sábado, 12 de maio de 2007

Complementando ou A epifânia esquizofrênica do camarada moderado

Esqueçamos um pouco o papa e também esses anos recentes. Vou me afirmar, um confissão na verdade, como a maioria dos jovens da minha geração queria ter vivido outra época e em outro lugar, acho que isso é coisa de pessoas insatisfeitas, a maioria dos jovens são, sobretudo incomodadas, mas a questão não é essa; quero falar que adoro os anos 70, isso mesmo, se pudesse eu seria negro na década de setenta vivendo em alguma cidade estadunidense.

Shaft, nascimento do cinema de arte marcial nos Eua, funk: caráter fundamental pra viver nessa época. Exitia alguma possibilidade de um tempo como aquele ser ruim? Esse período foi a solidificação dos nuances culturais dos anos 50 e 60; os beatniks, os hippies, contracultura, Elvis, Jerry Lee Lewis, Beatles, Hitchcock, arte pop, concretismo, feminismo,jazz modal. Tudo isso mexeu-se num liquidificador e daí surgiu os anos 70.

Onde tudo era colorido, brilhante e dançante. Onde as bandas obscuras eram de rock progressivo. Onde James Brown reinava. Onde as bandas tinham nomes geniais: Pure Wilderness, Funkadelic, The Supremes; pra ficar só nas mais populares. Onde se usava roupas geniais. Onde tropeçavamos na rua e já caíamos numa pista de dança. Sempre que tento ver esse período, imagino muitas cores, pistas dançantes e todas as pessoas do meu devaneio tem swing, deveria ser assim. Era uma época talvez otimista, você dançava até quando estava triste, raramente acontecia de ficar triste. Como ficar triste onde você sempre sai na rua e parece que começa a tocar uma música muito swingada?

Mas como o sol antecede a lua, os anos brilhantes antecederam os anos 80 e ninguém estava preparado para aquilo, melhor não falar que pode dar azar. Voltemos aos tempos recentes...onde sonhamos em parecer outra pessoa olhando sempre para um espelho.

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