quinta-feira, 31 de maio de 2007

DICAS DO PROGRESSISTA: NEW WAVE

Esquentando o clima para o esperadíssimo mês Lindsay Lohan, venho aqui falar de um assunto que tem tudo a ver com a nossa viciada em medicações prescritas favorita: New Wave, cambada! Ou, como dito por essas bandas, Niu Uaivi. Movimento nascido da confusão que rolava na música no final dos anos setenta, marcou o encontro entre o Punk e a Disco Music, e os filhos bastardos acabaram fazendo a fama no mundo pré-Aids. Sim, a Aids, feia e malvada, murchou a festa e os New-Wavers foram trocados pelos góticos na preferência do povão. Mas eu, sempre pronto para abrir o baú de memórias, trago aqui cinco discos que formam o DNA do movimento. Preparem a festa, caprichem na decoração Kitsch, e cantem bem alto: "and heavy equipaments, WE'RE IN THE BASEMENT!":


The B-52's - "The B-52's" - 1977
Inspirados por filmes trashes dos anos 50 e pelo ar Kitsch que dominou a década de 60, essa banda de Athens, Geórgia (terra do R.E.M.) acabou marcando uma espécie de polaridade oposta com os contemporãneos punks: a simplicidade instrumental, a ênfase no ritmo e nas sonoridades diretas, mas o discurso voltado para celebrações e paranóias marcadas por estados alterados da mente (leia-se drogas), a banda inovou, e nesse disco percebe-se bem que eles chegaram chutando a barraca. Com músicas sensacionais como Private Idaho e a célebre Rock Lobster, quase um punk-rock que versa sobre uma festa maluca de estrelas do mar e lagostas na areia (?), os vocais ensandecidos de Fred Schneider, as harmonizações das new-wave girls Kate Pierson e Cindy Wilson e a fabulosa guitarra de Ricky Wilson (que tinha inacreditáveis 2 cordas), o B-52's abri o caminho para todos os que queriam festejar sem os excessos da discoteca. A festa estava só começando.

Blondie - "Parallel Lines"- 1978
Terceiro disco da banda de Nova York, liderada pela carismática ex-coelhinha da Playboy Debbie Harry, foi o ponto de virada da banda, que fracassara nas duas tentativas anteriores. Soando mais pop e digerível que nos discos anteriores, a banda criou faixas que virariam obessão para as bandas one-hit-wonders nos anos 80, como Sunday Girl, Hanging on the Telephone e a clássicaça-aça Heart of Glass, talvez a música de maior fama de toda a New Wave. A banda sempre andou com artistas mais "cabeça" como o Talking Heads, o Television e até com os reis do punk Ramones, mas o negócio deles mesmo sempre foi o glamour e o hedonismo do art-pop.



Gary Numan- "The Pleasure Principle" - 1979
Terceiro disco do londrino Numan, marca o auge das suas experimentações eletrônicas, mixando o uso de sintetizadores (ele praticamente ditou o uso deles que acabou infestando todos os anos 80) com poderosas percussões e batidas eletrônicas. Fascinado por temas industriais, que ditam a temática do disco, e criando uma persona robótica imortalizada em clipes sensacionais, Numan colocou a New Wave na crescente classe operária inglesa, dando um necessário ar cinzento as convenções do gênero. Mas tudo isso é completado pelas incríveis composições do album, a insandecida Metal, a atmosférica Airlane e a mítica Cars, maior sucesso dele. Gary Numan foi o cara que, sozinho, criou um estilo e sonoridades que fizeram toda uma década. Para o bem e para o mal.

Elvis Costello & The Attraction - "Armed Forces" - 1979
Filho bastardo do Punk, filho ilegítimo do Buddy Holly e homem dos dentes mais podres do showbusiness, Elvis Costello era um cara de rara sensibilidade pop, o que sempre o afastou das convenções Punks. Terceiro disco dele, marcou a sua inclinação por arranjos mais elaborados e instrumentações de maior complexidade em relação aos seus dois sensacionais discos anteriores. Usando política e guerra como metáforas para relacionamentos amorosos, Armed Forces é talvez o melhor disco já feito na New Wave, com músicas inspiradas como Accidents Will Happen, Party Girl, Oliver's Army e a cover de Peace, Love and Understanding. Quem assistiu o filme Encontros e Desencontros pode lembrar da cena do videoke, quando o Bill Murray canta a música imitando a voz do Elvis Costello. Sofia Coppolla, espertinha como ela só, sabe separar o joio do trigo.


Duran Duran - "Rio" - 1982
A New Wave sempre produzia os seus hits aqui e acolá. Mas quem tratou de escancarar tudo e tacar na cara das massas o estilo foi o Duran Duran, banda que, na opinião do mano Progressista (terceira pessoa agora? Tô maluco mesmo) é a banda que melhor nomeia músicas, mas isso é assunto para depois. Com jeitão de avôs das boy-bands (embora fossem autorais) e clipes com mulheres e praias, a banda invadiu o mainstream e colocou músicas como Hungry Like the Wolf e Save a Prayer (campeã da Antena 1) para sempre no imaginário popular. Muito se discute sobre a qualidade da banda, mas não pode-se negar que eles souberam se aprovitar de todos os elementos da new wave e transformá-los numa linguagem que atingiu em cheio o povão. E Rio, a música, tem uma linha de baixo SENSACIONAL. É isso aí, todo mundo nega, mas deixa alguém tocar Save a Prayer pra ver se o pessoal não faz aquela cara de "putz, saudades daquela época".

quarta-feira, 30 de maio de 2007

RUFEM OS TAMBORES

Amanhã começa o mês Lindsay Lohan no Fomos ao Cinema. Como será? Não sei. Só falaremos da Lindsay Lohan? Não sei. Teremos outros assuntos na pauta? Não sei. PÔ, DÁ PRA RESPONDER ALGUMA PERGUNTA? Não.

terça-feira, 29 de maio de 2007

A Confraria dos Camaradas Apedêuticos: Calúnias

Sinto que os meus camaradas, aqui usando a palavra no seu sentido mais vago, estão fazendo uso das suas intensas atividades intelecto-subjetivas, das suas predileções por textos auto-analíticos para criar para mim uma imagem de moleque sensível-romãntico-banana, um ursinho de pelúcia movido a tenrices, caixas de bombons e lenços de papel. CALÚNIAS! INFÂMIAS! Todos sabem que homem sensível, na nossa sociedade de hoje, é um ser visto por seus iguais, homens e mulheres, como alguém sem masculinidade. Isso mesmo, homem sensível é palavrão. Diante de tantos disparates, terei de, enfim, provar por A+B que EU SOU MACHO, PÔ! E farei isso com uma impetuosidade digna de um John Wayne. Se bem que cowboys depois do Brokeback Mountain... bem, o negócio é o seguinte, primeiro o Moderado diz que eu só sirvo pra fazer muié dar risada tomando sorvete. Sim, me chamou de Bozonildo, imagino que eu devo usar truques como o da flor que sai água, piadas envolvendo Tomate Cru e o escambau. Até aí, tudo bem.

Aí me chega o Fundamentalista, vindo do mundo dos mortos, e me traz junto com ele a Ally McBeal. Essa não dá pra engolir. Nem a Calista Flockhart lembrava mais dessa série, aí vem o cidadão, tira do fundo do baú e ainda me joga aos leões, como nos sombrios tribunais da Inquisição, e diz que eu sou fã da série. INSANO! CANALHOCRATA! BALUARTE DAS EPIFÂNIAS! A seu tonho, você vai ter que provar o bagulho! Eu JAMAIS seria fã de uma série tão mela cueca como essa, símbolo máximo da colorida era Clinton... er... bem... ãhn...., o que eu disse mesmo? O negócio é o seguinte, ídolo pra mim é o Jack Bauer, certo? Bate primeiro, pergunta depois, caramba! Honra aquilo que tem entre as pernas! Perguntem-me qualquer coisa sobre TODOS os CSI, Miami, Nova Iorque, Flórida, Texas, New Hampshire, e eu direi detalhes de todos os episódios. E por que? Por que CSI É SÉRIE DE MACHO, POMBA! David Caruso, você é o cara! Locadora? Pô, sessão pra mim só vale a de ação mesmo o resto me dá alergia só de chegar perto. Tango e Cash, O Juiz, Demolidor, Exterminador do Futuro, Vingador do Furturo, Lança-Chamas do Futuro, Inseticida do Futuro, Força em Alerta 1, 2, 3, 5.678.890, Determinado a Matar, Duro de Matar, Pensando em Matar Alguém Hoje, Tá Difícil de Matar o Cidadão Hoje, Chuta que é Macumba, isso sim são filmes que fazem um dia pra mim! FILME DE MACHO! Outra coisa: futebol. Sim, percebam vocês a total falta de textos sobre o esporte bretão nesse blog. Simples: os dois camaradas gostam mesmo é de dar as mãos e praticar remo nas raias uspianas, Futebol pra eles é coisa de neandertal! E eu, corintiano da gema, sou censurado em todas as minhas tentativas de trazer a voces minhas opiniões (opa) sobre a nobre arte de se chutar uma bola. Afinal, quem é o sensível e quem é o macho na história? EU, GOSTAR DE ALLY MCBEAL? Imagine...

Olha essas minissaias, meu!

E um dia um camarada seu, tipo, sei lá, só exemplificando, o Progressista, fica malu... Já Brás Cubas, aquele de Literatura Brasileira no Ensino Médio, advertia do perigo de uma idéia fixa. Pois é numa idéia fixa que os melhores, os mais belos e nobres, os mais inteligentes e capazes sucumbem.

Tipo, o camarada chega um dia falando em Ally Mcbeal. A gente acha engraçado - estranho, mas engraçado -; pensa que é uma bizarrice qualquer, o sujeito só querendo curtir, e a gente, que também adora um nonsense, compra, na boa. Mas aí, ele insiste, argumenta do talento de Calista Flockhart; desce a lenha em Sex and the city, que supostamente teria destronado Ally Mcbeal; faz análises sociológicas sobre o período Clinton, quando a série foi ao ar; e o maluco vai falando animosamente de um episódio atrás do outro; e, daí a pouco, a gente se pega comentando que a nossa mãe também assistia e gostava das aventuras de uma advogada promíscua em Boston.

O passo seguinte é você emprestando o seu cartão de crédito pro maluco pedir pela net todas as três temporadas de Ally Mcbeal lançadas em DVD no Brasil. E aí, você, passando o número do seu cartão, por telefone, pausadamente, pra que ele te entenda, começa a lembrar que não é a primeira vez que isso acontece. Que, um dia, você acompanhou esse mesmo sujeito até o caixa da Fnac pra ele desembolsar umas 100 pilas na primeira temporada de Frasier...

E se você se arrisca a convencê-lo de que é loucura, ele ainda joga contigo: "Pô, elas usam minissaias. Minissaias!!!" É, não é?

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Pra variar, complementando

Agora que caiu a máscara e as pessoas sabem quem somos, resolvi esclarecer alguns pontos; sai na rua e as pessoas ficaram me olhando, algumas mulheres rasgaram minha roupa, me atacaram( estou falando com vocês, famosas embriagadas). O camarada progressista também foi atacado, infelizmente por homens, considerando os gênero dos moços, lógico. Quero dizer aos leitores(as) acalmarem os nervos. Sei que somos pessoas célebres, notórias, brilhantes. Mas, pessoal, sem exageros e agiotas, sem ameaças, por favor.

