quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Camarada Fundamentalista e as mulheres: caindo do cavalo

Quando eu vejo Coração de Cavaleiro (A Knight’s Tale), torço que nem uma menininha pra que o mocinho vença no final e dê uma boa lição naquele vilão malvado. E, ai, como eu sofro, até parece que há alguma chance real do mocinho não se dar bem. Mas eu tenho toda a razão pra agir assim, pois foi pra isso que fizeram esse filme: foi pra isso que transformaram a Idade Média em cenário pra um Dez Coisas que Eu Odeio em Você do amor cortês, inclusive com o mesmo Heath Ledger que havia protagonizado o original. Sabe, o Heath Ledger, o vaqueiro afásico e trans-viado (tsc, tsc, tsc...) de Brokenback Mountain?

Mas, então, só que eu mesmo, que achava que Coração de Cavaleiro era só entretenimento miguxo, fui na contramão do propósito do filme e achei uma das caracterizações mais objetivas e fidedignas do gênero feminino que eu já vi na minha vida. O que, pra nós, quer dizer mais uma lição essencial do Camarada Fundamentalista sobre as mulheres.

Estou falando da Lady Jocelyn (Shannyn Sossamon, um genuíno nome havaiano), é claro. Pra vocês que assistiram ao filme, mas não estão associando o nome à pessoa, trata-se da donzela cujo coração e partes adjacentes o nobre e bravo Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland (Ennis del Mar, quer dizer, Heath Ledger) se desdobra para conquistar. E é a esse trabalho que o amor lhe impõe que quero me ater, nessas considerações muito oportunas. Mais especificamente, às reações de Lady Jocelyn a certa altura do relacionamento; de fato, no momento decisivo, em que Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland finalmente dá prova, e definitiva, de seu amor pela jovem.

Acontece o seguinte. Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland pisou na bola com a menina (como todo homem cedo ou tarde pisa) e, pra remediar a situação, diz que vai ganhar cada uma das disputas do torneio de justa por ela. Ah, e aqui começa o calvário do homem – quando ele está por baixo, e quando ela está por cima, e ela sempre quer ficar por cima, porque ela sempre se faz de vítima, e porque ela, afinal de contas, tem algo que ele quer (e que, pelo menos supostamente, naquela época, era guardado atéééééé depois do casamento: imaginem, pois, o poder das mulheres de então; bobas as de hoje, que já vão entregando o ouro, de primeira). Então, Jocelyn, aproveitando-se do fato de que ele está comendo na mão dela, lhe pede justamente aquilo que não só ele, mas todo homem, mais valoriza, sua masculinidade. Sim, Camarada X, cedo ou tarde, as crescentes exigências dela acabarão inevitavelmente incidindo sobre o seu bem mais precioso, que até então você julgava inalienável: sua masculinidade. Ela pode tirar isso de você e não hesitará em fazê-lo, seja forçando-o a usar gola alta ou, como no caso de Lady Jocelyn, pedindo ao Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland que perca o torneio. É, que ele perca. Ah, a pérfida, sabendo do orgulho de Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland, para quem perder era, como para todo homem, no mínimo desonroso, lhe pede que perca, a fim de provar o seu amor por ela.

E ele, ingênuo, tolo, idiota, como todos nós, homens, somos, ainda que num primeiro momento relute, obviamente aceita a exigência. Como todos nós, ele se rende a ela e a suas romantizações cruéis e desumanas. Daí, o que se segue, em ritmo de videoclipe, é a série de derrotas e violências a que ele se submete sob o olhar satisfeito (e tímida e ternamente sádico) de Jocelyn, que, afinal, tem certeza de que Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland a ama. Ah, perva. E aqui está o momento genial de um filme tão despretensioso: na caracterização de Lady Jocelyn, fruindo sua vitória, sua castração do ser amado: ela sorri gostosamente. E ainda que vire o rosto nos momentos em que a lança explode contra o peito ou contra o elmo de Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland, fazendo-o cair do cavalo violentamente, ah, ela jamais deixa de sorrir, plenamente realizada.

Ah, Camarada X, jamais o cinema, nem mesmo com Bergman, foi tão fundo no que a alma feminina tem de mais infantil, e que elas costumam chamar de romantismo. E nós, psicólogos astutos e implacáveis que somos, sabemos como as crianças podem ser cruéis, como podem humilhar e fazer sofrer, e que esse “romantismo” é na verdade a defesa (e, de certo modo, todo instrumento de defesa é igualmente um instrumento de ataque, de contra-ataque) mais dura e perniciosa das mulheres contra os homens. Sim, não nego que as mulheres sofram os homens, que possam se ver à mercê da brutalidade masculina (ah, sinto que escrevo um libelo contra toda a forma de opressão, dissimulada ou manifesta...). Mas, justamente porque reconheço a ameaça representada pelos homens, não posso ignorar que as mulheres revidam, isto é, que se entregam à violência e destruição do próximo, e com armas terríveis, absolutamente terríveis.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Melhor Diretor Vivo: Quem ocupará o trono de Bergman?

Nesse último mês, o mundo do cinema perdeu, quase que de uma vez, dois mitos: Michelangelo Antonioni, diretor dos classicáços Depois Daquele Beijo e Profissão: Repórter, e o espetacular Ingmar Bergman. As duas mortes reacenderam uma velha questão: quem seria o melhor diretor vivo, já que Bergman, que detinha quase que por unanimidade o título, nos deixou. Esses dias li um ranking de um site americano (não guardei o link, podem me bater), que fez um apanhado dos melhores de todos os tempos, e cometeu estultices inacreditáveis, como colocar o Luis Bunuel na trigésima sétima posição, o Kurosawa em décimo primeiro, atrás do David Fincher, que é um excelente diretor, mas que ainda precisa correr muito pra poder chegar nesse nível. Mas a pior de todas foi a colocação do Federico Fellini: sexagésimo sétimo. Isso mesmo. Ai não dá, é pra cuspir na cara do cidadão que me faz um negócio deles. Mas voltando ao assunto do dia, melhor diretor vivo. Eu me arrisco aqui a fazer uma tentativa, com a cara e a coragem, pelo bem de nossos leitores. Quer dizer, coitados...
O time dos sonhos dos diretores, o olimpo dentro do qual os aspirantes procuram lutar para um dia chegar, consiste nos seguintes nomes (sem ordem de importância): Alfred Hitchcock, Orson Welles, Stanley Kubrick, John Ford, François Truffaut, Francis Ford Coppola, Jean-Luc Godard, Federico Fellini, Píer Paolo Pasolini, Akira Kurosawa, Martin Scorcese, David Lean, Robert Altman, Luis Bunuel, Krzysztof Kieslowski e Ingmar Bergman. Desses todos, apenas três continuam em pé, como diriam vulgarmente, vivinhos da silva: Godard, Scorcese e Coppolla. Então, você pensaria assim: pronto, um dos três é o eleito, correto? Mas a questão é mais complexa, jão. Farei um breve apanhado de outros postulantes ao titulo, e no final, darei o veredicto final.
Roman Polanski: esse é de responsa. Bebê de Rosemary, Chinatown, Tess, filmes de classe estoanteante (não gosto do Pianista). Mas o que danou o cidadão foi ele não poder mais pisar nos Estados Unidos depois do processo por assédio sexual que sofreu em 1977. Tendo que financiar os seus filmes na Europa por conta própria, perdeu grandes oportunidades e acabou ficando pra trás. Mas é um grande diretor, sem dúvida alguma.
Werner Herzog: alemão doido de pedra, mas extremamente talentoso, Herzog é um diretor de insights, de idéias e realizações fulminantes e incisivas. Lembra, pelo gosto por conceitos polêmicos e inteligentes, o mítico italiano Pasolini. Filmes como Aguirre, Fitzcarraldo, Nosferatu e O Homem Urso provam o seu talento, mas os seus detratores reclamam da simplicidade técnica e cênica de seus filmes, já que ele normalmente usa pessoas comuns para interpretarem papéis nos seus filmes. Tudo bobagem, já que Herzog tem concepções de cinema que não precisam fazer uso dessas ferramentas.
Lars Vor Trier: Essa foi piada, desculpem. E os insones de todo mundo agradecem. Voltamos com a nossa programação normal.
Peter Weir: diretor australiano, autor de grandes filmes como Picnic na Montanha Misteriosa, A Testemunha, A Costa do Mosquito, Sociedade dos Poetas Mortos, Truman Show e Mestre dos Mares. É um excelente diretor, talvez o melhor dos convencionais,digo, dos que não costumam escrever seus roteiros. Mas ele raramente falhou (Green Card talvez?), sempre consegue fazer milagres com os scripts que recebe e fazer o nome de vários roteiristas com os quais trabalhou.
Fernando Meirelles: Domésticas, Cidade de Deus e Jardineiro Fiel. Poderá vir a ser, mas ainda falta chão, embora sejam todos bons filmes (Cidade de Deus é sensacional)
Milos Forman: sabem qual o problema do Milos Forman? Ter virado, depois do Amadeus, diretor de biografias. Nunca fez um filme ruim na vida, mas limitou demais seu campo de ação com isso. Uma pena, quem viu O Estranho no Ninho sabe que o cara tem classe.
Joel e Ethan Coen: excelentes, mas como são duas pessoas (é o que dizem) não poderiam ser eleitos como “o” melhor diretor. Coitados.
Sofia Coppola: papai Francis não deixaria. Espera ele morrer, ai quem sabe...
David Fincher: seria um sério candidato, se não tivesse cometido o horrendo O Quarto do Pânico. Que porcaria foi aquela? E Jared Leto não dá, pô!
John Waters: esse é mito. Hairspray? Pink Flamingos? Cry Baby? Mamãe É De Morte? Isso é trash, isso é amor pelo cinema, por toda uma cultura! Estamos contigo, Waters , you're the man! (Coincidência ou não,é a cara escarrada do Buscemi. Só podia ser)
Steven Spielberg: acharam que eu ia esquecer dele, né? Talvez o diretor com o melhor senso de ritmo do cinema. Já fez todos os tipos de filmes, e sempre se sai com obras absurdamente eficientes em sua proposta, divertir a audiência com um mínimo de inteligência. Mesmo se desconsiderarmos seus clássicos, como E.T., Caçadores da Arca Perdida, Tubarão, Lista de Schindler e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, e lembrássemos apenas de obras menos famosas suas, como A Cor Púrpura, Império do Sol e Minority Report, poderíamos colocá-lo tranquilamente nessa lista. Os problemas: medo de se aprofundar em temáticas mais profundas e adultas (hesitou tremendamente em dirigir o Lista de Schindler) e uma inexplicável obsessão pelas relações entre pais e filhos, mesmo naqueles filmes que claramente não pedem por isso. Momentos bregas e distoantes foram gerados em nome dessa obsessão.

