisco Alvim, no seu poemeto:

LUTA LITERÁRIA

Eu é que presto

Hilary Duff: A Hipócrita Nêmesis de Lohan

Uma das disputas mais fantásticas ocorridas nessa primeira década do século deu-se entre as duas queridinhas da Disney na era pós-Britney Spears (sempre considerando a contextualização pós-moderna como parâmetro, logicamente), Hilary Duff e Lindsay Lohan. Uma disputa que fez o mundo perder o fôlego com os seus contornos dignos das mais incríveis histórias de um Garcia Marquez da vida. Duff foi revelada pelo seriado Lizzie McGuire, clássico do fabuloso canal Disney Channel, e depois fez carreira (espaço agora para os engraçadinhos soltarem alguma gracinha) em filmes adolescentes e discos, adivinhem só, para adolescentes.As duas cumpriram uma função estratégica vital dentro da companhia fundada pelo obsessivo-compulsivo Walt Disney: levar a marca para outras audiências além do nicho infantil. Agora, a embalagem vendida pelas princesas pop é o ponto de divergência entre as duas.

Enquanto a Lindsay Lohan mostrou desde o primeiro momento uma clara diferenciação dramática que sempre levou os seus costumeiramente medíocres filmes para um patamar mais digno, e no campo pessoal acabou se entregando a um modo de vida monástico e degradante, transformando-se numa verdadeira junkie girl de comportamento que não faria feio entre os rockstars da vida, Hilary Duff sempre foi um símbolo da América careta e republicana. Não é de se surpreender que a Lindsay seja nova-iorquina e a Duff texana. Com certeza isso foi pensado pelos geniais executivos Disneyanos como estratégia de Marketing para cooptar e ser simpático a maior parcela possível da audiência adolescente. Hilary Duff acabou exemplificando o modelo perfeito da adolescente babona, a princesa que não peca, coloca os valores familiares acima de tudo e fica sempre a espreita esperando a vinda do príncipe encantado para, inevitavelmente, viver uma vida regida pelos valores morais rígidos que são padrão na América de Bush. Lógico que tudo isso sempre no campo da fantasia, já que na vida real todo esse panorama acaba sendo motivo de risos para qualquer cínico desse mundo. Mas Duff persiste sempre com a sua obstinada tarefa de tornar o mundo um lugar mais chato e hipócrita de se viver, com os seus discos horrorosos, sua total falta de aptidão como atriz, o que acaba tornando os seus já ridículos filmes tarefas dignas de arrumar um lugar no céu depois de tamanho sofrimento.

Hoje, as duas são modelos opostos, como se a Hilary fosse uma boneca Barbie vestida com adornos e tomara-que-caias rosas, e a Lindsay fosse uma daquelas bonecas sujas de roupa rasgada e que falam palavrão que se encontram pela Internet. Hipocrisia nojenta.Lembrem-se do episódio do namorado, quando a Hilary Duff (momento Leão Lobo do Progressista) roubou o na época namorado da Lindsay e ainda fez cara de inocente, fazendo aquele ar de "ela é promíscua mesmo, eu sim serei uma namorada de valor pra esse cara". Enquanto isso, Lindsay, quando perguntada sobre o ato cometido por Duff, não fez qualquer crítica a ela, pelo contrário, até elogiou a menina e sua determinação profissional (algo comum na Lindsay, que jamais ataca pessoas que falaram mal dela na imprensa, mas isso é assunto para depois). Aonde mora a dignidade no final das contas? Na verdade suja, porém justa, ou na hipocrisia que vende discos, lota salas de cinema mas acaba jogando para debaixo do tapete um pequeno fator chamado talento? Eu sei bem que fim te espera, Hilary Duff: acabará como a Britney Spears, que surgiu com a princesinha careta republicana e hoje virou esse monstro amorfo de fotos escandalosas, divórcios dispendisiosos e surtos de loucura dignos de uma Blanche Dubois. Máscaras, inertes invólucros da alma.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Seinfeld e Lohan: o caminho da felicidade

Seinfeld é um sintoma. O Muro de Berlim caiu, junto os sonhos da humanidade ruíram. Isso eu já disse. Seinfeld vem logo depois. É o reflexo, uma defesa com que nos arranjamos contra as asperezas do presente. Todos os elementos da personalidade contemporânea desencantada estão ali: o cinismo, a relativização, a leviandade, a ironia, o ceticismo. Isso o Camarada Progressista já disse.