Sobre o ceticismo do desenho animado citado pelo outro camarada, o extremado; sim na maioria das vezes o desenho trata-se disso: sempre atrás de alguma coisa sobrenatural está algo bem humano, realmente o desenho usa(e abusa) dessa metáfora. Ainda assim existe um longa metragem, em cárater de exceção, qual os monstros fazem juz a nomenclatura dada. Recomendo que o sr. fundamentalista assista, chama-se Scooby Doo e a ilha dos zumbis, considero este um dos melhores momentos dos detetives da Máquina Mistério, quando pela primeira vez tenta-se tirar a máscara e não tem máscara alguma.

Pra terminar, o post ja se prolongou demais, gostaria de colocar uma foto nossa que encontrei. Esta em um momento mais descontraído, mais casual. Foi tirada logo após a outra, mas algumas horas depois e em outro ângulo, no meio de uma conversa. E pra variar, estou sempre no meio dos dois, evitando que briguem.


Da esquerda para direita: camarada fundamentalista, moderado e progressista.

TETÉIA DA SEMANA

Lindsay Lohan

Atriz nova-iorquina e bad girl por excelência, Lindsay é considerada, ao lado da atriz pornô amadora Paris Hilton, a rainha das party-girls de Hollywood. Ontem foi presa por dirigir bêbada pela milésima vez, uma constante na errática vida dessa talentosa e atormentada garota. A escolha dela como Tetéia pode parecer óbvia, mas tem um propósito bem definido: ela abrirá o Mês Lindsay Lohan no Fomos ao Cinema! Isso mesmo, rapaziada: textos, análises de filmes INESQUECÍVEIS como Operação Cupido, Sexta-Feira Muito Louca e Meninas Malvadas, uma verdadeira festa ao molde das bebedeiras patrocinadas por Lindsay nos States! Será que ela herdará o posto de Boris Yeltsin e se tornará a pau d'água mais famosa do mundo? Não sei, mas digo com profunda consternação, ó Lindsay, poupe os teus fãs de tamanhas descomposturas e vergonhas frívolas!

Os três porquinhos foram ao cinema

Gente, anda parecendo o Scooby Doo isso aqui. Quem é o Camarada Moderado? E o Progressista? E o Fundamentalista? E, no final, a gente descobre que o fantasma não era fantasma, mas o primo do dono da mansão querendo ficar com a fortuna do falecido. Por sinal, nunca vi desenho mais cético que Scooby Doo: sempre tinha de haver uma explicação racional, uma causa natural - isto é, uma vigarice bem humana - pra eventos que eram supostamente sobrenaturais. Só o maconheiro do Salsicha, que falava com cachorro, pra acreditar no sobrenatural. Desenho favorito (e que inspirou) o Padre Quevedo.

Mas, desculpa, me desviei do assunto. O que eu queria é divulgar logo uma foto nossa, acabando com as especulações disparatadas que circulam por aí. A foto é recente, da semana passada, que foi a mais fria do ano em São Paulo. Em frente à sede do Comando de Policiamento de Choque da Capital, quarta-feira (23/05):

Da esquerda para a direita: Progressista, Moderado e Fundamentalista.

(Lembrando: todo o mundo fica bonito em foto preto e branco, até desdentado.)

domingo, 27 de maio de 2007

Um pouco sem palavras

Passamos acometidos pela falta de palavras; o blog ficou um dia sem nenhum post, como vocês podem atestar. De início achei que meus camaradas haveriam desistido do conceito, restara apenas um louco que acreditava ainda nisso, esse maluco que vos fala; logo a premissa foi negada, ainda bem.

Um dos camaradas na nossa última reuinião de pauta afirmou, com voz de razão, que escrevíamos demais e postávamos na mesma exagerada quantidade. Bem, olharemos o os números que compravam tal contastação: Estamos exercendo tal atividade a seis semanas, dentro de tais semanas tivemos 123 posts. Média de 20 postagens por semana, concordei com o camarada acerca da sua afirmação.

Veio alguns dias e mantemos o habituê, contudo ontem não postamos nada; um consenso secreto e subjetivo foi formalizado? Parecia, pelo menos. Achei interessante.

A defesa: as vezes a não-escrita é o melhor remédio para a escrita. Pois sim, ficar sem escrever algumas vezes nos acomete de ter idéias de escrever. Justifica-se da seguinte maneira: estamos cercado por aquilo e as vezes relaxar, dar uma volta torna-se talvez a grande diferença, porque fazer isso faz com que assimilemos outros lados de um mesmo cenário.

Uma mente criativa necessita de ócio para criar; longe de sermos criativos ou artistas, talvez um pouco preguiçosos e vagabundos. Ainda necessitamos, como humanos, de momentos de contemplação(palavra que mais repito).

Defendo-me agora por meio de exemplos: Newton, clássico; Hermeto, mais obscuro e parecido.

A lei da gravidade foi criada por Isaac Newton, é sabido. Cenário: jovem newton um cara bem sucedido resolveu tirar uma pestana embaixo de uma macieira. Resultado: a lei da gravidade e uma suave dor de cabeça. Legado: revolução na física e avisos ao perigo de dormir embaixo de árvores frutíferas( a física agradece que a escolha newtoniana não foi um pé de jaca).

Segundo exemplo: hermato pascoal, cara mui criativo, resolveu ficar um ano sem ouvir música, além daquelas que compunha. Ouvi o tal cd, devo dizer que é genial.

O primeiro defende a necessidade do tal ócio, o segundo exemplo mostra a necessidade de auto-fechamento e silêncio. Combinadas e aliadas a um pouco de técnica e pitadas de talento; receita pra criar algo interessente.

E finalizando, ninguém gosta de alguém que não feche a boca nunca, olha a mosca!

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Cinema: estréias da cinema

Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo - O primeiro filme era divertido pacas. O segundo foi fraquinho. Esse terceiro.... bem... o que vocês dizem de terem de encarar um filme de piratas com 170 minutos? Repito, um filme de piratas com CENTO E SETENTA MINUTOS! CENTO E SETENTA! O que é, Poderoso Chefão, pô? Por acaso eles vão até o fim do mundo e acham o fantasma do Marlon Brando, o Al Pacino e uma confraria de piratas mafiosos? E pensar que a série de filmes é baseada num brinquedo da Disneylandia... Haja Johnny Depp pra segurar um negócio desses.

Outros filmes: como todos irão assistir o Piratas, não falarei sobre os outros filmes.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Dublin e a alma irlandesa

Dublin é a grande contribuição dos irlandeses para a civilização ocidental, uma contribuição que eles ficam reinventando e que nunca se esgota criativamente. Dublin é o único tema que os irlandeses dominam. Eles só se dão bem falando dessa cidade feia.

James Joyce – só a menção desse nome bastaria pra me dar razão e encerrar o assunto. Ulysses não existiria sem Dublin, é uma epopéia sobre essa cidade, muito mais do que a Odisséia era sobre a fragmentada (e imaginária) geografia grega. Portanto, sem mais explicações.

E – como se precisasse – ainda tenho outro nome, esse menor, pra não dizer que eu fiquei só na literatura, e mais, só no passado: Alan Parker. É, o grosseirão, que vive errando a mão, um dia acertou, e acertou como nunca; aliás, como poucos acertaram, dirigindo essa maravilha que é “The Commitments – Loucos pela fama”: o filme simplesmente nunca, em nenhum momento, perde o ritmo, sempre está lá no alto.

Qualquer sinopse do roteiro será mais ou menos assim: o Senhor viu que os irmãos irlandeses estavam precisando de um pouco de “soul”; então, comissionou Jimmy Rabbitte e Joey “The Lips” Fagan para formarem uma banda que trouxesse “soul” para os irlandeses. Mas, na prática, o filme não funcionaria se não tivesse como plano de fundo a destroçada e sempre cinzenta Dublin.

Entre outras preciosidades, destaco essa lição de etnologia do sempre incisivo Jimmy Rabbitte: às tantas, ele, trabalhando por converter os corações incrédulos, diz:

"The Irish are the blacks of Europe. And Dubliners are the blacks of Ireland. And the Northside Dubliners are the blacks of Dublin."

Quando Parker foi fazer filme sobre outra coisa, ferrou tudo.

Dublin é, na verdade, um mote a partir do qual os irlandeses acabam discorrendo acerca de tudo: catolicismo, ingleses, encher a cara, mulheres. Além disso, eles contam com aquela lucidez que só a autodepreciação típica do terceiro-mundista pode garantir.

Assim, existem dois tipos de artistas irlandeses: aqueles que levam Dublin consigo e aqueles que a deixam pra trás. Os últimos, cedo ou tarde, hão de pagar um alto preço: eis o U2.

Camaradas e as mulheres

Já que voltamos a sala de psicanálise por que não, igual o camarada fundamentalista, busquemos a profundidade desse tema? Vamos parar de enrolação e ir direto ao ponto: todos os camaradas tem problemas com mulheres, vocês, leitores(as), já devem ter percebido isso.

O camarada fundamentalista, ancião do grupo e talvez o mais certo com as mulheres; costuma tratar as moças com certo respeito e levar a restaurantes chiques, lojas de botique antes mesmo de qualquer proposta. Ele joga limpo e deixa suas intenções sinceras logo de cara. Sem dúvida representa o mais racional dos três: o melhor exemplo masculino a la Proust. Aquele que todo mulher direita deveria gostar de ter ao seu lado nos momentos tristes e de apoio, chama-lo-ei de consorte do grupo, o cara que as mulheres precisam em situação de abalo emocional, nas coisas adultas, problemas a resolver. Um bom partido para namoros e nunca, digo nunca, pra programas de curta duração. Se você quiser isso, mantenha-se longe dele. Mesmo sendo durão, se magoa profundamente; não gosta muito de superficialidade, a não ser as pueris mesmo.

O segundo a qual devo analisar; o tal progressista, caçula do grupo, gosta de se apaixonar e tem um jeito bonachão cafejeste( mas nunca diga isso pra ele) adorável. Costuma buscar amores rápidos nas baladas que frequenta, algo de consumação rápida que segure seu coração completamente emotivo e sensível a tudo e a todos(mesmo que nunca admita). Sim, é o garoto com sentimentos a flor da pele, como mesmo ele diz: um grande miguxão. Garotas se vcs se quiserem se divertir ocasionalmte e não são muito críticas esse é o número de vocês. É o menino perfeiro pra passeios de fim de semana, tomar um sorvete e rir, mas rir bastante.

Ambos estão solteiros, estranho não? Como dínamos de homens desses continuam na solidão dos seus respectivos lares assistindo repetitivamente "Paris, Texas" ou, em momentos mais animados, a quarta temporada do Senfield? Essa é a questão: ambos os garotos são tímido, seletivos. Gostam de escolher a dedo as mulheres, pra eles não servem a disponíveis no momento, a solteira de plantão, aquelas que são amigos. Eles gostam de escolher, talvez por não gostarem de se frustarem afetivamente. Pois sim, ambos são sensíveis, entretanto de intensidade e jeito diferenteres. Ainda ambos chegaram numa mesma resolução: não se envolverem despretensiosamente num relacionamento( as pegadas na baladas do progressista não são envolvimentos emocionais, deixando claro).

Resta um, eu, camarada moderado. Diferente e como cárater de contraste; não sou tímido, não ligo de me envolver(já passei por cada confusão), de experimentar algo diferente( mas não homessexual). Eu acho estranho, sou tão emotivo quanto os camaradas, ainda sim faço isso. O verdadeiro motivo disso vem de tempos antingos quando ainda estava na oitava série. Nesse período eu e um amigos iámos todo sexta-feira no shopping xavecar as meninas; de tanto tomar foras das meninas acabei calejando meu lado emocional nos relacionamentos e aflorando, consequentemente, minha falta de vergonha. Antes eu achava que foi o quase cinco anos de teatro, ledo engano. Todavia me encerro no mesmo time dos camaradas: solteiro convicto. É, desde quando tentar mais me torna mais vitorioso que os camaradas? Nada disso, entretanto com diversão garantida.