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Agora, os três citados lá em cima:
Martin Scorcese: Scorcese é um diretor de extremo talento. Seus movimentos refinados de câmera lembram nos momentos mais inspirados um Kubrick, o que é algo gigantesco. E suas histórias, sempre ousadas e brutalmente honestas, criaram momentos inesquecíveis. Mas nos últimos anos, Martin andou jogando demais para os críticos em nome do tão sonhado Oscar, e por isso perdeu pontos comigo. Mas Taxi Driver, Touro Indomável e Bons Companheiros já humilham qualquer um.
Francis Ford Coppola: Poderoso Chefão, a trilogia, e Apocalypse Now. Pronto. Essas belezinhas nos levam a esquecer bobagens como Cotton Club, Peggy Sue (que tem seus defensores), Drácula, e o horroroso Jack. Do Poderoso Chefão para o Jack, passando por muitas drogas, ego-trips e dinheiros jogados no lixo. Mas o cara fez aquelas maravilhas, então estará eternamente perdoado.

Jean-Luc Godard: Último remanescente da época de ouro da nouvelle-vague, Godard (que é o ser que aparece na foto lá em cima, fazendo pose de mau) é o alvo favorito daqueles que criticam o suposto "cabecismo" do cinema europeu. Lógico que filmes nos quais ele faz o favor de passar 100 minutos sem mover a câmera do lugar apenas indo de cena para cena não ajudam muito. Godard é um diretor que se perdeu quando, em algum momento dos anos 60, resolveu tentar fazer filmes engajados e supostamente "relevantes" politicamente. A maionese desandou, e depois de uns bons 20 anos, parou e começou a fazer experimentos excruciantemente chatos. Mas lembrem-se do Acossado. E do A Chinesa, talve? Alphaville? Pô, não diminuemos a importância de um homem por trinta anos de devaneios!

Veredicto: o melhor diretor vivo chama-se JOHN WATERS, o filho favorito de Baltimore. O que, você achou que o bagulho era sério? Um moleque de 23 anos querer decidir um negócio desses? Vão perguntar lá pro Roger Ebert, ele tem um programa de TV e eu não tenho.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O que eu aprendi com a MTV

Quem mandou eu assistir MTV, afinal de contas? Depois fico reclamando, e sem razão, já que a culpa é minha mesmo. Porque, por exemplo, não bastasse assistir, ainda por cima dou ouvidos às recomendações da "casa". Sabe, aquelas vinculadas em vinhetas, durante os comerciais. Bem feito, filisteu.

A última que me aprontaram, quer dizer, que me aprontei a mim mesmo, foi a de uns finlandeses (?), chamados Husky Rescue. Tipo, estava um dia de boa na frente da TV e apareceu a carinha anêmica da vocalista num vestidinho de renda barato. Como eu tenho uma queda por vozinhas doces e melodiosas nos vocais, fui na deles. Dei uma conferida e, pra encurtar a história, era uma droga.

Quase 8 minutos para fazer o download completo de umas duas musiquinhas. E do HD para o mp3 player. Haja trabalho, e pra nada. O mal só não foi maior porque agora o transformo em bem, aqui, pra vocês. Como? Pois não é que consegui, a partir dessa frustrante experiência (ai, ai), chegar a mais uma das minhas eficientes e práticas classificações, que hão de nos orientar nesse terreno escorregadio e sutilíssimo do certo e errado na música? Bom, creio que deva ser dito, com todas as palavras e sem rodeios, que, afinal, existe música boa e ruim, e que correspondem, respectivamente, a duas, e somente duas, categorias:

1) aquela que dá pra ouvir quando a gente está sem fazer nada; que depois, até leva a gente a se trancar no quarto, quietinho, sem ninguém pra perturbar; e que, enfim, transforma a música numa experiência ritualística. Por sinal, hoje em dia a gente ouve tanta música ruim porque já não sabe ouvir música. Quer dizer, eu, por exemplo, quase só ouço música indo pro trabalho ou voltando da faculdade, tudo no busão. Ou seja, bem coisa de proletário. E, convenhamos, se música é arte, ouvir música, e direitinho, é necessariamente aristocrático: quer dizer, é um luxo e exige um momento OCIOSO especialmente reservado pra isso. Não essas acomodações, esse superaproveitamento do tempo, bem benjaminiano, que faz da música trilha sonora de busão lotado. E dá-lhe R&B.
2) e aquela que só dá pra ouvir se você estiver fazendo alguma outra coisa além de ouvir música. Vulgo trilha sonora. (Nota: há trilhas sonoras que transcendem essa triste condição de permanente complementariedade de uma atividade mais importante. Exemplos? Não lembro de nenhum agora.) O advento do walkman foi, aliás, fundamental pro estabelecimento definitivo desse tipo de música. Reflexo dos dias apressados que vivemos e da subseqüente incapacidade crescente de se concentrar em algo, da fragmentariedade do conhecimento nessa era da informação. Vixe, quando a gente começa a falar assim, tem que tomar cuidado, que os teóricos da comunicação começam a se ajuntar em volta da perna da gente, que nem cachorro querendo comida. Exemplos: U2, que, como costuma dizer o Camarada Progressista, é especialista em música pra se ouvir enquanto a gente lava louça; essa turminha do Husky Rescue, cantando as vantagens do campo sobre a cidade, bem caipiras assim; e música de balada em geral, né, minha gente?

TETÉIA DA SEMANA

Leandra Leal

Filha da atriz Ângela Leal e atriz de teatro e televisão, Leandra tem aprontado poucas e boas no showbussiness tupiniquim. Conhecida pela sua seletividade na escolha de papéis, chegando até a dirigir curtas-metragens, Leandra Leal acabou experimentando um pouco daquilo que John Steinbeck chamaria de vinhas da ira durante as gravações da horrenda novela Páginas da Vida, que (para nosso alívio) acabou no começo do ano. Como sua personagem tinha como única função ter de se relacionar com o fantasma da protagonista, ela começou a desancar o autor da novela, Manoel Carlos, em entrevistas, além de zoar novelas anteriores da Globo. Mas não ficou somente por aí. Leandra escrevia num blog com um pseudônimo(uhm... isso me soa familiar...), e num post no meio da novela, zoou impiedosamente sua colega Danielle Winits, dizendo que ela estava parecendo o Willy Wonka na novela. Sensacional. Isso que eu chamo de coleguismo. Quando descobriram que o blog era dela, logicamente as coisas ficaram feias, com Winits criticando Leandra por falar mal de novelas e ao mesmo tempo ser paga para atuar numa delas. Logicamente ela está certa, é uma contradição, mas o problema é que, para quem lembra, é impossível discordar da Leandra: a personagem da Winits realmente parecia o Wonka, só faltava os óculos e os umpa-loompas. Desbocada!

sábado, 25 de agosto de 2007

Eu não falei dos simpsons

O tempo foi passando e acabei esquecendo de comentar do filme do Simpsons, talvez, como disse o progressista, acabei encarando mesmo como um episódio estendido. Um excelente episódio, daqueles da fase aurea que durou entre oito a dez anos, mais ou menos até 98-99. Não que as temporadas mais recentes sejam de todo mal, estas ainda assim continuam sendo muito superior a maioria das séries que passam na televisão, tanto aberta como a por assinatura.

Sinto que a maioria das críticas são porque hoje em dia nossa familia mais adorada na televisão esteja mais nos conformes do conservadorismo do canal cujo o programa é exibido. De início concordo, sim, perdeu uma das maiores qualidades que tinha, mas manteve outras: A universalidade; nessa Simpsons se mantém a milhas de qualquer programa televisivo mundial, dessa universalidade veio os a consagração como ícone mundial, seja na China ou no Brasil a maioria das pessoas tiveram um chaveiro do Bart, mesmo que não tivesse assistido um único capítulo sequer. Daí sua permanência na televisão até hoje, não é mais uma série, é um ícone cultural mundial.

As personas que compõe uma família, as situações que a familía se envolvem, as relações entre si: Simpsons mostra tudo isso de forma bonita e universal, sem ser piegas ou exagerada. Encotramos essa características em grandes obras do intelecto humano, grandes obras literárias, do cinema , da dramaturgia e da arte sequencial. E não só universal para várias etnias, mas também para todas as idades, mas essa análise fica para outro texto

Um mundo perfeito

Eu andava assim, sussa-sussa, até me vir – como costuma ser, sei lá de onde –, uma vontade de rever Um Mundo Perfeito (A Perfect World), do Clint Eastwood, que eu lembrava do tempo de eu menino. Mas lembrava mal, apenas em flashes. E pobre de mim, querendo resgatar alguma reminiscência da infância logo através desse filme, que sumiu da programação da TV aberta e a cabo. O que coincide com como as pessoas em geral esqueceram desse título.