Agora vamos unir essas duas reflexões, em função daquela a quem este mês é dedicado. Para tanto, faço uma pergunta de cuja resposta depende a saúde e, não sendo nem um pouco exagerado, o futuro da senhorita Lohan: pode Lindsay ser cínica?

Sim, eu apelo ao cinismo como tábua de salvação para a menininha. E só como medida emergencial. Minha vontade é de sentá-la diante da televisão para assistirmos juntos duas, três temporadas de Seinfeld de uma vez. Aí, eu pauso e explico pra ela, se for necessário: “Tá vendo, você tem de fazer assim, ser mais assim. Vamos, agora é o episódio do Bubble Boy.”

Gente de bem com a vida – realmente de bem com a vida (e, por favor, atentemos no significado dessa expressão, “de bem com a vida”, isto é, concordar com ela, agradar-se dela, achá-la uma beleza, sair por aí de mãos dadas cantando “We are the Champions” com ela) – não gosta de Seinfeld. É preciso ser minimamente neurótico para se gostar de Seinfeld. Ou melhor, é preciso assumir-se minimamente neurótico. Por sinal, acho que Seinfeld incomoda muita gente justamente por forçar um diagnóstico que eles preferiam continuar ignorando: sim, eu sou neurótico. Outros se irritam com a série porque, sem que eles se dêem conta, aquilo se parece demais com eles. O máximo que dizem, no entanto, é: que monte de bobagem esse programa! Mas há, como eu disse, quem não se encaixe nessas descrições, quem realmente ande de bem com a vida.

O Camarada Moderado, por exemplo. Pra ele a série não desce. É que ele é muito equilibrado, muito moderado. Acaba sendo entediante pra ele ver quatro solteirões novaiorquinos fazendo piada com a possibilidade de um mundo melhor. Mas – e agora eis todo o meu pessimismo, que na verdade considero realismo – um mundo melhor é uma idéia furada. Uma pessoa melhor pode ser. Duas também. Uma comunidade? Mais difícil, mas não impossível. Mas o mundo todo? Não, não acredito em salvação coletiva. Você, nosso leitor, você pode se salvar; na verdade, você já deve estar salvo, fazendo a sua parte, alimentando os pobres, prestando serviços voluntários, procurando ser honesto e correto, lendo este blog. E não porque acha que tem de, mas porque quer fazê-lo. Você é como eu: belo e justo. Mas o mundo todo? Não.

Há quem diga que Lindsay é só uma menina superficial que fica enchendo a cara por causa da vida vazia que leva. Em parte, é verdade. A realidade é como um tijolo com que dão na cabeça dela, e ela só poderia fugir, e quem foge da vida cai no vazio. Um sonho ou fantasia só rendem frutos nobres e prestimosos quando a gente volta pra realidade – justamente onde tais frutos têm valor. Se você permanece no mundo encantado, eles apodrecem. Além de você ser internado, porque ficou maluco ou, como diria um especialista, psicótico.

Mas assim que Lindsay reconhece a realidade, corre à garrafa de cana. E bebe, e cheira, e quer morrer. Como sair disso? Repito: cinismo: “É melhor ter papai e mamãe só de olho na minha grana do que ser órfã. Ser órfão é uma coisa muito triste.” E é melhor ser blasé do que morrer aos 27 anos, idade fatídica entre as celebridades. E nem precisa ficar assim pra sempre. Depois, mais pra frente, quando ela for mais velha e estiver mais conformada e acomodada, como todos ficamos, o cinismo perde a função. Tal como Lola Johnson, personagem que ela interpretou em A Prairie Home Companion, que passa de uma adolescente depressiva a uma yuppie. Eis o caminho da felicidade.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: Confissões de uma Adolescente em Crise