Saindo da sala de psicanálise.

Camarada Fundamentalista, Proust e as mulheres

Disseram que o engraçado do blog é o Camarada Progressista. Concordo. Que o charmoso é o Moderado. Se não pegar mal, também concordo. E que eu sou o profundo. Disso eu discordo.

Se eu fosse profundo, mandava vocês lerem Proust e ficava falando de Proust. Porque ler Proust deixa a gente mais inteligente e refinado. Pois, por exemplo, eu estava lendo hoje mesmo “À sombra das raparigas em flor”, segundo dos sete volumes do ciclo Em busca do tempo perdido, e me deparei com uma página que me levou a compreender as mulheres. Sim, eu estava lendo Proust e acabei entendendo as mulheres. E eu sou homem. E Proust era gay. Assim é a Camarada Vida.

Proust dizia (transcrevo-o):

“Esses obstáculos com que têm de lutar os amantes e que a sua imaginação, superexcitada pelo sofrimento, procura em vão adivinhar, residem muita vez nalguma singularidade de caráter da mulher que eles não podem atrair para si, na tolice dela, na influência que sobre ela tiveram e nos receios que lhe sugeriram certas pessoas a quem o amante não conhece, no gênero de prazeres que ela pede no momento à vida, prazeres que o seu amante, e a fortuna de seu amante, são incapazes de lhe oferecer.”

Para os proustianos, é sem dúvida espúrio e leviano o uso que faço da citação, como um mero índice para machos perdidos no adverso terreno do amor. Mas proustiano é tudo bonequinha, e eu não estou nem aí pra eles. Por isso, adiante.

Como sempre, me valho do método mais razoável, que é procurar entender a mulher por contraste ao homem, ou seja, partir de mim mesmo pra chegar nelas.

O que Proust me diz nessa passagem? Que o grande problema é a memória. Ora, que, diferente de mim, que sou um indivíduo de pouca ou nenhuma memória afetiva e emocional, que tenho necessidades pontuais, primárias, que sou totalmente absorvido pelo que estou sentindo agora, a mulher, ela não é assim. Diferente de mim, ela se lembra de tudo, e a verdade é que constrói um universo de sentimentos e disposições afetivas ao longo de anos, da acumulação de experiências as mais diversas, de experiências com outros de cuja existência sequer tomarei conhecimento. Uma mulher exige, então, que a gente tenha senso histórico, que a gente saiba que é só mais um numa sucessão de arqueólogos e paleontólogos que se aventuraram nessa topografia.

Não digo que a mulher raciocina em função desse passado que ela sempre mantém vivo, como a boa historiadora que é. Nada disso. Raciocinar é coisa de homem. O que a mulher faz é atender, de maneira bastante condicionada – já que gerações e gerações de mulheres que a precederam se assumiram como “seres emotivos”, e não racionais – e também muito vaga, a uma série de disposições que se criam em função dessas lembranças, que, na prática, formam um amontoado indiscernível.

Mulher é um bicho de memórias que se tornam impressões que se tornam reações que são tudo o que a gente vê quando leva um pé na bunda ou um simples fora sem saber muito bem por quê. É o que eles chamam de intuição feminina.
Em resumo: mulher lembra de tudo e sente em função de tudo que lembra - o desejo delas tem história; a gente, que é homem, só sente, não lembra de nada – a gente tem fome, sede, desejo, e pronto.
A memória é que criou a civilização, a literatura, as artes em geral, e essa criatura diferenciada do homem que é a mulher. Era pra gente morar no meio do mato, coçar o saco o dia todo, esperando o coco cair pra gente comer. Mas não, por causa da memória, criaram-se as cidades, o mullet, os blogs, o plano de carreira e a mulher, em vez da fêmea. Ou seja, era pra tudo ser simples e fácil, mas, por causa da memória, ficou tudo difícil e complicado.

Teste: Você é Miguxo(a)?

Em 1956, João Guimarães Rosa lançou um livro chamado "Grande Sertão: Veredas". A narrativa contava uma história de amor proibido passada no sertão do norte de Minas Gerais/sul da Bahia, e revolucionou a linguagem literária brasileira ao fazer uso de neologismos empregando a típica linguagem sertaneja, fruto de uma densa pesquisa de dois anos por parte do autor. Resumindo: Guimarães Rosa queria expor ao país um retrato da vida dos habitantes dos nossos sertões. Bonito mesmo.

Eu, na minha parca humildade e comovente ingenuidade, resolvi seguir os passos do nosso diplomata e escritor favorito (Vinícius de Moraes era apenas um velho tarado) e fazer um relato completíssimo de uma nova categoria de pessoas que aflui no mundo moderno-contemporãneo. A inclusão digital vem permitindo cada vez mais o surgimento e aflorismos de um grupo peculiar: os Miguxos. Sim, miguxos e miguxas. Eu resolvi entrar nesse perigoso meio para trazer a vocês, fiéis leitores desse blog, a verdade sobre essa turma. Criei milhares de MSNs, profiles de Orkut, fui a festas adolescentes, frequentei matinês em baladas, me disfarcei de aluno de colegial, aprendi a usar a "linguagem" (sic) por eles usada, mandei e-mails de correntes chatos, vídeos engraçadinhos de youtube, fui em todos os shows dos Rebeldes no Brasil, enfim, me joguei de vez nessa nova realidade. Fiz SURPREENDENTES descobertas. Vocês acham que o miguxismo é coisa de adolescentes, e cai em desuso quando a pessoa amadurece? Enganam-se. O miguxismo vive no mundo corporativo também, nas festas de empresas, nos chatos que usam a intenet para brincarem de jovialidades. O principal mandamento do miguxismo é ter o maior número de amigos que puder, e fazer do mundo um playground ambulante, seja na escola, na faculdade, no trabalho, ou em blogs (WHAT?). Tendo tudo isso em mente, criei aqui um rápido eficiente teste, para vocês saberem se fazem ou não parte desse mundo. Seco e rápido: ÉS MIGUXO(A) OU NÃO ÉS?

Você é Miguxo(a):
1- Se tiver mais de 100 contatos no MSN, live messenger, ICQ, qualquer um desses;
2- Se você for emo, e gostar das seguintes bandas/cantores/cantoras: Fall Out Boy, Panic! At The Disco, Simple Plan, Evanescence, NX-Zero, Hateen,
3-Se você não for emo, e gostar das seguintes bandas/cantores/cantoras: Ivete Sangalo, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Jeito Moleque, Inimigos da HP, Jota Quest, Papas na Língua, CPM-22, Hateen, Pitty
4-Se você tiver um I-Pod com dois ARM 7TDMI derivados rodando a 90 MHz.de capacidade variando de 512 MB a 80 GB com USB 2.0 E Wi-Fi
5-Se você tivr um celular Motorola V360 com GSM de 1900 MHz, 0.3. megapixels, Control-Pad, Key-Pad, Flip e 5MB de memória instalada
6-Se você usar letras coloridas e alternar maiúsculas e minúsculas quando escreve nos Orkuts e MSNs da vida
7-Se você mandar scraps ou e-mails com arvorezinhas, laranjaizinhos, escadinhas, correntizinhas com mensagens de auto-ajuda, correntes de paquera ou links para sites
8-Se você tiver mais de 12 fotos no seu Orkut, e , como agravante, se algumas das fotos forem montagens com momentos em baladas e amigos com inscrições dizendo que você ama todos eles de paixão
9-Se você tiver mais de 500 amigos no Orkut (essa vai incriminar um dos camaradas), mais de 100 fãs ou mais de 1000 scraps
10-Se você for Canceriano

Níveis do Miguxismo
Se você respondeu sim para 1 até 3 respostas: você é um miguxo iniciante, provavelmente está maravilhado com as maravilhas do miguxismo e logo estará subindo na hierarquia miguxiana
4 até 6: voce é um miguxo intermediário. Já tem bastante experiência no meio, aprendeu muito do que é ser um miguxo e trabalha com afinco para melhorar ainda mais
7 até 9: você é um miguxo avançado, merece dar aulas de miguxismo já, tamanhos são os seus conhecimentos sobre a matéria, a sua facilidade de mexer com tudo aquilo que faz um miguxo de verdade. Parabéns.
10 respostas afirmativas: oBa! vC e uN mIgUxInHu kI nEiN hEu! vAmUs sE aMiGuInHus? kI LeGaU! kI dIvErTiDuXo! hEu sEmPrI vOu iStAr dU sEo lAdU aMiGuXiNhÚ! kI sOrTi a mInHa! vAmUs sE aMiGuXiNhUs pA sEmPr!
HiHiHiHiHiHiHihIHiHiHiHiHiHihIhIhIhIHihIhIHiHiHihiHi!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Magali, minha grafóloga

Existe uma pessoa a quem sempre peço conselhos, uma pessoa que me serve de apoio nas situações mais complicadas da minha vida: Magali, minha grafóloga.

Há tempos lhe devia esta louvação. Ficava ensaiando como fazê-lo, no entanto, até que me surgiu a idéia mais simples possível: traçar um breve perfil dessa pessoa extraordinária.

Magali se formou em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), em 2005, especializando-se em grafologia, que, se não sabem, é a análise da personalidade pelos traços da escrita. Foi ela a pessoa que me abriu os olhos para o meu egocentrismo, que me desmacarou, por assim dizer. Lembro até hoje dela me falando assim, com a Bic em riste:

- Tá vendo essas iniciais balofas? É que tu é muito cheio de si, malucão! Parece um sapo-boi!

Ela é meio despachada mesmo. Sempre precisei desse tipo de gente perto de mim, incisiva assim. Não importa como eu chegue ao consultório dela, eufórico ou melancólico: com ela não tem meias palavras, ela não muda. É sempre "senta aí, seu sangue-nos-zóio; tá cá a caneta, escreve aí, trinta linha". Depois, ela pega o papel e fala tudinho, exatamente aquilo que eu estava precisando ouvir. É como se me lesse a alma, a danada.

E é um mulherão. Eu falo "ah, doutora, se você fosse mais velha (tem 24), casava com a senhora". Aí, daquele jeitão dela, ela diz: "Se eu fosse mais velha? Então, por que tá me atacando de senhora? Deixa de ser comédia, truta!". Claro que é só brincadeira minha e dela. Ela é muito profissional pra se envolver com um paciente. Mas ela é firmeza, 100%. Mesmo.

Sem palavras pra descrever alguma coisa sobre mim, eu acho

Eu falava pra minha mãe que queria ser artista quando morresse. Ela mandava eu calar a boca, me perseguia e dava um tapa na minha cabeça, pra ver seu eu esquecia essa idéia, ledo engano. Só reafirmou tudo que eu queria,; envelheci, e continuei com algo parecido na cabeça; as coisas mudam, mudam e ainda assim tem o resquício, o cheiro do original. Mas justifico-me agora: esse negócio de artista é pra não acordar cedo todo dia. Ainda faltam algumas décadas, continuo, em alguns dias, não acordando cedo; veremos.

Separações

O equilibrista sabe que se equilibra na corda bamba. O amor talvez seja isso, numa aproximação vulgar. E quando acaba; o final antes do desfecho se divide em fases, é certo.

A primeira é a negação, "nunca", pensa o amante, "isso não pode estar acontecendo".