Quer dizer, todo o mundo lembra do Kevin Costner (em sua fase dourada) deitado na grama, apertando os olhos por causa do sol, como se descansasse, no meio do dia, do trabalho antecipadamente concluído. Ou de que ele morre no final (era isto um spoiler?). Mas como isso e aquilo se ligam, ou que o tema do filme era, na verdade, a paternidade, todos esquecemos.

E olha que, em 1993, quando foi lançado, a Cahiers du Cinema considerou-o o melhor filme do ano. Quem diria: Clint Eastwood conquistara a francesada, não bastasse se reinventar, depois, numa versão para mulheres com As Pontes de Madison, excentricidade essa que me dá medo dos anos 90.

Mas, então, eu fui atrás do desejado filme. E o achei, e o comprei, e o vi. E, bom, foi como tinha de ser. Um belo filme. Tinha as coisas que eu esperava que tivesse, inclusive o Eastwood incorporando sua invencível persona de “durão que se importa”, dando ao final um murro na cara do vilão – sim, era de lei que houvesse um vilão, e eles conseguiram arranjar um bem antipático –, em dúvida se fizera tudo o que estava ao seu alcance, lamentando-se de ter falhado, mas sendo devidamente consolado pela, tipo, heroína Laura Dern.

Os filmes, entre outras coisas, confirmam o que somos. É quando rola a velha história da identificação. No caso de Um Mundo Perfeito, ele confirma o meu lado bocó. O meu lado que quer casar com uma moça charmosa e lúcida, ter um filho com ela e ir morar no meio do mato, porque, no final das contas – atenção, a seguir um momento gratuito de esnobismo (aliás, algo que está se tornando recorrente neste blog, principalmente da minha parte), sugiro que os menos tolerantes saiam – apesar de Bergman, Flaubert, Proust e Valéry, eu sou é um homem simples.

Daí que eu, muito romântico (nesse sentido bem lato, impreciso, de fato idiota, com que todo o mundo usa o termo), me encanto com o fato de que o bandido, assumindo o papel de pai, cumpre tudo o que prometera ao menino – inclusive, andar de foguete. E que melhor definição de pai senão a de alguém que cumpre as promessas que faz e, assim, nos dá segurança nessa vida? E, nessas horas, parece até que a gente vive num mundo perfeito. Bocó...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Ultimato Bourne - Diretor: Paul Greengrass; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn
Terceiro e (aparentemente) último empreendimento cinematográfico do espião mais nerd e leso do mundo pós-guerra fria, Bourne, que foi criado pelo escritor Robert "Sou muito melhor que o Tom Clancy" Ludlum. Os outros dois filmes foram sucessos de crítica e público, e com esse o furor aumentou ainda mais, com o filme sendo elogiadíssimo pelos críticos e estourando a banca das bilheterias estadunidenses, desbancando o filme dos Simpsons. Eu nunca fui fã de filmes de espionagem, nem dos que não se levam a sério como os Bonds da vida (zoei agora) nem dos esforços mais sérios e focados na realidade, como as aventuras do Jason Bourne; Mas seria estupidez de minha parte reprovar esse filme, já que o Matt Damon é um ator competente e o Paul Greengrass é um diretor talentoso. Se você for tarado por filmes que envolvam conspirações governamentais, traições em altos-escalões e perseguições envolvendo algumas das cidades mais belas do mundo (aparentemente o Bourne só quer saber de fugir para lugares classudos, ao invés de ir para cidades feias e poerentas), esse é o melhor que você poderia conseguir, jão.

O Grande Chefe - Diretor: Lars "ZZZZZZZZZZZ" Von Trier; Elenco: um monte de nomes dinamarqueses, acho que tinha um Laudrup no meio, não, perai.... não, não tinha.
Imaginem a série The Office, tanto a versão inglesa quanto a americana. Imaginaram? Ok. Agora, imaginem o diretor dinamarquês Lars Von Trier, um dos criadores do finado(será?) movimento Dogma 95, que pregava a destruição do cinema, ops, quer dizer, pregava filmes que não se utilizassem de trilhas sonoras, cenários elaborados e tudo o que remetesse ao, segundo eles, pomposo e inadquado cinema hollywoodiano. Lembrem-se dos filmes anteriores do diretor, Dançando no Escuro, Dogville e Manderlay, da Bjork andando pra lá e pra cá com um lenço na cabeça, da Nicole Kidman virando escrava de uma cidadezinha com 20 habitantes, da filha favorita do Ron Howard, Bryce Dallas, interpretanto a mesma personagem da Kidman no filme seguinte mesmo sendo 10 anos mais nova.. Lembraram? Bom, agora vamos lá, é bem simples: imaginem o The Office, com toda a idéia da comédia preservada, jogado no meio do mundo concebido por Trier para as suas películas. Se a idéia soou absurdamente indigesta para você, então faça o favor de passar bem longe das duas ou três salas que exibirão o filme. Agora, se você ficou interessado, se você pensou, "nossa, toda a subversão e nilismo do Trier jogados num ambiente corporativo dinamarquês? Tô nessa!", eu só te digo uma coisa: boa sorte, se divirta, e faça-me um favor, fique bem longe de mim.


Possuídos - Diretor: William Friedkin; Elenco: Ashley Judd, Michael Shannon, Harry Connick Jr.
Filmeco de suspense que, como todos os filmes estrelados pela Ashley Judd, serve de mero pretexto para ela aparecer pelada em cenas tórridas de sexo. Nem a presença do William Friedkin, diretor do Operação França e do Exorcista, consegue livrar a cara. O que não é de se surpreender, Friedkin é um egocêntrico que jogou a carreira no lixo depois do sucesso nos anos 70. Mas o mais inacreditável nesse filme não é o fato de uma infestação de insetos ser o mote do filme. A "história" versa sobre uma mulher solitária que, aterrorizada pelo fato de seu ex-marido bêbado e violento ter saído da prisão, acaba unindo-se com um veterano de guerra num motel abandonado e assombrado, dando começo ao risível ataque dos insetos. O que nisso tudo é realmente inacreditável? É quem eles escolheram para interpretar o bebum e violento marido. Algum dos irmãos Baldwin? Não. O Vin Diesel? Não. O The Rock? Não. O Kevin Bacon? Não. Eles escolheram para o papel o Harry Connick Jr. Sério. O HARRY CONNICK JR. Só faltou ele bater na Ashley de terno e cantando As Time Goes By. Não dá, é sério, são de causar úlcera esses produtores hollywoodianos. Quer saber? O Lars Von Trier tá certo. Ele é um mala, mas tá certo nessa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Fomos ao cinema ver: Os Simpsons, o filme

Domingo, eu e o Camarada Moderado fomos assistir ao filme do Simpsons, numa gigantesca sala de cinema na avenida mais famosa de São Paulo. E hoje, quinta feira, venho aqui falar do filme. Por que demoramos tanto, quatro dias, pra falar do filme? Não sei. Deve ter sido o frio. Darei aqui, então, o meu veredito sobre a produção, que acho não ser o mesmo do Moderado, que depois poderá vir aqui e dar a sua visão. Sempre mostrei-me cético e pessimista em relação às possibilidades do filme. O raciocínio era lógico e preciso: se as últimas oito temporadas do desenho tinham sido vergonhosas, consenso geral e indiscutível, porque esperar algo diferente de um filme concebido no meio desse panorama desolador? Distante uma década da era de ouro do show? O tempo, meus amigos, é o inexorável senhor da razão. Mas, ao assistir o filme, teria eu confirmado essas previsões tão pessimistas, ou teria me surpreendido positivamente?
Se fosse resumir, diria que, se nós considerássemos o filme como um episódio estendido, poderia-se considerá-lo como o melhor episódio dos últimos tempos. O que na prática não significa muita coisa. O roteiro, escrito por dez roteiristas (pra quê tanta gente, caramba?) num período de um ano, deu abertura para sequências que mostraram um pouco mais dos conflitos dos personagens, aproveitando bem a maior duração de um longa-metragem. Os aspectos técnicos também foram muito bem aproveitados, pela primeira vez pudermos ver a cidade de Springfield num aspecto geral, e os personagens jamais tiveram um visual tão rico quanto aquele do filme. Mas isso já se notava nas últimas temporadas do show, nas quais o visual têm sido o único destaque, então não vejo vantagem nenhuma aqui. Quanto a trama do filme, na qual Springfield é considerada, por uma burrada do Homer, como a cidade mais poluída do mundo e um político de uma associação ambiental convence o presidente americano, Schwarzenneger (rá,rá,rá) a colocar uma redoma de vidro na cidade, isolando-a do mundo e colocando o relacionamento do Homer com a família em xeque, obrigando-o a agir para salvar a cidade da destruição iminente, não achei nada, mas nada mesmo, de relevante. Olha, a Lisa fazendo uma palestra para alertar os perigos do aquecimento global, parodiando o Al Gore. Rá, rá, rá. Pra quê colocar o Schwarzenegger como presidente, se o desenho já têm um personagem que é uma hilária caricatura sua, Rainier Wolfcastle, que garantiu momentos memoráveis no desenho? E o pior, sem tirar uma piada decente disso? Sério, o Schwarzenegger é mera escada para o tal político, que aparece exageradamente no filme, considerando-o um elemento totalmente alienígena dentro da série.
Esperamos o filme todo por uma piada realmente engraçada com o Arnold, mas parece que a piada era mesmo ele ser o presidente americano. Pronto. Rir dele sentado na mesa principal da Casa Branca. O show, como tem sido a tônica na Tv, se concentra na famosa "paródia por paródia", ou seja, coloca os personagens na mesma situação do alvo original, mas sem desenvolver nada, como faziam de maneira genial na era de ouro do desenho. Essa parte é cansativa, o conflito com a cidade é moroso e desvia por demasiado a atenção dos personagens. Tanto que tipos fundamentais do desenho, como Krusty, Burns e Smithers, são reduzidos a meras figurações. Pelo que contei, os três têm direito a apenas uma fala cada um no filme todo. Isso mesmo, uma fala, enquanto o tal político aparece minuto sim, minuto não, sem ter nenhum traço realmente importante ou uma personalidade destacada. Imperdoável.
Os conflitos da família, com Marge e os filhos colocando o Homer na parede pelo seu egoísmo, soam artificiais demais para aqueles que lembram que um dos truques do desenho era tirar observações ferinas da realidade dos personagens. A situação com o Ned Flanders e o Bart já tinha sido explorada num excelente episódio no qual o Homer e Marge perdiam a guarda dos filhos e eles iam morar com os Flanders (na época a mulher do Ned, Maude, ainda era viva. Aliás, até hoje não entendi o propósito da morte dela), e o Bart também questionava o amor de Homer por ele. Repeat it again.
Depois de todas essas porradas, digo que, se a intenção dos produtores era criar para o filme uma trama mais ambiciosa e universalista, que sacrificasse 90% dos personagens para não dar ao espectador a desagradável sensação de estar se assistindo a um episódio estendido, eles mais uma vez estariam sendo hipócritas ao não assumir que um filme é totalmente desnecessário e que o objetivo é ganhar dinheiro mesmo, ao invés de melhorar a qualidade do desenho e tirá-lo do abismo que eles mesmo colocaram nos últimos tempos. Junto-me ao coro daqueles que dizem que o ponto da virada que o desenho deu rumo ao caminho da ganância e da mediocridade deu-se em 1998, quando Groening saiu para fazer o Futurama e que, principalmente, o roteirista Conan O'Brien saiu do show, e o produtor executivo que assumiu disse numa entrevista da época que nunca tinha assistido os Simpsons. Tiro no pé proposital, já que dizem as más línguas que o tonto foi colocado pelo Rupert Murdoch para levar o desenho para caminhos mais conservadores e benignos. O resultado está aí: um filme caro, visualmente deslumbrante, cheio de ação (sempre um péssimo sinal), mas que, para os verdadeiros fãs, jamais passa perto de reproduzir a magia da era dourada do desenho. Agora, é torcer para que a primeira fala de Meg na história do show, dita nos créditos do filme, não se concretize: "Sequência".