A contagem regressiva continua. Enquanto a nossa querida Lindsay tenta desesperadamente ceder a todos o vícios possíveis e existentes nesse mundo, nós vamos levando em frente o mês em homenagem a ela, mesmo sabendo que uma overdose fatal ou um suícidio podem ocorrer a qualquer momento. Falarei agora do terceiro filme de Lindsay (do segundo, Sexta Feira Muito Louca, falarei mais pra frente), Confissões de uma Adolescente em Crise (Confessions of a Teenage Drama Queen), considerado o pior filme já estrelado por ela. Como os césares romanos, venho aqui para apontar o dedo e dizer: "Injustos! Desvairados!". Logicamente todos perderam o ponto. Confissões era visivelmente uma visão moderna, descolada e adolescente (parece slogan de comercial de Fanta) do classicaço-aço-aço A Malvada (All About Eve), do Joseph L. Mankiewicz e estrelado por aquela atriz que ninguém lembra, uma tal de Bette Davis aí. No clássico de 1950, uma golpista se pretende de ingênua para conquistar a amizade de uma veterana e influente artista, mostrando-se uma presença nociva na vida da mesma ao influir negativamente em todos os aspectos da vida da atriz, tanto profissionalmente quanto socialmente.

No caso do Confissões, Lola, uma mimada adolescente (papel da Lindsay no filme) muda-se para uma nova cidade e colégio e acaba entrando em atrito direto com a garota mais popular da escola, gerando uma disputa também pelo papel numa peça que a escola iria apresentar. O filme acaba colocando a personagem de Lindsay como vítima e a garota popular como vilã. Mas aí começa a genialidade não-implícita do filme. No fim, Lola acaba ganhando o papel, conquistando o Garoto roqueiro pelo qual era apaixonada e a garota popular acaba caindo em desgraça. Oras, mas o final não acabou sendo o mesmo nos dois casos, apenas diferenciando-se a visão dada pelo filme às suas personagens?

Essa é justamente, para os olhares mais atentos, a questão colocada pelo filme: a vaidade feminina e os métodos e atos que elas empregam ou não para dar vazão a esses desejos intensos de reconhecimento e veneração. O filme reflete brilhantemente as mudanças que o movimento feminista dos anos 60 provocaram nas mentes das mulheres. Afinal, Lola tinha chegado numa cidade nova, numa escola nova, que diabos ela tinha de ir querer arrumar confusão com o já estabelecido ambiente do colégio? O filme coloca essa situação sem, vejam bem o truque, que a personagem da Lindsay seja vista como oportunista e interesseira. O que era deixado às claras desde o começo no filme de 1950 é agora transformado em dissimulação, rodeios e manipulações da verdade. Hoje, a ambição feminina não precisa mais ser encontrada em aventureiras fora de sua era tentando-se colocar a frente dos fatos. Ela pode existir e conviver no âmago feminino sem necessariamente denotar uma suposta falta de caráter ou intromissõs indevidas, mas sim como um aspecto inerente ao gênero humano, e que propicia também as mulheres uma busca por um papel melhor na nossa sociedade. Então, quero aplaudir o diretor desse filme (sei lá quem é ele) e a nossa Lindsay, por ter reconhecido nesse papel um potencial que todos deixaram passar. Incautos!

Respondendo ao Moderado

Nas priscas eras desse blog, eu postei um comentário criticando o cinema nacional, para revolta do Moderado, que postou depois acusando-me de não saber realmente o que era o cinema nacional e criticar sem ter conhecimento de causa. Bom, aproveito aqui que ele criticou o Seinfeld para fazer uma pequena Vendetta. Aqui vai, entre aspas:
"Moderado, você realmente entende da série Seinfeld para criticá-la tanto? Você deveria ter escolhido outra temporada para cristo, já que a quarta temporada é considerada a melhor da série, e justamente o ponto de amadurecimeto do show".
Fecha aspas, e eu digo que respeito a sua opinião.
Obs: nunca li o Neil Gaiman, então não posso falar do que não conheço.

Seinfeld e Neil Gaiman: o superendeusamento de certas coisas

Detesto quando as pessoas endeusam certas coisas. Não que eu não faça isso, mas atente aos limites; dificilmente eu vanglorizo demais, apenas falo, que além do meu gosto pessoal, a peça ou série ou obra tem coisas que são excelentes: seja a estética, a originalidade da abordagem, os artistas envolvidos. Enfim, aquilo pode ser chamado de obra de arte, de uma forma geral, já que além do fervor do momento tem caracterísiticas trancendentais. Um dia eu entro na questão destas características, voltemos ao discurso; concluindo, não vejo por que endeusam tanto Seinfeld e Neil Gaiman.