Logo depois a negociação; fala, que além dos filhos, vai levar a george forman e a churrasqueira. Igual um negociador de refém, a fase necessita de perícia, agora estamos pisando em ovos. Alguns mais sádicos gostam de ameaças, "se vc for embora agora nunca mais vai ver as crianças!". O outro retruca: "Ah ok, vc nunca mais vai ver a novela na Tv de plasma", pelo menos tenta. Tentar seria a segunda palavra atrelada a essa fase, os dois tentam alguma coisa.

Agora chegamos no ápice, o grande movimento: revolta. As partes se xingam, maldições, macumbas; os despachos são bem comuns. Se em enquanto se amavam não se mataram pela intensidade do amor, agora poderão se matar pela intensidade da separação. Destruir o outro, pelo menos roubar a coleção de álbuns de figurinhas do parceiro. Não é muito recomendável afirmar acordos de separação nesse momento, é costumaz acontecer justamente o contrário, as pessoas se matam no tribunal.

Como todo carnaval tem seu fim, já demonstrado pelos Los Hermanos, chega a hora final: a aceitação. Sim, as armas depostas, as bandeiras hasteadas e as trincheiras esquecidas. Os dois até, quando se encontram na rua, ensaiam um aceno, um sorriso. É, o equilibrista sabe que ao cair, seja de propósito ou acidentalmente, a queda em algum momento é esperada.

terça-feira, 22 de maio de 2007

O casamento é uma loteria

Oito, entre dez, casamentos terminam em divórcio, informou-me o Camarada Progressista, sempre muito oportuno, durante uma cerimônia a que fomos convidados.

É o pessimismo do IBGE. O IBGE está dizendo mais ou menos o seguinte: sabe aquele grill George Foreman ou aquela panquequeira Evander Holyfield que você comprou? Foi dinheiro jogado fora: esses dois aí, não dou nem um ano.

O IBGE não chora em casamentos. Não se impressiona se a noiva parece uma vênus, ou um anjo, ou uma princesa. Ele cochicha no seu ouvido: você não devia ter comprado esse grill; pra quê tanta pompa? olha toda essa comida? quanto é que custou esse buffet?

O IBGE também não é místico, não sente que esses vão dar certo. Nem tenta se convencer do contrário, apontando como os dois se olham, como completam a frase um do outro.

George Foreman Grill Família c/ Estufa Transparente GBZ4C Salton: R$ 189,00, no Submarino.

Oito, entre dez. Três, entre quatro. A vida é dureza.


A Fraternidade é vermelha

Estive pensando por esses dias escrever sobre alguns filmes do meu coração, pra me harmonizar tematicamente com o Camarada Progressista, coisa que sempre procuro fazer, já que, freqüentemente, apontam a falta de coesão deste nosso blog.

E que coisa! Coincidentemente, assisti na semana a "A Fraternidade é Vermelha", do Kieslowski, filme citado nos dez mais do referido camarada. Assim que o DVD saltou da bandeja, corri pra registrar minhas maravilhosas e frescas impressões sobre o filme. Mas eis que minha perspicácia usual me chamou a atenção, enquanto eu digitava "A Fra-ter-ni-da-de é... Ver-me-me-me-lhaaaaaaa! Corei.

Ruborizado, me dava conta progressivamente do que, eu, precipitando-me a escrever, ia deixando passar. Vozes me assaltaram imediatamente: "Veja só, não disse que o Camarada Fundamentalista era um vermelho? Petralha! Vá fazer a revolução na casa da tua mãe, esquerdopata!"

Mas, por sorte, o notei. E eu, que sou simpatizante do anarquismo telúrico e do monarquismo cósmico, sim, repito - do anarquismo telúrico e do monarquismo cósmico -, querendo evitar mais mal-entendidos, denuncio quem é o verdadeiro vermelho entre nós:

Camarada Progressista!

Sim, pois é. Até outro dia, dissimulado, se empenhava - com uma aplicação da qual devíamos ter desconfiado - em fazer declarações que o discriminassem muito claramente como um tucano com careca e tudo. Mas era um engano, a disgusting disguise! Porque, no fim, eis que vem introduzir neste blog, subrepticiamente, suas mensagens comunas.

Bem que estranhei que ele, sempre ostentando um americanismo histérico, no que diz respeito à cinematografia - e agora vejo que era tudo, tudo cena -, viesse, do nada, colocar, entre os seus dez mais, um filme francês dirigido por um polonês! Muito União Européia pro meu gosto. Mas o sentido era outro, bem outro. Não era de um europeísmo reprimido. Pior. Era vermelho, e de um maoísmo leninista-trotskista-stalinista asqueroso! Pulha!

Em tempo, em tempo desmascaramos esse pulha! Preparemos, sim, preparemos a fogueira!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Lorena Calábria
Jornalista carioca, teve passagens de sucesso pela extinta Rede Manchete, Globo, MTV, revista Bizz, SBT, Multishow e, principalmente, Tv Cultura, onde apresentou o programa Metrópolis por 4 anos. Hoje, apresenta na Rede Record o programa Domingo Espetacular ao lado do Paulo Henrique Amorim. Ao assistir o programa, é visível o desconforto dos dois, já que trata-se de um clone vagabundo do Fantástico com fascinantes reportagens sobre a vida dos Marsupiais ou blocos inteiros dedicados a cirurgia plástica. Lorena, você poderia fazer mais que isso, não?

domingo, 20 de maio de 2007

Os Melhores Filmes, Década de 90, Parte 2

E agora, abafando o atraso de um dia, finalmente para todos os fãs incondicionais desse blog e aos seus detratores também, aqui mando, com lágrimas no rosto e batidas fulgurantes no meu esquálido coração, os cinco melhores filmes da década de 90, do quinto melhor para o melhor de todos (importante lembrar: na MINHA opinião, mano progressista, e a minha opinião não é necessariamente a mesma dos outros dois camaradas. Deu pra entender agora?). Para vocês, cambada:

5- Jerry Maguire, A Grande Virada - (Jerry Maguire, 1996) - Diretor: Cameron Crowe; Elenco: Tom Cruise, Renee Zellweger, Cuba Gooding Jr.
Eis para vocês, o homem, o chato, a lenda, Thomas Cruise Mapother IV. Desde o indefectível Top Gun, segundo filme mais gay da história (Batman e Robin ainda imbatível), ele nos atormenta com o seu método junkie food de atuação. Na época vindo de dois sucessos estrondosos de bilheteria, A Firma e Entrevista com o Vampiro, Cruise era a maior estrela de Hollywood. Quando aceitou fazer esse filme de menores pretensões, muitos estranharam a decisão. O diretor, Cameron Crowe, tentava desesperadamente mostrar que o sucesso que conseguiu com o seu primeiro filme, Digam o Que Quiserem, não tinha sido obra do acaso depois dos resultados medianos que obteve com o seu segundo filme, Singles. O elenco era formado por ilustríssimos desconhecidos (Winona Ryder chegou a testar para papel que foi de Renee Zellweger, mas foi vetada por parecer ser irmã de Tom Cruise, e não interesse amoroso). Crowe tirou atuações de rara entrega dos seus atores, especialmente de Cuba Gooding Jr., conseguiu tirar um bom trabalho do muitas vezes forçado Cruise e fez um filme pulsante, extraindo beleza e lirismo da garra e do brilho de pessoas comuns passando por momentos de decisão em suas vidas. Parece pouco, mas simplicidade e sinceridade podem proporcionar momentos preciosos para aqueles que quiserem sentir algo ao invés de passar 120 minutos olhando para o alto.

4- Os Doze Macacos - ( Twelve Monkeys, 1995) - Diretor: Terry Gilliam; Elenco: Bruce Willis, Brad Pitt, Madeleine Stowe
Dos membros do Monthy Phyton, Terry Gilliam era o que menos atuava, limitando-se a fazer personagens meramente periféricos nos filmes da trupe. Ele, que era o único americano da turma e desenhista de origem, sempre preferiu atuar no processo de criação, dirigindo junto com Terry Jones o Cálice Sagrado e o Sentido da Vida. Por isso, depois que os Phytons se
separaram, acabou virando um diretor de raro talento, empregando técnicas visuais e de cinematografia que ficaram tão marcantes que viraram marcas registradas dele, como a câmera inclinada e a trilha monocórdica e evitando arranjos orquestrais e as temáticas futuristas. Os Doze Macacos não é o seu melhor filme (a honra vai para o Brazil, de 1986), mas é um exemplar exercício de cinema, um pesadelo científico-futurista com um roteiro coeso e inteligente, atuações firmes de Bruce Willis e Brad Pitt, driblando com categoria as canastrices habituais dos dois atores, e o apuro visual de Gillam na sua melhor forma, agindo como uma espécie de Caravaggio pós-apócalíptico. Um grande momento na bela carreira de Gilliam.

3 - The Commitments, Loucos Pela Fama - (The Commitments, 1991) - Diretor: Alan Parker ; Elenco: Robert Arkins, Michael Aherne, Angeline Ball
Nenhum filme dos anos 90, eu disse NENHUM, proporcionou tanta diversão e despojamento quanto Commitments - Loucos pela Fama. Com um elenco formado por músicos profissionais e com pouca ou nenhuma experiência no cinema, o diretor Alan Parker acabou podendo implementar as suas idéias com mais liberdade (ele dirigiu o fime The Wall, inspirado no disco do Pink Floyd, e nunca se recuperou do trauma de ter que trabalhar com o egocêntrico Roger Waters), deu a segurança necessária para os seus atores, e trabalhando com avidez em cima do bom livro de Roddy Doyle, construiu essa inspirada fábula de um jovem com aspirações de manager tentando montar uma banda de Soul na suburbana e miserável Dublin do começo dos anos 90. Hilário do começo ao fim e com números musicais sensacionais, o filme reviveu a carreira do Wilson Pickett, lançou a moda das bandas de soul de publicitários (o porque dos publicitários terem sido eleitos como rótulos, eu não tenho a menor idéia) e mostrou ao mundo todo o charme do humor irlandês. Esperamos ansiosamente até hoje que lancem aqui nesse fim de mundo o DVD. É duro ver nas lojas edições caprichadas de todas as bombas "estreladas" pelo Adam Sandler e pelo Martin Lawrence e saber que o Commitments nem previsão de lançamento tem. VAMOS MEXER O RABO, DISTRIBUIDORAS DO INFERNO!

2- Pulp Fiction, Tempo de Violência - (Pulp Fiction, 1994) - Diretor: Quentin Tarantino; Elenco: John Travolta, Samuel L. Jackson, Uma Thurman, Bruce Willis
Isso não foi um filme. Foi uma hecatombe nuclear. Se você não tivesse assistido Pulp Fiction, você não era um cara legal. Um filme de baixo orçamento que ousou peitar Forrest Gump, infinitamente mais caro, nas premiações da época. Colocou o cinema underground americano no mapa, deu voz a diversos diretores talentosos que não tinham chance de fazer os filmes que queriam, ressucitou John Travolta, lançou o mito Samuel L. Jackson e, principalmente, colocou Quentin Tarantino, ex-vendedor de locadora e diretor do muito elogiado e pouco visto Cães de Aluguel, no topo do cinema, aonde está até hoje. Quando ele elogia algum filme obscuro, os produtores usam o elogio nos cartazes de divulgação dos filmes. Se o Tarantino falou, então é bom, reza a cartilha. Mas, passados 13 anos, toda a euforia, a pergunta que fica é: o filme é tudo isso mesmo? Ou era apenas o filme certo no momento certo? Analisando isoladamente, sem a pressão de ter que determinar se o status que é dado ao filme é válido, Pulp Fiction é um glorioso trabalho de celebração da cultura pop, com um roteiro repleto de diálogos icônicos e sensacionais, personagens marcantes e extremamente bem delineados, elegantes jogos de câmera, narrativa não-linear que, embora não fosse inédita nem fizesse muita diferença na história como um todo, acabou se revelando um diferencial interessantíssímo, além de isolar eficientemente as histórias umas das outras, fortalecendo-as e ressaltando ainda mais as ligações entre elas. E a trilha sonora, que até hoje é lembrada como um dos casamentos mais perfeitos entre um filme e as músicas que nele tocam. Pulp Fiction não foi um acidente, foi a tão esperada volta do cinema autoral, perdido no meio das naves de Star Wars e das fantasias dos Spielbergs da vida.