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Madonna

Garota material que vive, olhem só, vejam vocês, num mundo material.
"Britney, juram eles que um dia fui como ti. Era a falsa virgem, não como tu, que és a verdadeira Madonna dos pecados".

Um pouco sobre a música brasileira - Parte 1

Quando eu afirmei que as bases da música mundial popular devem muito para o eixo Inglaterra-Eua-Jamaica-Cuba-Brasil, não falei levianamente e não inclui meu país porque sou um nacionalista maluco, apenas, talvez, um maluco sem indícios de nacionalismo. Mas antes de mergulhar a fundo na música intercambiável, ficariam surpresos do troca-troca entre esses países, também achava que o Brasil não deveria ser incluído nessa escola de influências , então resolvi pesquisar, aí comecei a mudar de idéia.

Primeiro passsemos para os meados da década de 50 e a década de 60, eu poderia falar dos figurões da bossa nova e da tropicália, mas ficaria no mesmo discurso de todos os nacionalistas malucos, não, as bases interessantes e mais desconhecidas vem de Eumir Deodato, Airto Moreira, Hermeto Pascoal, João Donato, Moacir Santos e Jorge Ben.

Eumir Deodato começou sua experiência na bossa é verdade, com Tom Jobim e cia, já em 67 migrou para os Eua e estorou sua carreira de sucesso ao fazer os arranjos da música tema de 2001, de Stanley Kubrick(pasmem!) e mais conhecido no meio musical com produção e arranjos musicais para Frank Sinatra e Robert Flack, Cool and Gang e ,mais recentemente, para Bjork. Um bom disco para começar a interagir com este gênio seria Deodato 2 (1973).

Não consigo medir palavras quando falo do bruxo Hermeto Pascoal, complicado encontrar as palavras que garantam a influência e sua genialidade por completo, todavia tentarei um pequena abordagem do bruxo albino: é considerado por boa parte dos músicos como um dos maiores gênios em atividade na música mundial. Polistrumentista, é famoso por sua capacidade de extrair música boa de qualquer coisa, desde chaleiras e brinquedos de plástico até a fala das pessoas. Seu início de carreira começa, na verdade sua primeira participação em gravações é no álbum Pernambuco no Pandeiro e Seu Regional(1958), depois de várias viagens com essa banda Hermeto atinge a fama, como também a maturidade intelectual, com o Quarteto Novo, álbum de mesmo nome lançado no ano de 1967. Grupo instrumental formado em 1966, ainda como Trio Novo, por Theo de Barros (contrabaixo e violão), Heraldo do Monte (viola e guitarra) e Airto Moreira (bateria), para acompanhar Geraldo Vandré em apresentações e gravações. Mais tarde, passou a atuar como Quarteto Novo a partir da incorporação de Hermeto Pascoal (piano e flauta) à formação original. O grupo seguiu carreira, acompanhando Geraldo Vandré em programas da TV Record (SP) e da TV Bandeirantes (SP). O grupo se dissolveu em 69. Hermeto continuou suas experiências durantes as décadas tocando com muitas pessoas aí incluindo, nada menos, que o gênio Miles Davis. Juntos, lançaram um cd chamado Live-Evil(1970) , cujo álbum tem duas faixas compostas por Hermeto( Little Church e Nem Um, Talvez).

Chegamos em Donato, filho de um major da aeronáutica, João Donato de Oliveira Neto, nasceu no Acre em 1934. Seu círculo de amizade era composto por músicos que se reuniam nos bares cariocas para tocar violão e, claro, falar de música. Nos anos 50, freqüentou o Sinatra-Farney Fan Clube, na Tijuca, zona norte carioca, que durou apenas 17 meses, considerado por muitos estudiosos como uma escola para toda a geração que mais tarde criaria a Bossa Nova( falei que não ia falar , mas não deu, hehe). Era amigo dos bossas-novistas mas sempre visto como o excêntico que tocava para si e não para os contra baixistas e bateristas que tentavam lhe acompanhar ao acordeão, piano ou trombone. Na mesma década vai para o Eua e faz seu maior êxito: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Depois grava Bad Donato(1970) qual incorpora também o que estavam fazendo de mais novo na música brasileira aos ritmos caribenhos e ao jazz.

Após todos acima, temos Moacir Santos, pelos mais velhos, conhecido pelo seus choros no final dos anos 40, é ainda mais conhecido pelo álbum chamado Coisas (1965): são dez composições que ganharam o nome de “Coisa” (numeradas de 1 a 10, sem obedecer a ordem das faixas) e o álbum expandiu definitivamente o horizonte da música brasileira. Tal som levou a bossa além dos limites esperados: arranjos de metais misturam uma vocação erudita com um acento afro trazido pelas batidas. As composições derramam sofisticação melódica e harmônica e convidam ouvidos quaisquer para a apreciação de suas notas. Quando descreve-se uma música assim já pensa como deve ser difícil de digerir, pelo contrário, ele executa uma música difícil e ,ao mesmo tempo, com forte apelo popular, completamente digerível. Se o álbum delimitasse e se fecgacesse em si mesmo, já seria obrigatório tomar nota, mas não, ele influenciou o Afrosambas(1966), de Baden e Vinicius. É sabido que Afrosambas influenciou toda bossa e toda música brasileira da época.

O último ,e não menos importante, é Jorge Bem(que o camarada fundamentalista defendeu tão bem). Difícil escolher algo que não seja bom dele, tudo começa no seu primeiro disco( Samba Esquema Novo de 1963), onde inagurou aquela batida diferente de tudo que as pessoas conheciam até então, onde vai findar na sua grande obra mística: Tábua de Esmeraldas, 1974. A fórmula para esse empreitada genial foi a capacidade despretensiosas das letras aliadas a uma intuição rítmica soberba que faz ser, na minha opinião, o melhor Jorge Ben.

Depois de dar uma apanhado geral que tal puxar um desse álbuns e ver se concorda comigo? Se não, pode me chamar de nacionalista, mas não se esqueça que antes eu sou maluco, eu sou maluco.

domingo, 19 de agosto de 2007

Fluorescent Adolescent, do Arctic Monkeys (o clipe, não a música)

Os videoclipes acabaram com a nossa geração. Principalmente com a capacidade da nossa geração de contar uma história. Quer dizer, não é que acabaram. Na verdade, eles apenas refletem, confirmam uma idéia muito cara ao circo acadêmico: a de que nossa experiência é fragmentária, de que a vida já não é totalidade, pois a totalidade (da vida) se perdeu quando se descartou o mito. Pois, nos videoclipes, o que vemos, com raras exceções, é justamente um recorte episódico da vida.

Por isso, eu devia, para alardear minha desaprovação disso, já que eu sou um sujeito que não nego totalidade à vida – como um bom fundamentalista, as coisas, pra mim, fazem sentido; portanto, a minha vida tem um sentido –, proscrever a simples menção dos videoclipes em meus textos. Só que não vai ser assim, né? Pois se eu vim com essa ladainha toda, é porque ia acabar falando de videoclipes, sim, e vocês já estavam sacando desde o início.

Daí que eu estava vendo o videoclipe do Arctic Monkeys, da música Fluorescent Adolescent. E eu não sei se vocês sacaram (e se não sacaram, finjam que é assim, pros efeitos desta postagem), mas a idéia é chupada de Laranja Mecânica. Duas gangues quebrando o pau, em câmera lenta, só que uma das gangues é composta por palhaços. Ou seja, o mesmo contraste visual entre máscara e ação no clássico kubrickiano. E, como certa linha crítica não hesitaria em sentenciar, se é chupado de Kubrick, então é genial. Portanto, Fluorescent Adolescent é ge-ni-al.