Seinfeld, série da década de 90, com o mote "o melhor sobre nada" mostra as aventuras de quatro amigos que vivem em Nova Yorque. A série tem seus bons momentos, algumas boas idéias, mas vendo hj - por exemplo, a quarta temporada, percebo que a maioria das piadas perderam força, as idéias eram pra aqueles tempos, contudo não deixa de ser uma boa série, mas não acho que seja completamente genial, está bem longe disso. Recomendo assistirem até a oitava temporada dos simpsons, isso é genialidade.

Agora outro deus erguido pelo povo: Neil Gaiman. Grande escritor de quadrinhos, ficou famoso pela revitalização de um personagem da década de 40, o Sandman. Neil deixou tal personagem mais sombrio, na verdade ele recriou o personagem criando junto uma nova mitologia junto dessa repaginação; os perpétuos, entidades que são tão antigas quanto o universo e cada uma representa algo, por ordem: Destino, Morte, Sonho, Desejo, Desespero, Destriução e Delírio( na versãoo em inglês todos começam com "d"). O Sandman , ao pé da letra, acabou sendo o senhor dos sonhos. Ele fez muito sucesso com as aventuras desses personagens. Nego que o escritor inglês seja ruim, mas afirmo que ele é longe de genial; as pessoas que costumam gostar e adorar tal autor só gostam dele, pois ele aproxima os quadrinhos da literatura. Este é o problema: quadrinhos são quadrinhos, literatura é literatura. São mídias, ainda que dialoguem muito, diferentes e se quiser ler quadrinhos pretendo ler algo que seja e tenha o intuito de ser quadrinhos e não outra coisa.

Seinfeld: faltam 3 dias

Seinfeld, a série americana mais bem sucedida de todos os tempos, terá lançada nessa sexta-feira no Brasil varonil a caixa da oitava temporada. Partindo desse fato, gostaria de falar um pouco sobre a série e sobre o efeito que ela provoca em seus admiradores e, por que não, em seus detratores também (como vocês podem ver, eu estou educadinho hoje). É muito fácil construir idéias pré-concebidas que sejam carregadas de negativismos acerca da série. Afinal, se muitas pessoas possuem verdadeira aversão por tudo aquilo que constitui o chamado American Way of Life, imagine quando falamos de uma série que justamente pervertia toda essa situação de costumes com um cinismo dilacerante. A própria natureza da série acabava dando margem para esse tipo de visão: se você tem um show que absorve uma ótica de vida na qual todas as sentimentalidades e emocionalismos baratos acabam sendo motivo de piada, é natural você provocar uma indisposição natural com aqueles que acreditam que o ser humano por si só já está impregnado com esse pessimismo e individualismo e que nada ajuda ver isso ainda jogado na sua face nua e cruamente por 4 solteirões neuróticos novaiorquinos.

Por isso, é normal encontrar pessoas que digam não suportarem o Jerry Seinfeld, não concordando de maneira alguma com os "valores" pregados na série. Mesmo nos EUA, onde os novaiorquinos são vistos como arrogantes pelo resto da nação (isso num páis cujo lema é "sou americano e posso tudo que quiser"), Seinfeld sempre esteve intrinsecamente ligado com essa visão superior e européia passada pela metrópole da Maçã.
E mesmo fatores periféricos, como o surto de ataques racistas cometidos pelo esquisitíssimo ator Michael Richards, o Kramer do show, num clube de comédia, acabam jogando contra a imagem da série. Os detratores Seinfeldianos usaram o episódio para atacar a própria imagem da série, usando de manipulações baratas para evitar separar a persona pública de Michael Richards do seu personagem, e jogando todo o contexto do show dentro das desbaratinações do ator. Tudo isso é um preço que Seinfeld e Larry David, criadores da série, sabiam que iriam acabar pagando. Afinal, é muito mais fácil quando se tem um show como Friends, que mostrava seis amigos bem sucedidos, bonitos, cobiçados vivendo num mundo artificial cujo única problemática residia na complexa questão "quem vai ficar com quem?" nos episódios, mas sempre com mensagens edificantes e finais que ressaltavam que todos aqueles seres de plástico tinham um coração escondido naquela embalagem de promiscuidade e alienação.