1- Clube da Luta - (Fight Club, 1999) - Diretor: David Fincher; Elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham-Carter
Poucos filmes foram tão incompreendidos na história quanto esse Clube da Luta. Quando saiu, acusaram o filme de David Fincher baseado no livro de Chuck Palahniuk de ser subversivo além de tudo o que podia ser aceitavel na moralista sociedade americana, fascista ao extremo, de mal uso da violência, enfim, encheram tanto o saco que o filme fracassou nas bilheterias. Para piorar, aqui no Brasil, era uma sessão do filme que acontecia quando um maluco entrou armado numa sala de um Shopping de bacanas na Zona Sul de Sampa e matou a tiros cinco pessoas. Pronto, era o que faltava para enterrar o filme de vez, apesar de tudo ter sido uma trágica coincidência. Zica demais para um filme só. Depois de tudo isso, anos se passaram até que finalmente começasse a se dar o valor merecido ao filme, um roteiro primoroso filmado como absurda excelência por Fincher, um ótimo diretor que emula a obsessividade e o preciosismo de sua principal influência, Kubrick, mas que nem sempre consegue fazer filmes bons por não ser o autor dos roteiros que filma e depender sempre de arrumar bons escritores. Nesse caso, ele tirou a sorte grande com o excepcional trabalho de adaptação feito por Jim Uhls e pôde deitar e rolar. Edward Norton, como o narrador (o personagem nunca é nomeado) perdedor que conhece num vôo um maluco anarquista, interpretado com surpreendente brilhantismo por Brad Pitt, e monta junto com ele um Clube no qual homens se reunem para simplesmente darem porrada uns nos outros. Retrato cínico da Geração X agora fazendo parte do mundo corporativo e perdendo-se num sistema que tira dos homens toda a sua individualidade, o filme inteligentemente dá ao espectador a impressão, em determinado momento, de que os personagens teriam saído desse cenário quando, na verdade, estão embarcando em algo tão frustrante e descaracterizante quanto. Ao contrário de tudo o que se disse, a única verdade do filme é: tudo nessa vida pode ser trocado pelo amor de uma garota. Ou não.




sexta-feira, 18 de maio de 2007

Os Melhores Filmes, Década de 90, Parte 1

A década de noventa acabou faz muito tempo já. pra quem não sabe. Mas nós, incorrigíveis saudosistas (excluo dessa afirmação o mano fundamentalista, para quem nostalgia é "coisa de cavalo açoitado"), vamos abrir o baú de recordações cinematográficas e trazer, irrevogavelmente, os dez melhores filmes da década de 90. Nessa primeira parte, a contagem vai do décimo melhor filme para o sexto melhor, e amanhã, os cinco primeiros. Enjoy


10- Os Suspeitos (The Usual Suspects, 1995 ) - Diretor: Bryan Singer; Elenco: Kevin Spacey, Gabriel Byrne, Chazz Palminteri, Benicio Del Toro, Stephen Baldwin
Começo de 1995. Auge da euforia alternativa provocada primeiramente pelo Nirvana no campo musical e complementada pelo estouro do Pulp Fiction nos cinemas. Nunca o momento tinha sido tão bom para filmes fora do esquemão tentarem alcançar alguma notoriedade. Bryan Singer e Christopher McQuarrie sabiam bem disso. Era agora ou nunca. Pegaram o roteiro que McQuarrie tinha escrito por tres anos, chamaram atores de confiança e outros mais famosos interessados na história que colocava a trama do Rashomon, clássico de Kurosawa que contava a história de um crime usando vários pontos de vista diferentes, no contexto mafioso-crimonoso americano. Com inacreditáveis seis milhões de dólares, finalizaram o projeto, mandaram para Cannes para exibição fora de circuito, e fosse o que Deus quisesse. O resultado, como não poderia deixar de ser outro: críticos atonitos, estarrecidos com o roteiro intricado, a direção classuda de Singer e as intepretações apaixonadas de Palminteri, Byrne e, principalmente, Kevin Spacey, cuja atuação hoje tem status de mítica. Ganhou dois Oscars, roteiro e ator coadjuvante para Spacey, fez bela carreira nos festivais mundo afora e deu ao mundo pop dois nomes a serem citados para sempre: Verbal Kint e Keyser Soze.

9- A Lista de Schindler (The Schindler's List, 1993) - Diretor: Steven Spielberg; Elenco: Liam Neeson, Ralph Fiennes, Ben Kingsley
Esse filme tem gosto de acerto de contas. Spielberg sempre quis fazer um filme sobre a história do Holocausto, para homenagear a sua família, vítima da maluquice nazista. Mas o cidadão sempre teve a estima baixa, e queria que outro diretor dirigisse e ele apenas ficasse na produção. Depois de ouvir negativas de vários diretores, tentou oferecer para o lendário Billy Wilder, que fugiu da Alemanha no começo do nazismo. Wilder recusou, mas consternado com a determinação de Spielberg, convenceu o rapaz a finalmente parar de palhaçada, agir que nem macho e dirigir ele mesmo o filme. Com os brios mexidos, Spielberg deixou a emonice de lado, chamou um grande elenco encabeçado pelo gigante (tem 1,94 de altura) Liam Neeson e contou a história que tanto queria, concentrando-se principalmente no retrato psicológico de um oficial nazista psicótico e explosivamente imprevisível (melhor atuação na carreira do nem sempre eficiente Ralph Fiennes) e encheu os cinemas do mundo de lágrimas com o final um tanto quanto melodramático, mas que em nada tira o brilho do seu trabalho. Depois disso, Spielberg achou que era a última bolacha no pacote, resolveu imitar o maior de todos Stanley Kubrick em todos os seus filmes e quebrou lindamente a cara. Mas uma vez, ele quis ser gente grande e acertou.

8- O Silêncio Dos Inocentes (The Silence Of The Lambs, 1991) - Diretor: Jonathan Demme; Elenco: Jodie Foster, Anthony Hopkins
As histórias escritas por Thomas Harris sobre o psiquiatra canibal Hannibal Lecter (oiginalmente nos livros o sobrenome era Lecktor, ele tinha origem lituanesa nas novelas) nunca foram consideradas geniais, obras-primas ou coisas do tipo. O primeiro filme feito com Hannibal, Manhunter, de 86, dirigido pelo Michael Mann e com Brian Cox no papel principal é um filme eficiente, mas nada além disso. Por isso, as expectativas eram pequenas quando anunciou-se um novo filme do canibal, mesmo com a presença da estrela Jodie Foster. Anthony Hopkins na época era apenas um talentoso ator teatral relagado a inexpressivos filmes para a TV. Jonathan Demme era conhecido apenas pelo documentário feito junto da banda cabecóide Talking Heads. Mas, quando o bagulho é pra funcionar, sai de baixo. Denso e nervoso até a medula, o filme aproveitou todo o talento dos seus atores principais. Tanto Foster, interpretanto uma investigadora novata do FBI que exalava determinação e sagacidade, quanto Hopkins, no papel que marcou a sua vida, ofereceram momentos que vivem na memória de todos os cinéfilos, como no sensacional duelo psicológico que acaba gerando o nome do filme. Foi o terceiro filme a ganhar os cinco oscars principais, Filme, Roteiro, Atriz, Ator e Diretor. Nada mal para um filme que todos esperavam ser nada mais além de habitue de locadoras de bairro.

7- A Fraternidade é Vermelha (Trois Couleurs: Rouge, 1994) - Diretor: Krzysztof Kieslowski; Elenco: Irene Jacob, Jean-Louis Trintignant
Parte final da trilogia feita por Kieslowski usando metaforicamente as três cores da revolução francesa e os seus sentidos equivalentes (os dois primeiros, A Liberdade é Azul de 93, e A Igualdade é Branca, também de 94), A Fraternidade é Vermelha acabou sendo o filme mais conhecido dos três talvez pelo fato de Kielowski ter sido indicado ao Oscar de diretor por ele. Mas a trilogia inteira é sensacional, e esse filme, que conta a história de uma jovem modelo que acaba fazendo amizade com um velho bisbilhoteiro que espiava a vida dos vizinhos com um binóculo, acabou sendo o retrato mais perfeito do cinema sensorial de Kielowski, um final digno para esse talentoso polonês que morreria no ano seguinte ao lançamento do filme.

6- Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption, 1994)- Diretor: Frank Darabont; Elenco: Tim Robbins, Morgan Freeman
O Stephen King lançou uns 785 livros na sua carreira toda. Desse total, 90% foram livros de terror, normalmente boas premissas disperdiçadas em clichês toscos e óbvios e um respeito excessivo e bovino as convenções do gênero. Dos 10% restantes, 9,99% falam sobre amizade, metade com as histórias versando sobre um adulto recordando um momento importante de sua infãncia e dos seus amigos, e a outra metade sobre laços de amizade criados em presídios nos anos 30 misturados com pitadas de realismo fantástico.O 0,1% restante é prenchido pelo Apanhador de Sonhos, que junta tudo num caldeirão só para criar um dos momentos mais pavorosos da ficção americana no século 20. Toda essa previsibilidade, quando transformada em filmes, somente conseguiu ser quebrada quando encontrava um diretor bom o suficiente pra chutar as bobagens e excessos de King pro lado e concentrar-se nos esforços de um bom elenco ou em firulas com a câmera (estou falando com voce, De Palma) . Frank Darabont, diretor burocrático e eficiente, como tantos que infestaram os anos noventa, encontrou o seu melhor momento com essa bela história de redenção através da força emergida de uma improvável amizade de um torturado homem que matou a sua esposa e amante com um influente prisioneiro, o filme até hoje mantém um gigantesco séquito de fãs, algo surpreendente considerando que o filme foi um fracasso de bilheteria quando saiu, somente sendo justiçado pelas diversas indicações que recebeu ao Oscar. Um filme que encontra toda a sua força na sua mensagem e na maneira como ele a passa para os espectadores, sem sentimentalismos baratos, mudanças forçadas ou truques narrativos voltados para o melodrama. Algo raro no cinema, em qualquer época para ser verdadeiro.

Eu, ombudsman de mim mesmo

Universidade tem de produzir, sim. Posso ter dado a entender que não pensava assim, fazendo uma apologia chinfrim da ociosidade institucional. Eu sou bem impreciso mesmo. Mas retifico, clareio.

Tem de ganhar o Nobel, sim. Se não ganha, a gente senta pra ver o que é que está acontecendo. É gripe aviária? Vaca louca? Francesismo? E dá-lhe xarope e lactobacilos vivos. Aí, ela vai e ganha um monte de Nobel.

Só que se interpõe uma questão. Produzir em função do Nobel é o mesmo que produzir em função do mercado? Ou: o neoliberalismo, como política educacional, visa a progressos científicos em todas as áreas do conhecimento e, assim, nos conduz ao reconhecimento científico internacional, tanto na Física quanto na Literatura?