E o melhor de um videoclipe é justamente a liberdade que oferece ao diretor. Uma vez que letra de música não precisa fazer sentido se os arranjos são bons, o único cuidado que se deve ter em relação às imagens escolhidas é com uma vaga semelhança entre o tom delas e o da melodia e, se for o caso, com uma ainda mais vaga alusão a algum elemento constante nos versos sem pé nem cabeça que enchem o cancioneiro pop. Em Fluorescent Adolescent, por exemplo, se não me engano, a letra dos rapazinhos ingleses trata da disparidade entre os sonhos que a gente tinha pra vida adulta e no que esta veio a se transformar de fato. E se não me engano, de como alguém que o fulano conhecia caiu na vida. Hermenêutica ousada essa minha? Nem tanto.

Pois então, em vez de mostrar a amiga (digamos que seja amiga) de infância rodando bolsinha na esquina, botam uns marmanjos vestidos de palhaço dando uma de Sopranos e, de quebra, ganham a crítica com referências a Kubrick e o escambau. Apesar de que máfia e palhaços têm tudo a ver. Pois, e desculpem os highbrow que porventura vêm aqui nos acusar das nossas imprecisões e superinterpretações, mas Pagliacci, lado a lado com Cavalleria Rusticana (mais uma razão pra serem encenadas juntas), é ópera de mafioso. Da última nem se fala... Não acreditam? Vão ver Poderoso Chefão 3.

Ah, sim, e no final, quando o palhaço pega o isqueiro e se livra da ameaça motorizada, chupado, chupado de Karma Police, do Radiozzzzzz Head. Mas, daí, é ruim, daí, não é nem um pouco ge-ni-al. Porque é Radiozzzzz Head, e não Kubrick.

sábado, 18 de agosto de 2007

Buscemi e Macy: o caso Fargo

Eu assisti ao Fargo pela milésima vez esses dias, num dos canais a cabo da vida. Esse é o filme mais famoso dos Irmãos Coen, Joel e Ethan, e abocanhou bela carreira em premiações internacionais no já longínquo ano de 1996, chegando até mesmo a receber uma indicação ao Oscar de melhor filme. Não é o meu favorito deles (o eleito vocês saberão quando eu fizer o meu ranking de filmes dos irmãos Coen, sou chato mesmo), mas é, sem dúvida alguma, um grande filme. O elenco reúne dois atores que poderiam muito bem exemplificar toda a cena alternativa dos anos 90, o William H. Macy e o Steve Buscemi.
Macy teve nesse filme o momento definitivo de sua carreira, dando um salto que o levou a ser sempre considerado para grandes produções, o que permanece até hoje. Já Buscemi, por outro lado, apenas teve em Fargo uma afirmação de seu talento, que foi revelado ao mundo no primeiro filme do Quentin Tarantino, Cães de Aluguel. Bom, essas são as flores da história toda. Eu nutro uma profunda ojeriza por Macy, ator que me irrita demasiadamente, e faz parte, ao lado do Jared Leto, do Giovanni Ribisi e do Robert Duvall, do quarteto de atores que me faz pensar dez vezes se vale a pena assistir filmes que tenham no seu elenco um deles. Mas voltemos ao Fargo. Macy interpretou no filme o marido falido que, desesperado, resolve armar um plano para conseguir dinheiro, contratando dois criminosos para sequestrarem a sua própria esposa, forçando o seu rico sogro a pagar o resgate, dividindo o dinheiro abocanhado com os dois bandidos. Buscemi interpretou um dos criminosos, o que protagoniza os momentos mais agudos do filme. O personagem de Steve Buscemi foi criado pelos irmãos Coen já com ele em mente desde os esboços iniciais do roteiro. Ou seja, foi feito sobre medida para o ator. Espertos esses imãos Coen. Já William H. Macy, esse não teve a mesma sorte, pelo menos não inicialmente.

O roteiro chegou nas mãos dele, e ele sentiu que o personagem do marido poderia ser o papel de uma vida toda. Ficou desesperado, entrou em contato com os Coen pedindo para ser escalado, mas eles sutilmente recusaram, dizendo não terem ele em mente para o projeto. Macy não se deu por vencido. Voou para Nova York, onde a pré-produção estava sendo realizada, para implorar pelo papel. Depois de muito atormentar a paciência dos irmãos, finalmente eles se cansaram de tanta encheção e deram o tão sonhado papel para Macy. Resultado: o filme foi lançado, tornou-se um sucesso arrasador de crítica e, desgraçadamente, rendeu para Macy a indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Já o Steve Buscemi, esse ficou a ver navios, sem indicação nenhuma. Uma injustiça inconcebível. Um absurdo, mais uma vez Buscemi era marginalizado pela academia, enquanto o insípido Macy garantia sua indicação. Notem que o personagem dele era o protagonista do filme, e ele foi indicado na categoria de coadjuvante, sina de uma carreira na qual jamais deixará de ser um intérprete sempre ofuscado por colegas de maior presença. Meu consolo foi ele ter perdido o prêmio, do qual era o favorito segundo as bolsas de apostas da época, para o péssimo Cuba Gooding Jr, que mesmo fazendo de tudo para estragar o Jerry Maguire, não conseguiu e ainda levou a estatueta pra casa. Bem feito para o Macy, perdeu o prêmio para uma frase, "Show me the money". Assistir o Fargo depois de tanto tempo não mudou em nada minhas convicções: esse filme é fruto da categoria dos Coen e do talento da Frances McDormand (que justamente ganhou o Oscar de melhor atriz) e dele, o homem, o mito, a lenda do underground, Steve Buscemi. William H. Macy, you sucks!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Top 5: Simpsons

Hoje estréia o filme dos Simpsons, cambada! Estão animados? Não? Bom, acho que é uma bela hora para, aproveitando essa premissa, fazer um ranking com os meus cinco personagens favoritos no desenho, excluindo logicamente os membros da família, já que o Homer Simpson é absolutamente hors concours, na minha opinião formando uma trinca com o Hamlet e o Holden Caulfield como melhores personagens da história da ficção tendo seus nomes começados com a letra H. Agora, vou parar com a embromação e trazer gloriosamente pra vocês, cinco melhores personagens dos Simpsons, na minha opinião, o que logicamente não reflete necessariamente a opinião dos outros dois camaradas:


5- Lionel Hutz
Advogado golpista e alcoólatra, garantiu nas primeiras sete temporadas momentos sensacionais, como no episódio em que liga para o David Crosby para pedir conselhos para largar o vício de beber e que aparece sem calças no tribunal (esse momento é de bater a cabeça de tanto dar risada). Pena que, com a morte do comediante Phil Hartman em 1998, a produção tenha, em homenagem a Phil que dublava o personagem, retirado Hutz do desenho em definitivo (outro personagem dublado por Hartman, o também hilário Troy McClure, também foi retirado do desenho). Uma homenagem justa, mas que nos privou de um personagem hilário e que inteligentemente representava a imagem que temos dos advogados como um todo (calma, estudantes de Direito, tô só brincando, viu? Golpistas...)

4-Hans Moleman
Com a aparência de um idoso com dificuldades para andar mas que ,como descoberto num episódio, tem apenas 30 e poucos anos de idade tendo destruido sua aparencia com a bebida, Hans Moleman é um dos refúgios do non-sense no show. Suas aparições jamais fazem parte de momentos mais sérios no desenho, já que ele sempre aparece em situações absurdas, como quando a família Simpson o usa para substiuir o filho Bart, que estava morando na casa do Senhor Burns. O final desse episódio, com Hans aparecendo na sala da família vestido como o Bart com um skate na mão e falando com gírias, e o Homer beija sua careca dizendo que era como beijar um amendoim e incentivando a família a fazer o mesmo, é daqueles que somente se descrevendo para se acreditar. Absolutamente hilariante. Sempre envolvido em acidentes violentos e colocado em situações de inacreditável risco, Hans é o saco de pancadas favorito do show, já que suas reações sempre consternadas garantem o saco de risadas, mesmo agora com a decadência da qualidade da série.

3- Ned Flanders
Esse corre o risco de logo virar verbete nas encicoplédias britânicas da vida. Sempre que nos defrontamos com algum vizinho mala, chato e certinho, acabamos livremente o associando com o nome Ned Flanders. Confessem, vocês nunca apontaram pra ninguém e disseram: "olha lá o Ned Flanders, com a sua vidinha perfeita"? Logicamente um personagem frontalmente e propositalmente oposto ao Homer Simpson, reunindo todas as qualidades que faltam no último, Ned é a realização do ditado "o quintal do vizinho é sempre mais bem cuidado que o nosso". Religioso fervoroso, altruísta, sempre pronto pra abrir mão do que é seu pelos outros, paciente até o extremo, incapaz de atos violentos ou egoístas, Ned é alvo de um ódio mortal por parte de Homer, que em diversos episódios demonstrou reações violentíssimas e desproporcionais com Ned. Pena que depois que a Fox assumiu de vez os fervores republicanos, as chagas de Homer contra Ned tenham diminuído exponencialmente. Mais possibilidades hilariantes para o show perdidas pelo conservadorismo ganancioso de seus produtores.

