domingo, 16 de setembro de 2007

Me fala de amor!

"Esquece a política e me fala de amor." Então, tá. Amor é mesmo um assunto bem melhor que política. Se Shakespeare não tivesse falado de amor, o que ele disse de política nem interessaria. De fato, nunca interessou. Embora sempre haja chatos pra dissertarem sobre o "Shakespeare político" e embolsarem títulos junto à Academia, que esta descanse em paz. Porque Shakespeare era um cara esperto, talvez o artista mais esperto do mundo, e eu nem sabia que talento artístico e esperteza andavam juntos. Pra mim, ou se era artista e otário, ou pós-moderno (tsc, tsc, tsc) e esperto. Mas a gente tá aqui, nessa vida, é pra aprender coisa nova até chegar a nossa hora (credo...), né?
Shakespeare ia na onda, pra cair nas graças de quem precisasse cair. E fez o que fez, sendo o preferido dos figurões e agradando às massas. Tipo eu, Shakespeare era igualzinho a mim. Eu, que sou a parte "chata e inteligente" desse blog, assombrando os filisteus e suas namoradinhas com a carranca da alta cultura, à parte os esgares de concessões a Nelly Furtado e college bands. Não acham que com Shakespeare era a mesma coisa? Quando aqueles rapazinhos vinham fazer testes pra sua companhia teatral, não supunham que o seu Shakespeare ia botar eles pra correr citando Plínio, o Velho, com a King James em riste? Que nem eu e vocês.

Mas olha, gente, é bom parar com isso, que eu sou do povão. Não vou falar que sou filisteu, porque gosto de Persona, do Bergman, e o Paulo Coelho não; e uma coisa que a gente aprende nesse caminho acidentado que é o de se garantir uma formação intelectual e artística é que se a gente está divergindo do Paulo Coelho (e por que não dizer também de quem gosta de Drummond irrestritamente...), não tem como não estar andando certo. E olha que numa entrevista, há muito tempo, ele disse que gostava de Dom Quixote. Mas se eu gosto de My hero, do Foo Fighters, o Paulo Coelho também pode gostar de Cervantes, não pode? Apesar de que quando fotografaram a Glória Maria e ele no aeroporto, o bruxo tinha, junto com São Cipriano for dummies, um livro fininho que um aluno de Engenharia amigo meu disse que era Dom Quixote para as crianças, do Monteiro Lobato. Esse meu amigo reconheceu a capa na hora, pois foi o único livro que ele leu inteiro e gostou mesmo. "Que nem o Alckmin", eu falei pra ele. "É", me respondeu, sacudindo a cabeça, bem entusiasmado.

(O Paulo Coelho e a Glória Maria estavam esperando o avião deles pra um lugar do Extremo Oriente onde gravaram o treinamento da Uma Thurman com o Gordon Liu em Kill Bill: Volume 2. Esperaram muito por causa da crise aérea... ai, eu disse que não ia falar de política, caramba! Já chega a piada do Alckmin, que eu nem ia colocar se o engenheiro tivesse sacado.)

Mas foi pra falar de amor que eu postei. E Amor, pra mim, é liberar total o meu jeitinho filisteu de ser, que eu também tenho. Por isso, costumo confundir estar apaixonado com aquilo que eu sinto ouvindo essas bandinhas indie (lá-lá-lá-lá...) que eu tenho aqui, no meu MP3 player, sem ninguém no busão que vai pra facul lotado de fã de Chico Buarque ficar sabendo. Uma definição musical do amor, pois, em tópicos:

1) é como uma banda indie;

2) tem vocal de uma menininha bonita que andava com os esquisitões na época do colégio e, daí, formou uma banda com eles, porque ela era cheia de atitude;

3) as canções são sempre melodiosas, TÊM refrão, e as letras falam de losers encontrando o amor, perdendo o amor, tentando compreender o amor, sendo enganados no amor e - meu Deus, até onde vai a imaginação dessa rapaziada! - enganando no amor, losers enganando no amor.
B-servação: falar do Paulo Coelho é que nem bater em cachorro morto; e nem estou falando da obra do Paulo Coelho, que aí é palhaçada mesmo. Se eu falo dele, da pessoa dele, do mago que ele é, é porque ele foi encrencar com o Bergman, e depois deste morto, e pra mim Bergman é que nem o Corinthians pros corintianos.

2 comentários:

  1. ah eu pensei que ia ser um post sobre shakespeare apaixonado... adoro esse filme!!!

    cada um vê o amor de uma forma... mas eu acredito muito naquele amor incondicional, de querer bem o outro....

    até escrevi sobre dois filmes, que atestam bem o que NÃO é o amor...

    coincidência?
    é a primavera, ai, ai...
    bjus!

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  2. Jeniffer Cristine23 de maio de 2009 14:41

    Para mim Paulo Coelho e política se assemelham ao Corinthians para os corinthianos!

    Fracassado! Não têm como se mostrar mais importante por suas próprias competências então acaba criticando pessoas ou idéias que são extremamente superiores a você!

    Vá procurar saber mais sobre a vida e obra dessas pessoas e idéias, vá fazer algo a mais do que achar que pode ser um crítico literário, musical, ou que pode realmente dizer que política é a pior coisa para se discutir!

    E repito: F-R-A-C-A-S-S-A-D-O!

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