FEA e Poli já contam com o patrocínio da iniciativa privada e, por isso, atendem, em sua produção, a demandas e parâmetros certamente aprovados pelo governador Serra e pelo jornalista Reinaldo Azevedo. Ganharam o Nobel? Ganharão? Esperemos.

FFLCH, Física e outras dependem dos 9,57% do ICMS do Estado. A FFLCH, pelo menos, é onde os vermelhos estão todos entrincheirados, aquela corja. Eles ficam escrevendo um monte de tese sobre Safo, neokantismo e positivistas lógicos no gel. Mas ganharam o Nobel? Ou ganharão? Não!

Qual a solução? Acabar com essa História. Que não sobre pedra sobre pedra. Tem gente que diz que literatura, filosofia, essas coisas humanizam a gente, que isso é cultivar o espírito. Ora, tá me cheirando à mística de boteco freqüentado por universitário. Além do mais, pobre não tem espírito: tem estômago. Não é questão de formar "espíritos livres"; por favor, todo o mundo sabe que a academia aboliu há muito tempo essa superstição que é o espírito, e, ainda mais, livre.

Lição básica de economia, na sociedade capitalista, for dummies: dinheiro é capital, ou seja, dinheiro é feito pra ganhar mais dinheiro. Cultura, árvore, coala, criancinha, fica tudo no caminho, às vezes como meio, mas na maioria das vezes como empecilho pra se chegar de um lado, o dinheiro, ao outro, mais dinheiro. Dinheiro não é pra gastar com pessoas, isso é coisa do mais superado e tosco keynesianismo.

Pronto. Obrigado. Quanto é que foi?

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 1: Discos de Jazz

Bem esfriemos um pouco o nosso blog( não estamos fugindo Azevedo, nós voltaremos) e trago agora o começo do manual de como se passar por bem entendido sem fazer muito esforço( eu faço isso muito bem); senhoras e senhores, o manual do bem entendido ou indie pinguim.

Jazz: só a palavra já é difícil, imagine pegar quase um século de música e ouvir? Atitude quase impossível, agora vc não precisa passar madrugadas inteiras baixando álbuns de um cara esquisito que toca trompete( só a discografia do Miles Davis tem, por baixo, 30 Gb). Apenas se informe um pouco sobre certos albuns do jazz, algumas pilastras do jazz e você pode sair falando coisa difíceis sobre uma música nada fácil.




1) Kind of Blue (1959) - Miles Davis
O álbum de jazz mais vendido de todos os tempos. Pessoas que não gostam de jazz adoram esse disco e não foi pelo charme do Miles Davis( sem ofensas, Chet Baker). Ele hj, nas fotos era estranho e deveria ser o mesmo na época, mas manjava muito de música. Não foi a toa que ele chamou John Coltrane( Sax tenor), Bill Evans(piano) e Julian "Cannonball" Adderley (Sax Alto). Não, ele não convidou todos para um churrascão e depois um futebol, talvez eles devem ter feito algo semelhante depois da gravação, mas o intuito primordial não foi esse. Voltando, como boa farsa que sou, recomendo ouvir esse disco, mesmo você menino ou menina que gosta de Soweto vai amar esse álbum. Em Kind of Blue ( "Um pouco de tristeza", se fosse traduzido e virasse longa metragem) Miles rompe com o estilo atual, o cool, e instaura algo novo, o jazz modal. Não se assuste, não precisa saber o que são esses estilos de jazz, pouca gente sabe.




2) Time Out(1959, é o que diz o allmusic eu achava que era de 54) - The Dave Brubeck Quartet
Dave e um tal de Paul Desmond( não precisa saber quem é) depois de fazerem um bom tempo de parceria fizeram esse cd magnífico. E muito bom mesmo, ainda considerando que grande parte da banda era branca( com excessão de um negro, pq se não tiver pelo menos um dá azar, em bandas de jazz). Dave no começo da sua carreira sofreu muitos preconceitos por ser branco, da própria familia, sobretudo. O pai(negro) queria que ele fosse médico ao invés de ficar tocando, agradecemos a deus que isso não aconteceu, se bem que ele poderia ter erradicado todas as doenças do mundo( Desmond vai se....)



3) My Favorites Things(1961) - Jonh Coltrane
Ele cresceu, tomou vergonha na cara e resolveu partir pra carreira solo. Esse não é seu primeiro álbum, mas é o mais gostoso de ouvir. Coltrane colocaria qualquer guitarrista no chinelo por causa da sua velocidade fora do comum, dizia que ele era capaz de tocar cem notas por minito, isso em dias de mal humor. Sua música era viva como o fogo, igual sua vida: extigui-se aos 40 anos. E sua carreira também: começou a ganhar notoriedade só com 29 anos, parece que ele sabia que não duraria muito. O album mostrado aqui foi composto e ficou pronto em três dias( maldito gênio!).




4) Mingus Ah Um (1959) - Charles Mingus
Considerado por muitos como o rabugento, a abelhinha operária do jazz. Pois sim, é capaz de ter morrido brigando pelos direitos dos músicos de jazz e dos músicos negros( sim, para variar um jazzista negro). Sem ele talvez os musicos de jazz seriam continuamente explorados(elvis te lembra alguma coisa?) até hj ou apenas teríamos um ótimo musico rabugento a menos. Mas esse disco é muito bom mesmo, gostoso de ouvir, bem feita as composições ( ele era chamado de abelhinha, lembra?) . Tem até um referência ao bird: Charlie Parker(esse abaixo).




5) The Charlie Parker Story [Savoy Jazz](1945) - Charlie Parker
Pra comemorar o fim da guerra mundial a gravadora resolveu lançar esse coletânea
pra encher os bolsos de dinheiro. Um bom disco sem dúvida, tratando-se do Bird não poderia ser diferente. O interessante é a imagem que difere muito das capas dos cds de jazz; alternando sempre entre uma foto do principal músico acompanhado de letreiros grandes ou de uma ilustração no mínimo abstrata. Talvez a ídeia era confundir o Charlie Parker com o papai noel; o velho bonachão está de volta antes do natal e toca sax! Uma ilustração do Charlie Parker tocando seria muito mais agradável, sem dúvida. Outro disco ótimo, recomendado.



Ouça algumas faixas dos discos e já pode xavecar uma menina que goste muito de jazz( me apresente se conhecer) ou quem sabe, fazer o propósito do manual: fingir que gosta, é sempre interessante, veja meu caso.

Estupidez

camarada, feche a boca, já chegou aqui!

E tem mais

Eles são malvados, barbudos, não tomam banho e comem criancinhas; antes fossem padres irlandeses, além de tudo eles são ateus. Mas se o acordo com o governo atual vingar eles prometem devolver a reitoria, o Ulisses Guimarães, mas se ainda sustentarem a maioria deles por mais tempo, ou seja além da faculdade prometem devolver também o corpo do Jimmy Hoffa (CIA vcs estão ferrados) . Se o acordo com o Tucanomaster for feito em até trinta dias, lógico.

Se um dia eu te escrever uma cartinha

Se um dia eu te escrever uma cartinha, a você mesmo, e vier a citar Isócrates, Demóstenes, Cícero, não o farei por me alinhar ideologicamente com nenhum deles. Antes, o farei, por serem nomes que remetem à arte retórica, com ou sem conteúdo.

Se um dia eu te escrever uma cartinha em que diga que ser professor, no Brasil, equivale a se alistar em alguma missão de ajuda humanitária na África, de combate à fome, não o farei por achar que professor ganha mal; não, nada disso. Mas porque o sistema educacional público brasileiro é uma causa perdida quase como a erradicação da fome no mundo.

Se um dia eu te escrever uma cartinha, e você for de um partido, digamos o PSDB, e você estiver a serviço do PSDB, e eu, nessa cartinha, discordar de você e do PSDB, não o farei porque estou do lado adversário, porque sou, por exemplo, petista. Não, mas o farei porque discordo do PSDB e, pra falar a verdade, acho o PT um PSDB mais estabanado.

Enfim, se um dia eu te escrever uma cartinha, no fundo, no fundo, a minha intenção será só tornar você meu amigo, porque eu acho que todo o mundo é mó legal, e que a gente pode superar as diferenças, fazer churrasco juntos e emprestar havaianas um pro outro. E saiba que, no fundo, no fundo, eu sou só um bufão.

Estudantes da USP mantêm Ulysses Guimarães em cativeiro desde 1992

A Rede Bandeirantes divulgou que os estudantes que invadiram a Reitoria da USP, além de furtarem documentos confidenciais, depredarem patrimônio público e ameaçarem repórteres do canal, mantêm Ulysses Guimarães em cativeiro desde 1992.

Ulysses Guimarães, político brasileiro, fora dado como morto em acidente de helicóptero, ao largo de Angra dos Reis, Rio de Janeiro, em 12 de outubro de 1992, ainda que seu corpo nunca tenha sido encontrado.

Foram descobertas fotos do político que indicam que ele está vivo, em poder de estudantes, em local ainda desconhecido.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Sobre a estupidez universal

Só não babamos porque mantemos a boca fechada.

Hilário

Lendo o blog do Reinaldo Azevedo, nao pude deixar de notar um dos títulos dos posts: "Professor relata a humilhação a que foi submetido pelos neomaoístas ". Neomaoístas? NEOMAOÍSTAS? HUAHAUHAUHAUAHUAHUAHAUHAUHAUHAUHUAHAUA!!!!
Pelo o que sei, os partidários do carniceiro-mor Mao Tse-Tung queimavam livros e vestiam os professores com chapéu de burro. Por enquanto, no Brasil, quem anda queimando livros é somente o queridíssimo Roberto Carlos, e impedir professor de dar aula em nome de protestos ainda não pode ser considerado humilhação, ainda não, já que a humilhação so é constituída quando existe uma causa extrema para um efeito inexistente, e esse não é o caso, em nenhum dos lados. Mas vai tentar explicar isso pro inflado Azevedo e o seu estilo Carlos Lacerdiano de fazer notícia. Pena que não temos Getulios Vargas para serem acossados na história toda.
(Obs: não sou da faculdade dos meus camaradas de blog que vem sendo o centro de toda a confusão, eu vomitei no meio da prova no vestibular. Por uma indisposição estomacal causada pela ansiedade, deixei de ser um apedeuta. Pena?).

Reinaldo, e você? Você me ama?

"Educação humanística dos pobres é saúde para todos, o que ainda não há; é escola fundamental e média para todos, o que ainda não há; é saneamento básico para todos, o que ainda não há. Em que país do mundo, capitalista ou comunista, o ensino universitário é considerado um direito? Nos EUA ou na China, no Chile ou em Cuba, é para os mais capazes."

Reinaldo Azevedo, colunista da VEJA

Eu, Camarada Fundamentalista, ou melhor: "apedeuta, cretino, petralha, vermelho, esquerdopata, porco, vagabundo e parasita do esforço alheio", fui inventar de comentar no blog do Reinaldão suas opiniões sobre a Querela Serra-USP (ambíguo assim mesmo) - Dos Decretos à Ocupação da Reitoria. Escrevi um comentário em dez minutinhos e postei. As qualificações mencionadas vieram, logo após o colunista se dignar a refutar meu comentário (que ele chamou "cartinha", termo muito miguxo, obrigado) linha a linha, por parte dos leitores de seu blog que discordavam de mim. Minha favorita é "apedeuta", gosto das palavras difíceis, principalmente dessas que dão na cara sua origem greco-latina.