2- Barney Gumble
Esse é até covardia falar. Ícone dos cachaceiros de todo o mundo, Barney Gumble é um patético e absolutamente hilário personagem. Um dos poucos personagens a aparecer desde o longínquo primeiro episódio do desenho, em 1989, sempre em avançado estado etílico (pelo menos até determinado ponto do desenho, que falarei depois), mas com o comportamento apalermado e dócil, longe da agressividade comum aos alcoólatras, Barney é sempre colocado em situações constrangedoras por conta de sua constante embriaguez. Nas últimas temporadas, o personagem se livrou do vício entrando na reabilitação, obviamente uma ordem, digamos, "lá de cima" da Fox. Deixa eu dizer uma coisa pro Murdoch e pros gênios que controlam o canal como se fosse um curral da administração do Bush: todos os estragos que os Simpsons poderiam provocar na imagem e no comportamento dos estadunidenses já foram feitos. Vamos parar com a babaquice e colocar o desenho de volta aos trilhos, ou acabar logo com tudo de uma vez e salvar a honra do show.

1- Krusty, o Palhaço
O Matt Groening deve ter severos traumas de infância relacionados com palhaços. Krusty, palhaço que é um astro da TV e ídolo-mor do Bart Simpson, é a destruição completa do ideal infantil. É tudo aquilo que não se espera quando falamos de palhaços que apresentam programas para crianças. Ou então, verdadeiramente, é um compêndio da realidade. Estelionatário, viciado em apostas, bebidas, cigarros, sexo, mulheres, com sérios transtornos de raiva, Krusty é depois do Homer o personagem mais hilário dos Simpsons. Sem brincadeira, todo episódio protagonizado por ele é de chorar de dar risada, e suas pontas nos episódios são sempre sensacionais. Não tem como errar, se o episódio tem alguns segundos ou é inteiramente protagonizado por ele, então é de se conferir. Um personagem que não se importa em fumar no ar apresentando um programa infantil cheio de crianças na platéia só pode ser hilário mesmo. Eu acho que o Krusty é uma amostra da velha noção que diz que os comediantes são pessoas amargas, tristes e solitárias, sempre propensos a cair em vícios e tentações. A velha questão humana, de ter que provocar risos e alegrias nas pessoas, mesmo em momentos que não temos qualquer tipo de clima para isso, o que provoca em cima desses homens um fardo pesadíssimo de se carregar. Muitos até acabam criando dificuldades imensas para diferenciar a vida pessoal de seus personagens e rotinas de humor, como um escape da mente, o que acontece no show, pode ver que sempre que o Krusty está no ar e comete algum desatino, como xingar alguém ou grunhir impropérios, imediatamente ele se vira pra câmera e faz alguma careta ou palhaçada. Krusty é um resumo brilhante feito por Groening dessas características, e é uma amostra mais uma vez do cuidado que ele teve para construir todos os personagens do show.

É isso, em breve, falarei mais sobre os Simpsons, o bagulho não demora não.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Bem, falei que não ia falar, mas...

Eu falei que não ia falar mas não deu. Antes de explicar eu tenho uma teoria, isso uma teoria que envolve a menina Lohan, ela mesma, tão falada e discutida em nosso blog tempos atrás. Volto a discutir por dois motivos: primeiro, eu fui o único que nunca citou a menina, por isso seria interessante fazer agora que já esfriou o momento de estrelato dela, pelo menos no nosso blog; segundo, ela continua aí, na sua perambulação violenta pelo mundo que vivemos, ora, então tomemos cuidado.

Dentre suas inúmeras infrações habituais - pois sim, estamos falando de uma mulher no volante, há um número excessivo que deixaria qualquer protagonista de GTA para trás, incluindo aí as multas por excesso de velocidade. Podemos citar, para ilustrar, a recente ação judicial movida contra Lohan por perseguição de carro, quem está acusando a nossa garota , olhem o nome como parece saído direto de San Andreas do GTA, é Trace Rice cuja mãe trabalhava para atriz como assessora que tentava escapar das garras da Senhorita Lindsay e já tinha se demitido do seu cargo, pobre senhora, achava que após parar de servir a mimada não teria de suportar mais suas loucuras, ledo engano. Num frenesi, Lohan pegou seu carro e começou a perseguir o carro da sua ex-subordinada, além disso ela foi presa com posse de drogas, e sim, estava embriagada.

Dentre esses incidentes freqüentes da nossa adorada, pensei se talvez ela não estaria tentando fazer um “happening” ou, numa situação mais nerd, um “live” de GTA. Como o protagonista do jogo ela sempre está embriagada ou sobre efeitos de drogas, além de dirigindo um carro em alta velocidade, seja roubado ou não. Na verdade ela está se divertindo com isso, na verdade ela faz isso pois tem um espírito contestador e artístico. Ela, diferente de todos nós, vê a frente mesmo dentro de um carro em alta velocidade e drogada. E vem mostrar para todos que estamos errados, como eu estava.Me perdoe, senhorita, só não me persiga pelo meu erro.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Duro de Matar 4.0 ou os vilões megalomaníacos estadunidenses

Já que esse é um blog que versa sobre cinema, resolvi escrever e comentar sobre um filme que vi recentemente, fui ver o filme com outros camaradas, não esses que escrevem junto comigo no blog, mas também camaradas de mesma índole, inclusive conhecidos dos camaradas do blog.

Fui ver um filme de ação, sou o que mais gosta dentre os camaradas, um bom filme de ação nesses tempos atuais são bem raros, daqueles que você não consegue tirar os olhos da tela.

Em geral um bom filme de ação é uma das vertentes da teoria que o cinema é uma arte de impacto visual e auditivo, você deve surpreender a platéia e ela deve sair impressionada com o filme, o cinema não deve ser um discurso que versa sobre o cinema em si, mas que conta um história com impacto, de alguma forma as pessoas tem que sair impressionadas, de alguma forma. Enfim, fui assistir a duro de matar, o novo, e devo dizer que em aspectos gerais é um filme bem executado, cumpre a função de bom cinema pipoca de ação, pecando apenas num aspecto: o vilão. Saudade de Alan Rickman ("O" vilão da série) e Jeremy Irons, deu um pouco de saudade.

O vilão não é de todo mal, contudo ele se enquadra naquela classificação dos vilões megalomaníacos da série de tv do Batman, aquela dos anos sessenta, cujo vilões preocupados em discursar ao mocinho sobre a justificativas das suas atitudes acabam sempre perdendo justamente por essa mania. E o pior que todos os vilões costumam ser solitários pois são rodeados por capangas idiotas e nada articulados, então sempre quando ele encontra o protagonista, vulgo o mocinho, ele percebe uma oportunidade para alguém compreender a grandiosidade do seu estragema.

Proponho a seguinte solução para os vilões das futuras gerações: aprendam ventriloquismo. Ora, após aperfeiçoarem nessa difícil arte, poderão adquirir um boneco ou uma meia improvisada como boneco para poderem contar seus planos e até seus segredos mais obscuros. Alguém pode argumentar falando que existe um vilão do Batman que é um boneco de ventriloquismo, contudo o vilão é o boneco e ele acha seu manipulador um idiota.

Camarada Fundamentalista e as mulheres: do contexto favorável

Sempre procurando refinar minha sólida e já comprovada sabedoria acerca das mulheres, conversando com o Camarada Progressista, consegui definir mais claramente uma intuição que eu já tinha de que o interesse amoroso de uma mulher é decisivamente atrelado a um contexto. Para que as mulheres se interessem por você, caríssimo Camarada X, faz-se necessário um contexto social favorável. E não me refiro somente aos losers, por favor. Mesmo os garanhões e galinhas faturam segundo este mesmo princípio; afinal, trata-se de um traço fundamental do que são as mulheres, da – segundo o reto vocabulário da tradição ontológica ocidental – qüididade da mulher.

Vejamos agora se podemos dar alguma inteligibilidade a isso, dizendo como é esse “contexto social favorável”. De maneira muito simples e sucinta, funciona como a velha lei da oferta e da demanda: elas precisam querer o que você tem a oferecer. Então, Camarada X, pense no que você tem a oferecer. E trate de ser o mais isento, lúcido e sincero possível neste ponto, deixando de lado tanto a autodepreciação como a superestimação. Algo você tem a oferecer, e não é tudo. Depois, pense em onde estão as mulheres que se interessam pelas características positivas assinaladas. É, pois, de capital importância que se estabeleça uma correspondência clara entre tais características e o ambiente social sugerido, porque é daí, enfim, que obviamente resultará um “contexto social favorável”.

Exemplifiquemos, para que a linguagem conceitual, dando ares de pura teoria, não maquie a natureza totalmente prática dessas palavras. E exemplifiquemos com um clássico: o professor que desperta os suspiros de suas alunas. Quer “contexto social favorável” mais favorável? Dando aula, o indivíduo – se for bom professor, é claro – pode expressar muitas de suas mais afrodisíacas qualidades: senso de humor, capacidade de influenciar e seduzir outras pessoas. Todas estas, qualidades que se resumem a somente uma: inteligência. Pois assim é o reino animal: os que não contam com força (leia-se “poder”, “músculos”, “dinheiro”, etc, etc), se arranjem com a inteligência. E as menininhas, condicionadas pelo ambiente escolar, se acham predispostas a se deixar envolver pelos encantamentos do charmoso professor.

E o caso dos garanhões e galinhas? Como havia dito, o princípio é o mesmo, tanto para eles, quanto para o professor. De fato, garanhões e galinhas já praticam há muito tempo, desde que começaram a existir garanhões e galinhas sobre a face da terra, o que eu estou lhes ensinando. E o fazem instintivamente. Primeiro, definem claramente o tipo de mulher que procuram (geralmente uma que seja “fácil”, como se costuma dizer, tirando eu, é claro, porque sou muito respeitoso). Depois, se dirigem aos lugares onde supõem ou sabem que vão encontrar tais mulheres (bares, baladas, casamentos, funerais, cursos de Psicologia...). E, finalmente, aplicam o papo e a abordagem esperada por elas.