Seinfeld sempre escolheu ir para o lado contrário. Tirar humor da verdadeira natureza humana, da nossa mediocridade, da nossa incapacidade para lidar com as questões do cotidiano, do nosso egoísmo disfarçado em sarcasmos e ironias. As armas mais poderosas do homem moderno para lidar com o massacre ao qual somos submetidos. O Fundamentalista fez uma bela analogia ao dizer que a Lindsay Lohan deveria ter sido estrela nos anos 80. Pois Seinfeld chegou e mostrou justamente o nosso espelho no mundo pós-muro de Berlim, aonde todos os erros serão apontados e todas as culpas serão punidas. O inimigo, isso até vir Osama Bin-Laden, era interno.

Com todo esse panorama, é fácil odiar Seinfeld. Mas os detratores sabem a condição primordial para se criticar: evitar ao máximo assistir a série. Pois uma vez que você se empenha nesse empreendimento, bastam dois ou três episódios para você jogar todas as pressuposições para o alto e bater a cabeça na parede de tanto dar risada, não há como resistir por muito tempo. Tanto que, mesmo que provocando aversão na América conservadora, a série foi o maior sucesso da história por lá. Todos no final se renderam ao humor inacreditável da série. Somente podem resistir assistindo o show e ainda criticando a série aqueles obstinados, que acabam apelando para o argumento final: a suposta intelectualização da série. Mas nunca você verá alguém criticar o show pela sua proposta final, fazer as pessoas rirem. Pois nisso, nunca ninguém na humanidade, nem mesmo os bobos da corte da Idade Média, se igualaram ao Seinfeld, Kramer, Elaine e George. Yada, yada, yada.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Lindsay Lohan e os anos 80

Ouvindo The Arcade Fire, comecei a pensar nos anos 80. A sonoridade da banda sem dúvida me remeteu a isso. Minha intenção original era postar um comentário fora de época sobre Funeral, primeiro álbum desses quebequestaneses, mesmo com o Camarada Progressista tendo já entregado, com todo o seu virtuosismo analítico quando se refere à música, um faixa-a-faixa do Neon Bible.

Mas desisti, os pensamentos sobre essa década – para os fins desta reflexão, maravilhosa – me absorveram e, claro, me levaram até Lindsay Lohan. Trata-se do mês dela, portanto nada mais natural.

Os anos 80 deveriam ter sido a década Lindsay Lohan. Ela nasceu para as comédias adolescentes dos anos 80. Ela e John Hughes teriam formado uma parceria lendária do cinema. Lindsay seria rainha absoluta. Molly Ringwald não daria nem pro cheiro!
Para Lindsay, mais do que para qualquer outra pessoa, a queda do Muro de Berlim foi catastrófica. Com ele, lá se iam todas as utopias, inclusive aquelas que sustentavam os anos 80. Em lugar do clima de festividade kitsch que envolvia essa década, seguiu-se cinismo e ceticismo, que, numa onda crescente, nos trouxeram até aqui, até este início de século cujo grande saldo é uma Lindsay junkie. Ela é o tipo de pessoa para quem a perspectiva de que um dia todos serão amigos, abraçando-se felizes numa espécie de Terra do Nunca e se dando as mãos para erguer casas feitas de bolo e chocolate, é fundamental; sem a qual ela desmorona, como podemos testemunhar com grande tristeza.

Ah, estas linhas elegíacas, será que cabem aqui, neste espaço que muitas vezes prima pelos males que acabo de denunciar, tais como o cinismo e a indiferença? Não, não me façam perguntas. Eu me derramei nestas linhas e já começo a me arrepender.

TETÉIA DA SEMANA

L. Dee L.

Lindsay, exalando classe nessa bela foto. Foi tirada no momento que ela recebia a notícia da prisão da Paris Hilton. Sei o que passa pela cabeça da nossa ruiva favorita: "será o fim da era das party girls?". Talvez a brincadeira tenha acabado e seja a hora dessas garotas acordarem e crescerem? Perguntas complexas, que exigirão respostas mais do que adequadas dos analistas desse blog.