Segundo Reinaldo Azevedo: pobre não precisa de Homero (que só falava de rico), nem de La Rochefoucauld (que odiava pobre). Machado, só se for daqueles edições do Estadão que a gente acha em sebo por 2 real. Pobre precisa é de dentadura, cachaça, camiseta e boné do partido do candidato.

E, ainda segundo ele, os mais capazes é que merecem a oportunidade de ingressar no Ensino Superior. Concordo. Só não usaria o termo "capazes", parece darwinismo social, e eu sou muito politicamente correto. Não vou fazer que nem aquela ministra que teve que retificar o que disse, porque tinha pegado mal, mas era tarde demais. Em lugar de "capazes", diria "dispostos", "desejosos". Na prática, quem quer realmente se formar? O que todo o mundo quer mesmo é ganhar muita grana, e ponto.


Eles, leitores do blog do Reinaldo antipetistas, eu sei que não me amavam, mas o Reinaldo... ele até retrucou as minhas palavras, como vêem. Mas, ainda assim, fiquei na dúvida: ele me ama ou não? Ambíguo.

Eu não volto lá pra contrargumentar, porque eu não sou de comprar briga. Sou, na verdade, um tremendo miguxão, se vocês ainda não perceberam. Porque se o Reinaldo disser que quer ser meu amigo, visto a camisa do PSDB na hora. Juro que visto.

Em lugar de tudo aquilo que disseram de mim, apresento a lista oficial dos meus defeitos atuais, confirmada pelos íntimos e ex-namoradas:

Filisteu, diletante, doutrinador, conservador, puritano, doutrinado, obsessivo, arrivista, oportunista, cheio de si, egocêntrico, redundante, verborrágico, dispersivo, intolerante, e por aí vai.
O link para o post "As Catilinárias do Tio Rei", em que Reinaldo Azevedo confessa que "ama meu ser, mas odeia meu viver", é:
Ele devia saber que eu só escrevi lá, no blog dele, porque queria aumentar o número de acessos aqui, no nosso, e que eu nem gosto de Cícero, porque nunca li, só tava enrolando o pessoal. Isso, acrescentem à lista: "charlatão", logo após "oportunista".

Não acredite em tudo que vc lê( Eu já disse isso antes) - Fragmentos de um discurso quase sincero

é meus caros, a frase acima já disse era o meu intento nesse post. Mas não vou me moderar( ah não dessa vez!). Tanto eu como o camarada fundamentalista estudamos na mesma universidade, ainda que façamos cursos diferentes . Nessa universidade que estudamos costuma ter greve, pelo menos atualmente; ano a ano e a premissa de greve neste ano parece ser maior do que nos anos anterioriores. Nos anos anteriores foram outros propósitos; em 2005 foi a Lei de Diretrizes Orçamentárias( LDO para os íntimos), qual teria o intento de evitar o aumento de repasse de verbas para as universidades, colégios técnicos e faculdades tecnológicas( isso quando todas as instituições de ensino acima citadas passavam por expansões físicas e de cursos); em de 2006, era sobretudo o sobre o salário de funcionários, qual fui contra. Agora, nesse ano, soube dos decretos do Serra e suas idéias sobre as universidade públicas. Não vou me delongar sobre isso, mas o que vemos agora, é o repúdio contra isso, contra o fim da automia universitária, antes outras coisas foram feitas pelo governador Serra(olhe aqui) que caminham na contramão da evolução de um ensino integrado e de melhor qualidade.


Ligo a Tv, leio a revista preferida do meu camarada, entro em blogs e o que vejo? Pessoas falando que a invasão da minha reitoria foi aparelhada por partidos socialistas, que o intuito é a politicagem, a anarquia( no sentido de vandalismo). Onde as mafaldinhas e os remelentos, intimamente conhecidos como colegas de faculdade, são nada mais que pessoas de vários partidos tedenciosos, meninos mimados que não trabalham e por isso vivem de zonear . Isso pra ficar no mais suave. Mesmo sendo aluno da Usp, o remelento aqui trabalha e tem que pagar contas. Aproveitando a deixa e que não tinha visitado a ocupação da reitoria, só sabia das coisas que meus amigos falavam resolvi me aventurar pelas bandas uspianas. Achava que não deveria escrever sobre ocupação até ter melhores conhecimentos sobre o assunto e ver a tal "apropriação aparelhada pelo PSTU". Foi o que fiz, aproveitei que tinha livre acesso a reitoria e fui dar uma espiada.

A sorte estava ao meu lado, no dia que fui( segunda feira, dia 14/05) foi votada a permanência da ocupação ( ganhou de 249 a 179, para desespero dos poucos alunos aparelhados politicamente que queriam sair da ocupação) e também pude conhecer quem estava lá, o que tinha acontecido até então e conhecer a geografia da reitoria. Esperava uma bando de comunistas, como dizia o jornais e a Tv, mas nada disso, era bem heterogênio a populção presente. Lógico , contávamos os vermelhos, eram poucos. Havia pessoas que trabalhavam, pessoas da pós, todo tipo de estudante universitário. Dentro da reitotia pude perceber que realmente esse negócio de influência dos partidos é balela, sim existe - como eu disse; aqueles que são partidários, mas nem de longe compõe um massa forte e influente. As pessoas presentes pensavam em melhorias das universidades e não coalizações partidárias e luta armada, os tempos são outros e as armas também.

Pra finalizar vou explanar uma conversa que tive com um amigo:

"O velho, tá aproveitando a reitoria,hein? Tá fumando vários aqui, né?Sei que vc curte pacas, eu fiquei sabendo que tava rolando muita maconha aqui."

"Nada. eu sou contra fumar maconha aqui, pode prejudicar o andamento das coisas, pode prejudicar a ocupação. A galera que tava fumando aqui, também fazendo daqui um ponto de vedade droga, foram expulsos. Críamos até o lugar pra fumar cigarro."

Realmente temos que cortar o fornecimento de pizza dos estudantes, a única coisa que estão usando lá é orégano.

terça-feira, 15 de maio de 2007

As Dez Mais - Nacional

Todos aqueles que me conhecem sabem o que eu acho da música brasileira. Então, para efeitos sociológicos, lanço aqui as minhas 10 favoritas do Rock/Pop nacional (MPB fora).

10 - "Rios, Pontes e Overdrives"- Chico Science e Nação Zumbi - Da Lama ao Caos, 1994
Hoje em dia, essa banda pernambucana ainda é reverenciada pela crítica, embora tenha se tornado uma filial do Steely Dan com batuques, fazendo música para elevadores com sotaque manguebeat, e tem nos vocais substituindo o defunto Chico Science o Jorge Du Peixe, tão carismático quanto um poste de rua. Nessa música do primeiro álbum, é fácil notar o quanto a banda errou tentando continuar: Chico Science, embora fosse cabeçóide demais, era 90% da banda, e nessa eficiente composição fica claro que os experimentalismos e climas apeteóticos-agrestes funcionavam somente quando encontravam a árida poesia carangueja do Chico. Boa música, sem dúvida nenhuma.

9- "Envelheço na Cidade" - Ira! - Vivendo e Não Aprendendo, 1986
Sempre compre uma revista que tenha uma entrevista com o Nasi, vocalista no Ira, na capa. É hilário, ver esse velhote pagando de adolescente rebelde, dizendo ter o "sangue calabrês" e afirmando ser mal, pois para ele, roqueiro tem que ser malvado mesmo. Vai jogar bingo, véio! Depois falam do Chorão ainda. Mas, indo para o campo musical, o Ira sempre primou pelas letras colegiais demais e por ter um bom guitarrista, o Edgard Scandurra, hoje metido a DJ. Dizem que o terceiro disco da banda, Psicoacústica, é um clássico, as 3 pessoas que ouviram juram de pés juntos. Sei. Mas essa música é a obra-prima da banda, nunca mais farão nada parecido, um bom trabalho de artesanato pop que livra a cara deles até hoje.

8- "Me Chama" - Lobão- Vida Bandida, 1987
O Lobão é um compositor muito acima da média no esquálido rock nacional, a sua carreira foi mais ambiciosa que a dos seus pares, mas o que mata é essa mania que ele tem de querer ser o Lou Reed tupiniquim, dar entrevistas falando um monte de bobagens, se contradizendo em cada palavra, metendo o pau no rock quando lança disco de MPB e metendo o pau na MPB quando lança disco de rock. Um chato. Agora gravou até acústico para a MTV, emissora a qual ele jurou nunca mais colocar os pés em fins dos anos 90. Integridade artística é isso aí. Me Chama é a melhor música escrita por ele, um retrato de como o rock nacional poderia ser se houvesse um mínimo de inteligência entre os nossos músicos. Isso vale para o próprio Lobão também.

7- "Todo Carnaval Tem O Seu Fim" - Losermanos, ops, Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho, 2001
A banda que não fazia música para empregas domésticas ouvirem nos seus radinhos de pilha (eles mesmos disseram isso em entrevista pra Folha), por se acharem deuses da intelectualidade pós-moderna latino-americana, encontrou seu único acerto nessa música do seu segundo disco, que unia as duas facetas da banda, o hardcore do início de carreira com os metais e Marchinhas do fim da banda. Eu nunca suportei essa cambada, mas se negasse que Todo Carnaval Tem o Seu Fim é uma ótima canção, estaria agindo com a mesma arrogancia burra dos membros dessa banda.

6- "Alagados" - Paralamas do Sucesso - Selvagem?, 1986
O nosso careca favorito, Herbert Vianna, sempre foi um péssimo cantor, e banda ficou marcada por copiar descaradamente o Police. Nos anos 80, tentaram desesperadamente se livrarem desse rótulo, gravando discos em espanhol e outros que soavam quase como axé-music (dúvida? Tente ouvir o Bora-Bora). Selvagem foi o começo da experiência com percussões que a banda aprofundaria nos discos seguintes, mas Alagados tinha influências de música africana, e, por incrença que parível, o resultado foi bom, com o refrão mais esperto já escrito pelo Herbertão (pela última vez, é "Alagados, TRENCHTOWN", caramba!) e a bateria marcante do João Barone.

5- "Flores" - Titãs - Ô Blésq Blom, 1989
Não dá pra levar os Titãs a sério, uma banda com 456 integrantes e que ainda precisa de músicos contratados pra tocar no palco, que gravou discos horrendos como o Tudo ao Mesmo Tempo Agora e o Titanomaquia, que fez um disco de covers de fazer corar qualquer bandinha de garagem por aí. Por isso, eu nunca acreditei que esse bando de incompetentes tenha escrito uma música tão boa quanto Flores. Não pode ser, eles devem ter comprado a letra e os arranjos. Como é possível, uma letra coerente, inteligente e sagaz, uma melodia que vai além de berros de "u-hu" e repetições fonéticas guturais, tudo isso vindo dos maiores farsantes da história da nossa música? Não, essa mentira eu não compro.

4 - "Telefone" - Gang 90 e Absurdettes - Essa tal de Gang 90 e Absurdettes, 1983
Quando o jornalista, DJ nas horas vagas e maluco em tempo integral Júlio Barroso fundou essa filial do B-52's no começo dos anos 80, praticamente dava os primeiros passos, junto com o Blitz, do rock nacional. As viagens beatniks que ele tinha nas letras (uma das músicas do disco chamava Jack Kerouac, muito criativo mesmo) encontraram a sua melhor forma nessa música, que foi regravada um milhão de vezes por outras bandas. O visionarismo de Barroso terminou quando ele caiu da janela do seu apartamento em meados de 1984, e ele não viu o estouro do rock nacional, talvez tenha sido melhor assim, do que ter de ser colocado junto dos Barões Vermelhos e RPMs da vida.