E se tornam, ao ver das mulheres, cafajestes única e exclusivamente por simularem as características que apresentam. E raramente simulam com competência: isto é, as mulheres é que gostam de bancar as trouxas... ai, me desculpem, é só um espasmo sexista. Mas verdade é que, no caso das mulheres que vão na desses canastras que andam por aí aos montes, elas realmente estão procurando o que eles estão indiretamente (e sem encenação nenhuma) oferecendo. Através da conversinha fiada, que não engana ninguém, com que eles chegam, demonstram os sem-vergonha, atrevidos, sacanas que são. E, aí, bom, aí, elas, que estão atrás de um sujeito viril – e, querendo ou não, o cafajeste é viril –, compram. É por isso que o Machismo Clássico (que só falha por generalizar, já que tudo nessa vida tem sua exceção) diz que mulher gosta de apanhar.

Mais do que uma tática, Camarada X, esta exposição do “contexto social favorável” é uma constatação comportamental, até com uns tons muito peculiares de biologia e, por isso mesmo, deterministas, como não poderia deixar de ser. (Ah, a foto acima é de Pablo Picasso, em seu estúdio, com Brigitte Bardot, em 1958.)

TETÉIA DA SEMANA

Kirsten Dunst
Atriz norte-americana de 25 anos, que surgiu ao mundo no filme Entrevista Com Vampiro, no qual contracenava com o Brad Pitt e com o Tom "Cientology Rules" Cruise. Quando fez o filme, tinha apenas 11 anos de idade. Incrivelmente, Kirsten conseguiu seguir sua carreira com passos graduais e firmes, escapando da famosa "síndrome dos astros adolescentes" que acometeu tantos e tantas jovens starletes Hollywoodianas. Fez filmes de excelente respaldo crítico, como Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Virgens Suicidas e Maria Antonieta, e também encheu os bolsos interpretando a garota favorita do Peter Parker, Mary Jane, nos três Homens-Aranhas já lançados. Falta agora tentar arrancar uma indicaçãozinha ao Oscar, que pelo jeito não passou nem perto dela em todos esses anos de carreira. Deve ser a maldição do Aranha, já que o Tobey Maguire também nunca foi agraciado.

sábado, 11 de agosto de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Depois da ausência da semana passada, provocada por uma fortíssima gripe (vamo lá, finjam que vocês acreditam nisso), volta as estréias. Depois não diz que eu não avisei.

Primo Basílio - Diretor: Daniel Filho; Elenco: Fábio Assunção, Debora Fallabella, Reynaldo Gianechinni
Todos os defeitos do cinema nacional podem ser evidenciados quando assistimos alguma película dirigida pelo pau pra toda obra Daniel Filho. Típico caso de diretor de novela que não sabe de maneira alguma diferenciar os veículos pelo quais lança seus trabalhos (como bem fala o Fundamentalista no seu texto sobre Bergman, o cinema exige outro tipo de aproximação de seus diretores). Nesse caso, é impossível evitar o clima de novelão que ele adota para contar pela milésima vez a história do clássico livro do Eça de Queiroz. A ação é transposta para os anos 50 sem qualquer motivo aparente, talvez para ter uma prerrogativa para lançar na tela tórridas e exageradas cenas de sexo, sei lá... Filmeco que, obviamente, não faz jus à obra original, e embora tenhamos a competente atriz Debora Fallabella tentando salvar a pátria aqui e acolá, acaba sendo afundado pelos seus atores, o insosso Fábio Assunção e o David Hasselhoff tupiniquim, Reynaldo Gianechinni, absurdamente inexpressivo como sempre. Em vez de prestigiar esse lixo, leia o livro e se divirta com todo o cinismo do Eça, que você vai se divertir muito mais.

Escorregando Para a Glória - Diretores: Josh Gordon e Will Speck; Elenco: Will Ferrel, Jon Heder
Comédia de segunda que foi um sucesso inesperado nos States, já que não era o principal lançamento do Will Ferrel no ano. Aposta tudo no talento cômico de Ferrel e do Jon Heder, mais conhecido pelo superestimado Napoleon Dynamite. A "trama" do filme versa sobre dois patinadores rivais que depois de serem expulsos das Olimpíadas de Inverno por má conduta precisam trabalhar juntos para competir novamente. É, muito animador mesmo, ver o Ferrel dando seus berros insuportáveis num filme sobre patinação do gelo. Fuja dessa bomba e assista a biografia da Tonya Harding, aquela maluca que fez um plano com o namorado pra matar a sua principal competidora no esporte em 1992, que você ganha mais. Bota lá no E!, no Mundo, qualquer um desses canais que com certeza estará passando.


Sem Reservas - Diretor: Scott Hicks; Elenco: Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart
O quê? Uma comédia romântica sobre dois chefs que acabam tendo de trabalhar juntos num badalado restaurAnte de Nova York e que depois de se hostilizarem no começo acabam descobrindo que se amam no final e ficam juntos, felizes para sempre? Sério: quantas vezes você já viu esse filme? Duzentas e cinquenta vezes? Existe uma comédia romântica nesse mundo, das que foram feitas depois do estouro do Harry e Sally nos anos 80, que vale a pena, e ela se chama Jerry Maguire. O resto, lixo. E com o Aaron Eckhart? Meu Deus, será que não existia nenhuma opção melhor que esse careteiro de marca maior? Ator que propiciou no horrendo filme Dália Negra a pior atuação da história da humanidade, desde o surgimento da tragédia grega? Pobre Zeta-Jones, faz tempo que ela não faz um filme que realmente tenha qualquer relevância, se continuar assim terá logo de estrelar um Instinto Selvagem 3 com o marido Michael Douglas de cadeira de rodas e marca-passos. E assim caminha a mediocridade...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Bergman, o quarto (rei) mago

Filmes cujo roteiro tem por base uma peça teatral são geralmente recheados de falatório. Pensem em Closer, por exemplo: parece que Clive Owen e cia. nunca mais vão calar a boca. E quando não estão falando, tem aquele carinha repetindo sem parar que não consegue tirar os olhos da mina (é, finge que é uma mina mesmo). Esfregam na cara da gente parágrafos e parágrafos de diálogos espertinhos e afiados. E a gente sai do cinema pensando que filme inteligente acabou de ver e até se sentindo, a gente mesmo, inteligente por ver um filme assim. E, de fato, é o principal efeito que uma produção como Closer visa provocar nos espectadores. O principal e único, às vezes chego a pensar (mas só às vezes). Como uma conversa entre dois indivíduos muito perspicazes que ficam se exercitando em piadinhas oblíquas e herméticas que ninguém mais, a não ser eles, entende.

Só que, diferente do que parece, nem é esse o ponto que eu quero demonstrar. O que me interessa é Ingmar Bergman, que faleceu, e eu fiquei sem dizer nada. Closer era só uma desculpa ou passo para ilustrar uma das tantas qualidades do cineasta, a qual eu gostaria de destacar e, assim, prestar minha tardia - pra vocês, é claro - homenagem. Pois Bergman veio para o cinema do teatro. E ao longo de sua vida, ao lado do cinema, o teatro sempre foi sua grande paixão, da qual nunca se afastou, escrevendo e dirigindo. Isso todo o mundo leu em biografias as mais variadas e vagabundas, tipo, daquelas de verso de DVD.

Mas nessa passagem do teatro para o cinema, iniciada como revisor de roteiros e depois roteirista, Bergman soube reconhecer e respeitar as especifidades de cada expressão artística. E, em vez de encher a tela de falatórios sem fim, privilegiou a essência do que é o cinema, ao fazer as imagens falarem por si só através do silêncio. E quando suas personagens falavam, o que a câmera mostrava (os close-ups tão peculiares) acabava sobrepondo-se, como seu maior trunfo retórico, ao próprio conteúdo do dircurso.
Bergman, no entanto, era um chato; ou melhor, seu cinema era chatíssimo. Porque ele era bem bacanundo, ele como pessoa humana, entendem? Mas Bergman é morto. Então, Bergman era pop: isto é, dos "cineastas difíceis", sabe, aqueles em que nem adianta chegar chegando, que não rola de jeito nenhum; em comparação a estes, ele era plenamente assistível. Filmes como O Sétimo Selo, A Fonte da Donzela e Fanny e Alexander são muito acessíveis. Pelo menos, quando a gente não sofre de preguiça cerebral crônica, concessão que já se fez por aí, dado que é um caso comum. Mas eu, se fosse prefeito, ou presidente, ou se trabalhasse na alfândega, ou então se fosse um Imortal, aí tinha que todo o mundo assistir Bergman; e ai de quem não gostasse - eu botava pra ouvir horas e horas de música instrumental zzzzzzzzzz... pra ver se aprendia a deixar de ser filisteu. Filisteu não; é tonto mesmo. Mas aí é eu, e eu sou bom demais pra isso aqui.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Curtas: Resenhas de Cds

Tava devendo uma resenha sobre o último álbum lançado pelo Arctic Monkeys. Como não é nenhuma maravilha, vou aproveitar e fazer resenhas rapidíssimas sobre discos lançados no último ano e meio, sem qualquer justificativa aparente. Como diria o mito Amaury Jr., " é o mundo musical em revista".

Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare: Disco que começa arrasador com a pega-pra-capá Brianstorm, mas que não segura o rojão nas outras faixas, fazendo mal uso de belas frases de guitarra e de uma eficiente cozinha. Uma decepção, mas perdoável se considerarmos a pouca idade dos integrantes. O rótulo de novo Nirvana e a cobertura maciça dada pela mídia musical britânica acabaram sendo fardos pesados demais para a banda carregar. Mas eles foram realmente ingênuos: deveriam ter feito todas as faixas do álbum soarem como a Brianstorm, e a vitória estaria garantida.
Faixas recomendáveis: Brianstorm, Fluorescent Adolescent



Bloc Party - A Weekend in The City: A proposta limitada prende demais a banda, que é obviamente talentosa, mas que pelo jeito nunca conseguirá sair daquele esquemão "pós-punk sem sintetizadores". O disco anterior, Silent Alarm, é muito superior, e projetava uma carreira promissora para a banda, mas esse inerte segundo álbum acaba lançando invitáveis sombras sobre o que pode-se esperar do Bloc Party em sua carreira. A homossexualidade do vocalista Kele Ukereke acaba sendo a principal fonte de letras para o disco, o que, se fosse usado com parcimônia, poderia render canções memoráveis, mas que aqui acaba soando cansativo depois de um tempo. Agora é esperar para ver aonde esses londrinos caminharão.
Faixas recomendáveis: Wating For The 7:18, Hunting for Witches



The Killers- Sam's Town: e o século já tem a sua banda mais subestimada. Sequencia do sucessão Hot Fuss, que emplacou a sensacional Mr. Brightside, é um disco bem menos convencional e mais difícil que o anterior, não apelando para refrões fáceis e caminhos de fácil digestão. Todos criticaram o clima meio Bruce Springsteeniano do disco, o que é uma bobagem. Se o Oasis imita os Beatles, todo mundo elogia (não se iludam, eu adoro o Oasis, apenas usei essa comparação para elucidar o meu ponto). Espero que eles não sucumbam ao semi-fracasso do disco e continuem nesse bom caminho.
Faixas recomendáveis: o disco todo, larga de preguiça e ouve direito o bagulho



Red Hot Chili Peppers - Stadium Arcadium: imaginem um álbum duplo com 28 músicas. Imaginaram?Agora, imaginem que dessas quilométricas 28 canções, apenas 2 sejam realmente boas. Eu disse duas. Em termos percentuais, apenas 7% do disco se salva. Um feito que somente os Peppers poderiam alcançar, lançando um disco horroroso com status de obra-prima. Tentaram soar mais ambiciosos e quebraram a cara, já que o Anthony Kieds é um letrista fraquíssimo, e toda a virtuosidade da banda é disperdiçada em músicas soporíferas e sem qualquer tipo de inspiração. O que sobra são jams intermináveis entre os integrantes permeadas com letras sobre bobagens que em momento algum formam uma melodia mais do que decente. Agora, aprenderam a lição: só servem para lançar baladinhas inssossas, já que estão velhos demais para produzirem funks arrasa quarteirões como os que tinham no clássico Blood Sugar Sex Magic.
Faixas recomendáveis: Desecration Smile, Dani Calfornia (embora roube descaradamente o início da Sweet Home Alabama).


Interpol - Our Love to Admire: E o fantasma do Ian Curtis continua assombrando essa banda nova-iorquina. Mas não existe problema algum em querer soar como o Joy Division; agora, esteja sempre a altura de tamanho desafio. O que infelizmente não vale para o Interpol, que embora tenha nesse disco belas canções como Wrecking Ball e Lighthouse, fica a anos-luz de reproduzir a densidade psicológica e os climas gloriosamente opressivos da banda inglesa. Tá na hora do Interpol buscar outro caminho, para não comer poeira e ficar definitivamente para trás na implacável indústria musical.
Faixas recomendáveis: Wrecking Ball, Lighthouse, Pioneer To The Falls




Pearl Jam- Pearl Jam: Disco datado de uma banda totalmente fora de seu tempo, que vive somente para saciar a fome dos vampiros grunges que sobreviveram aos funerais do Kurt Cobain e do Layne Stanley. Depois de lançarem vários discos amorfos e sem personalidade, tentaram agora fazer algo mais energético, que resgatasse a antiga vitalidade, mas que soa apenas patético, já que todos nós estamos carecas de saber que o Bush é mal e que a Guerra não presta, mas ganhar dinheiro fazendo músicas versando sobre anacronismos políticos é perfeitamente aceitável. O fim chegou faz tempo, e a banda vai passar mais vergonha até se tocar finalmente disso.
Faixas recomendáveis: a melhorzinha, Parachutes. O resto, sem comentários


Fall Out Boy - Infinite on High: A banda emo mais famosa do mundo lança mais um disco para entupir os i-pods dos adolescentes espinhudos e baforentos. Aliás, tenho certeza que o surgimento das bandas emos nos anos 2000 foi obra do maquiavélico Steve Jobs num plano audacioso e sagaz para vender i-pods para os incautos e imberbes. E dá-lhe reclamações sobre a gostosona da sala que não liga para os losers, amores mal resolvidos e esse mundo malvado e pervo que não entende os fofos emos. Lixo.
Faixas recomendáveis: a melhor parte do disco é quando acaba a última faixa e tem alguns segundos de silêncio. Um alívio perante tamanhos minutos de tortura.



Bjork - Volta: Finalmente, a talentosa islandesa deu um tempo. Depois de lancar dois discos mais experimentais, Vespertine e Medúlla, que já tinham sido antecedidos pelo fraco Selmasongs, trilha do insuportável filme Dançando na Escuridão, a Bjork resolveu parir uma obra mais orgânica, que nos remete levemente aos gloriosos dias dos discos Debut, Post e Homogenic. Lógico que, em se tratando de um disco Bjorkiano, seria impossível evitar momentos mais, digamos, excêntricos, como na ótima faixa Innocence. Mas tudo feito nitidamente para trazer o público mais convencional que afastou-se da islandesa com os últimos trabalhos experimentais. A produção do onisciente e onipresente Timbaland não compromente aqui, já que a Bjork é, ao contrario dos Timberlakes e Nellys Furtados da vida, uma compositora de visão que jamais deixaria-se levar totalmente por produtores, somente utilizando seus talentos para complementar possíveis idéias suas.
Faixas recomendáveis: Earth Intruders, Innocence, Vertebrae by Vertebrae

Por enquanto, é isso. Logo, volto para falar de lançamentos nacionais. Como vocês podem imaginar, será um verdadeiro show de horrores.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

TOP 5 - Morrissey

Cinco melhores letras escritas pelo Morrissey (na época dos Smiths):
5- Cemetery Gates

4- Pretty Girls Make Graves

3-The Boy With The Thorn In His Side

2-What Difference Does It Make

1-How Soon Is Now?

Cinco letras mais engraçadas escritas pelo Morrissey (de novo,na época dos Smiths):

5-Girlfriend in A Coma - Toda a graça da ambiguidade

4- Panic - Pobre do DJ que ousou tocar Wake Me Up Before you Go-Go numa gélida manhã londrina

3- Bigmouth Strikes Again - O "pedido de desculpas" para a Margaret Tatcher não poderia ter sido mais hilário

2-The Queen Is Dead - Nunca a Rainha foi tão zoada, nem no South Park. E pobre Charles...

1- Barbarism Begins At Home - Em quatro estrofes, Morrissey explica como devemos educar nossos filhos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Audrey Hepburn e as botas-plataforma

O que vem abaixo é repetitivo? É. É uma louvação pouquíssimo original, acompanhada de uma altercação desnecessária e pedante? Sim. E eu estou ligando?

Audrey Hepburn me inspirou a escrever contra todas vocês, mulheres. Mas o meu ser contrário a vocês não é nocivo ou ressentido, em absoluto. Se me levanto... não, infeliz esta expressão. Deixem que eu reformule: se me oponho a vocês - e muito benignamente, por favor -, é porque amo tanto vocês, que não posso negligenciar que há no mundo alguém ou Algo como Audrey Hepburn.

É muito que lhes solicite que se coloquem em meu lugar quando as vejo pela rua, calçando essas botas e sapatos horrorosos, com plataformas que me fazem pensar que vocês escaparam de um bando de mafiosos que, agora há pouco, as haviam levado pra dar um mergulho? Podem imaginar o que é, para alguém como eu - que tem as mulheres num patamar elevadíssimo (por causa de mamãe, se querem saber) -, vê-las por aí andando como o Herman Monstro? E olha que a maioria de vocês, mesmo antes do advento dessas coisas, já não sabia andar, não como mulheres, não como Audrey Hepburn.

Falando assim, pareço o Clodovil. Ah, e como nesses tempos é fácil confundir um homem simples como eu, um homem de antigamente, que ainda corteja as mulheres, sim, que ainda pratica essa refinada e infelizmente extinta forma que antecedeu o xaveco, que é o cortejo; pois, como é fácil confundir tal homem com o Clodovil. E, no entanto, Clodovil é cheio de grosserias e ressentimentos; mas eu, eu sou um grande apaixonado por vocês, por todas vocês, mesmo havendo por aí quem diga que quem ama todas, não ama nenhuma.

Eu, que vivo para lamentar o agora em nome de saudosismos e nostalgias inopinadas, e aquilo que é em nome do que deveria ser. Ah, e como eu sei de como as coisas deveriam ser, mas não são. Eu, que só sei de ideais, no entanto, apelo a alguém que, enfim, não era um ideal, não originalmente. Mas que veio a se fazer ideal: e os melhores, os mais duradouros, os mais reais são os ideais que se impõem com esforço e trabalho. Acho mesmo que os outros, aqueles que supostamente se apresentariam sem obstáculos ou resistências, são imediatamente esquecidos. Daí que os que aí estão entre nós, com história e tudo, a comporem uma certa tradição qualquer, são apenas os que progressiva e vagarosamente foram assimilados e aceitos como ideais. Pois Audrey não era alta e magra demais para fazer carreira num tempo em que as baixinhas curvilíneas é que pautavam o gosto? Mas Audrey era mais que pernas e quadril. Audrey era uma mulher. E qual o sentido desse desavergonhadamente requentado truísmo? Ora, minhas senhoras, pensem vocês mesmas e se dêem uma resposta que exclua o andar de pata e o passo do elefantinho. É, eu tentei, mas reconheço: foi Clodovil, definitivamente Clodovil.