3- "Será" - Legião Urbana - Legião Urbana, 1985
Renato Russo era um bom letrista. Ponto. Mas o seu talento como escritor nem sempre encontrava equivalência nas composições da banda, já que a Legião Urbana tinha instrumentistas medíocres nos seus quadros, e o sucesso das músicas dependia das sacadas melódicas que ele tirava das letras, já que se dependesse do Marcelo Bonfa e do Dado Villa-Lobos, poderia esperar sentado. Por isso, os últimos discos da banda soavam chatíssimos e arrastados, poemas musicados na verdade. Será, do primeiro disco da banda, se beneficiou do frescor de idéias que ainda existia, e com a sua letra que versava sobre um casal (gay? dah!) com tendências a extremismos emocionais, acabou sendo talvez o maior acerto da banda, sem dúvida um grande momento do rock nacional.

2 - "Hoje" - Camisa de Vênus - Batalhões de Estranhos, 1984
Marcelo Nova, compositor, vocalista e faz-tudo na banda, ficou com péssima fama ao estar junto do Raul Seixas na época da sua morte, sendo apontado como o responsável a levar o Raul de volta ao vício de bebidas que acabaria lhe matando. Bobagem, o Raul Seixas era um maluco de carteirinha que sempre foi chegado numa cachaça, independentemente de qualquer influência do Marcelo Nova em cima dele. Quanto a música, um belo pau na mania brasileira de cobrir os problemas do dia a dia com festas e carnavais, foi um belo achado na errática carreira do Nova, que não tem culpa de ser pai da mulher mais feia da história da humanidade, a Penélope Nova. Pô, antes que me xinguem, alguém tinha de ser a mulher mais feia já nascida, não é?

1- "Coração Pirata" - Roupa Nova- Não tenho a menor idéia do disco, deve ser de alguma novela dos anos 80, Salvador da Pátria, Vale Tudo, Mandala...
Eu tento ser sério. Eu tento fazer tudo direitinho. Mas, ai eu acabo sempre me perdendo nas minhas bozonices. E sabe por quê? Por que eu faço por que quero, estou sempre com a razão, mas jamais me desespero, sou dono do meu coração. A, o espelho me disse. Você não mudou.

Losers e a sufocação feminina

Ontem, eu estava numa grande livraria no coração da cidade onde moro (para os curiosos, a cidade fica na Latitude -23.5333 e na Longitude -46.6167) . Lia sossegadamente a edição ilustrada do livro O Código Da Vinci (eles poderiam colocar balões nos diálogos dos personagens, ficaria mais fácil e divertido ainda de ler, e dar o subtítulo de "para analfabetos funcionais"), quando notei, numas poltronas que ficam de frente para a parte de livros estrangeiros, algo um tanto quanto constrangedor. Um chato com duzentos livros de arquitetura estava sentado, quando duas meninas chegaram e sentaram nas poltronas do lado. O cara começou a puxar assunto com elas, alguma bobagem sobre pós-modernidade, e as duas, sem qualquer cerimônia, levantaram-se e se mandaram, deixando o cara falando com o vento. Ai você pensa, bom, depois dessa, o mala vai sossegar. Mas não.

Pouco depois, sentou perto dele uma mulher mais velha que as outras duas, mas com belas feições. Ela começou a ler um livro, mas teve de interromper, pois o cara puxou papo com ela também, falando, adivinhem, adivinhem, sim, da porcaria da pós-modernidade e dos livros de arquitetura que ele lia. Ao invés de tentar puxar assunto falando sobre o livro que a mulher lia, simplesmente começou a falar sobre assuntos referentes a ele mesmo. A mulher tentou, educadamente, dar atenção ao chato no começo, mas depois ficou nítido o total desconforto para ela, e no final o cidadão falava, falava e ela nem se dava ao trabalho de olhar pra cara dele.

NÃO É FÁCIL ser mulher, apesar de vocês Losers meterem o pau nelas por não conseguirem a sua atenção. Imagine, você está numa livraria, querendo relaxar do stress do dia a dia, lendo um livro da sua preferencia, e tem que interromper o que está fazendo para, por pura educação, dar atenção para um estranho sem noção e falastrão querendo dar em cima de você falando groselha sobre assuntos que fazem qualquer conversa ser natimorta. Imagino que aquela pobre mulher deva ser importunada frequentemente, em qualquer local ou atividade que esteja ou se proponha a fazer. Imagino ela na fila da padaria, louca pra compar logo os pães farelentos e ir pra casa, e algum chato começar a puxar assunto, a falar sobre a derrota do seu time do coração (acreditem, eu já vi um maluco puxar assunto futebolísticos com intuitos amorosos, certo ele, mulheres adoram futebol). Por isso, eu tenho orgulho de ser um cara feio que nem a fome. Posso ir pra qualquer lugar, sabendo que ninguém vai nem querer chegar perto de mim. Mulheres, eu me convaleço com as suas dores, e juro que nunca irei importuna-lás com bobagens, a não ser, claro, que vocês sejam corintianas e queiram falar sobre a última derrota do Timão...

Diga que me ama, Veja, diga!

Eu, amante ferido e desesperado, em acessos de amor e ódio:

Políticos não sofrem de baixa auto-estima, por isso dispensam elogios. E o governo não precisa ser defendido nem louvado por seus acertos. Mas o governo precisa ser atacado e denunciado quando falha. Eis o único dever da imprensa.

A imprensa não deve, jamais, se prestar à publicidade de partidos e personalidades políticas. Trata-se de alimentar mitos, de envolver a democracia na propensão sempre latente do povo ao messianismo.

Quando um jornalista congratula um político, pode ter certeza de que não é notícia, mas favor, compadrio.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

A Veja não me ama, mas eu amo ela

Eu comprei a minha Veja, que é a revista de que eu mais gosto no mundo inteiro. E o dia em que eu compro a Veja é o mais feliz da semana inteira. Vou correndo pra casa lê-la e, depois, na faculdade, eu conto pros meus amigos as coisas legais que eu aprendi, e eles ficam muito impressionados por eu saber tantas coisas do mundo e das atualidades.

Mas aí chegou essa semana, e não foi assim, eu não fiquei feliz: eu fiquei triste. E eu fiz tudo do jeito que sempre faço. Só que dessa vez, quando eu fui ler a Veja, eu li que eu, sim, eu era um sanguessuga. É, um sanguessuga! E que eu era do mal, só porque eu estudo na USP.

Mas eu não sou do mal, eu sou do bem; eu quero ser bonzinho - por isso eu leio a Veja! Vou explicar pra vocês, que também são cidadãos de bem.

Pra começar, eu sou filisteu - já disse isso antes -, que nem vocês, quer dizer, quase que nem vocês. Porque, de vez em quando, porque eu tô na USP, fico meio poser e, aí, meio blasé e tudo. É chato, mas é só de vez em quando.

Mas, em nome da sociedade, me marginalizaram, a Veja e um gordinho da Bandeirantes (que não entra na história), num desses programas da tarde em dia de semana. Disseram que eu e os meus colegas filisteus e posers da USP não retornamos nada do que a sociedade, ou seja, vocês, cidadãos de bem, investe na gente. Eles falaram assim, como se, só porque eu entrei na USP, eu já não fosse mais que nem vocês, como se eu não fizesse mais parte da sociedade. Pior, disseram que eu sou filhinho-de-papai.
E eu não sou, não. A minha mãe é a dona Conceição, e o meu pai é o seu Oscar. A gente mora na Vila das Mercês, a gente é de classe média bem, bem baixa, não tem carro, e eu até pouco tempo atrás era estagiário e ganhava 500 paus por mês.

Além disso, a Veja, de que eu gosto tanto, disse que eu não mereço ensino superior de graça porque eu não vou ganhar o Nobel. O Nobel é o índice de produtividade de conhecimento da Veja. Segundo ela, se eu, ganhando 500 reais por mês (quando eu ganhava, porque agora eu estou desempregado), tiver de pagar 800 só de mensalidade da USP totalmente privatizada, aí, sim, eu vou ganhar o Nobel. Vou escrever um livro classudo e ganhar o Nobel.

A Veja é pragmática: ou a universidade produz, ou não vale nada, e a gente fecha ela. Só que, tipo, a Renascença não aconteceu assim, na marra. A Renascença é um negócio que demorou uns quinhentos anos, de muita enrolação, de muita gente sem fazer nada. Isso era humanismo. Mesmo antes da Renascença, ou melhor, pra que eclodisse algo como a Renascença, foi necessário muito humanismo, ou seja, gente coçando o saco o dia inteiro. Sem ócio, não há valores humanistas. O trabalho embrutece o homem, esse trabalho voltado à produção, ao mercado, como é aquele de que a Veja quer saber. Trabalho, nesse sentido, e conhecimento não casam. Eu não tô dizendo que, se patrocinarem a USP e deixarem assim, como está, daqui a uns quinhentos anos, virá a Renascença tupiniquim. Pode ser que venha. Mas o que eu estou dizendo é que tem de haver isso que é a USP, um lugar onde as pessoas vão aprender a ler Homero e Tucídides no grego, independentemente se vai dar pra vender isso no shopping.

Além do mais, parte da USP já é meio que privatizada. E é justamente a parte bem comportada, que nunca entra em greve, que não adere à greve, a parte boa da USP, de que a Veja gosta. E é justamente essa a parte que todo o mundo toma pra dizer que a USP é da elite, e que nóis, que é pobre, a gente não temo acesso.
Mas FEA, Direito, Medicina e Politécnica não são a USP; são uma parcela representativa, mas também muito específica da comunidade. Eu, por exemplo, que sou pobre e burro, eu tô na FFLCH, pra ser professor, que eu sou otário e devia de saber que o Serra não gosta de professor e, por isso, não vai gostar de mim. Nem ele, nem o Lula.

E meritocracia existe, sim, e funciona, como tudo nessa vida, em parte. Mesmo que digam que não; mesmo que haja cotas, mesmo que eles digam que lá na USP os pobre num entra porque não tivero chance. Eu, de novo, sou prova de que isso é mentira. Eu que estudei a vida inteira em escola pública; tudo bem que não trabalhei até os dezoito anos, mas isso, como a maioria dos jovens. Só que, em vez de assistir ao Zorra Total (quer dizer, não toda a semana, ou não inteiro, só um pedaço), eu, que era um chato, ia ler Proust, zzzzzzz, e ia escrever poema boboca sobre como eu era um adolescente boboca e incompreendido. Por isso, eu passei no vestibular e, por isso, não virei um injustiçado do pernicioso sistema socioeconômico vigente. Estudo num prédio inacabado desde a década de 1960, por falta de verbas, e tenho aulas de latim numa sala de 150 alunos, também por falta de verbas, mas não sou nenhum injustiçado.

Poxa, e, afinal de contas, eu também sou que nem o Lula. Talvez por isso, a Veja de repente não goste de mim, apesar de eu gostar tanto, tanto dela. Mas, por outro lado, vocês, cidadãos de bem, têm de gostar de mim. Eu também vim de baixo. O Lula veio de baixo e chegou à Presidência da República; eu, a USP. A USP é cheia de Lulas. Cidadãos de bem, vocês votaram no Lula, acreditaram nele, então, acreditem em mim também.

Apesar de que eu, eu mesmo, acho que ter partido é falta de caráter. Que postura política, boa mesmo, idônea e justa, é a de Thoreau, que dizia que "o melhor governo é o que absolutamente não governa". O Mainardi mesmo recomendou uma vez a leitura de Thoreau. Portanto, termino eu, recomendando também Thoreau, e, apesar de tudo, como Winston Smith amava o Grande Irmão, amando a Veja, porque ela zela por mim.